Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Escrito por Gabriel Durvalino

Celebrado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha reforça a luta contra o racismo, o sexismo e as desigualdades sociais que atingem mulheres negras em diferentes países da América Latina e do Caribe. Criada em 1992, a data também busca dar visibilidade à trajetória e ao protagonismo dessas mulheres na sociedade.

Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha
Foto: Reprodução

No Brasil, dados do Atlas da Violência 2025, referentes a 2023, apontam que cerca de 68% das mulheres vítimas de homicídio eram negras. O levantamento evidencia a desigualdade racial presente na violência letal contra as mulheres e expõe os desafios para a garantia de direitos.

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Os problemas enfrentados pelas mulheres negras, no entanto, vão além da violência e das fronteiras brasileiras. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), mulheres afrodescendentes apresentam taxas de pobreza superiores às de mulheres não afrodescendentes em diversos países da região. O cenário está relacionado a desigualdades históricas de renda, educação e acesso ao mercado de trabalho.

A Cepal estima que mais de 130 milhões de pessoas afrodescendentes vivem na América Latina e no Caribe. Nesse contexto, as mulheres negras estão entre os grupos mais afetados pelas desigualdades sociais e econômicas.

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Tereza de Benguela e a história de resistência

No Brasil, o 25 de julho também homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola que se tornou símbolo de resistência. Em 2014, a data foi instituída oficialmente no país como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, por meio da Lei nº 12.987.
Tereza de Benguela liderou o Quilombo do Quariterê (ou Piolho), no atual estado de Mato Grosso, durante o século XVIII. Reconhecida por sua capacidade de organização política e militar, tornou-se símbolo da resistência negra e da luta pela liberdade.

O reconhecimento reforça a importância da participação histórica das mulheres negras na luta por direitos, igualdade e justiça social. Para a pedagoga e mestre em Relações Étnico-Raciais Luiza Mandela, os avanços na ocupação de espaços de poder e na produção de conhecimento pelas mulheres negras precisam ser reconhecidos, mas ainda existem obstáculos relacionados ao racismo e à desigualdade de gênero.

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“Existem mulheres negras ocupando ministérios, escrevendo livros e participando de espaços de decisão, mas ainda encontramos muitas barreiras impostas pelo racismo e pelo machismo estrutural. Por isso, instituições e poder público precisam desenvolver ações contínuas de letramento racial ao longo de todo o ano”, afirmou.

Desafios ultrapassam as fronteiras brasileiras

Em países como Colômbia, República Dominicana, Equador e Honduras, comunidades afrodescendentes ainda convivem com dificuldades de acesso a direitos e serviços básicos.
Na Colômbia, mulheres afro-colombianas lideram iniciativas de defesa de territórios ancestrais e de comunidades afetadas por conflitos armados. Em países do Caribe, organizações de mulheres desenvolvem ações de combate à violência de gênero, ao racismo e à exclusão econômica.

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Em diferentes países da região, mulheres negras também enfrentam menor participação em espaços de poder, maior presença no mercado de trabalho informal e desigualdades no acesso à saúde e à educação, segundo levantamentos de organismos internacionais.
Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, a participação política, a representatividade em cargos de decisão e o acesso a oportunidades continuam entre os principais desafios para a promoção da igualdade de direitos na região.

Especialistas destacam desigualdades históricas

Para Mariana Gino, professora, doutora em História Intelectual Africana e coordenadora do setor de Educação e Pesquisa do CEAP, os desafios enfrentados atualmente refletem desigualdades históricas.

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“A pouca valorização dessa data reflete um contexto social em que as mulheres negras ainda enfrentam desafios em diferentes esferas da sociedade, como a política, a economia e o mercado de trabalho. A luta por emancipação social e econômica, por salários mais justos e por igualdade de oportunidades continua sendo uma realidade”, disse. Mariana também destacou a importância de ampliar a visibilidade da data e reconhecer a contribuição das mulheres negras para a construção da sociedade brasileira.

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Segundo ela, valorizar essas contribuições, tanto históricas quanto contemporâneas, é fundamental para ampliar o reconhecimento da atuação das mulheres negras em diferentes áreas da sociedade.

Investimento e representatividade

Adriana Barbosa, diretora da iniciativa Viva Pequena África e diretora-executiva do Instituto Feira Preta, defende a ampliação dos investimentos direcionados às mulheres negras e destaca o papel delas no desenvolvimento econômico do país. Para Adriana, valorizar a presença e a atuação dessas mulheres é fundamental para construir uma economia mais diversa e inclusiva.

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“Quando investimos nas mulheres negras, não estamos promovendo um grupo específico. Estamos fortalecendo um dos maiores potenciais de inovação, criatividade e desenvolvimento econômico do Brasil. O futuro de um país mais justo passa, necessariamente, pela capacidade de reconhecer, apoiar e investir na potência das mulheres negras durante todos os dias do ano”, afirmou.

Data amplia debate sobre políticas públicas

O 25 de julho também amplia o debate sobre políticas públicas voltadas à inclusão, à proteção dos direitos humanos e ao aumento da participação das mulheres negras em espaços de decisão. Mais de três décadas após sua criação, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha permanece como um marco de mobilização pela igualdade racial e de gênero. A data reforça a discussão sobre desigualdades históricas e a necessidade de políticas públicas que ampliem direitos e a participação das mulheres negras nos diferentes espaços da sociedade.


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