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Conheça os 33 artistas e coletivos contemplados por Natura Musical em 2022

Os Tincoãs, Jup do Bairro, Kaê Guajajara, Sérgio Pererê e Cristal estão entre os selecionados.

Dezenove artistas e 14 coletivos serão patrocinados pela plataforma Natura Musical em 2022. Entre as iniciativas fomentadas, há um panorama plural da cena contemporânea, composto por uma grande diversidade de gêneros musicais e linguagens artísticas. O samba e o pagode, em vertentes que vão da música autoral indígena ao pagodão baiano; o rap e a cultura hip-hop são representados por artistas da nova geração e a música de tambor é celebrada por nomes consagrados. Jovens promissores mostram a inovação da MPB produzida na região Amazônica e também nos centros urbanos em documentários musicais e álbuns visuais.

Maíra Baldaia é a nova patrocinada da plataforma Natura Musical. Foto: Lu Diniz
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O resultado do Edital é reflexo das revisões que o programa vem promovendo ao longo dos últimos dois anos com objetivo de ampliar seu impacto de atuação e a distribuição de recursos. “Os projetos selecionados pelo programa têm como premissa, além de excelentes representantes da cena contemporânea de criação artística, a promoção de debates que propõem novas consciências sociais e projetam um mundo melhor para todos nós. Nós acreditamos que a música é capaz de promover uma cura individual e coletiva ao ecoar um futuro mais sustentável, inclusivo e plural”, afirma Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding.

O programa oferece R$ 5,5 milhões de reais em fomento aos artistas e coletivos selecionados, sendo R$ 1,5 milhão para projetos de todos o Brasil e região Amazônica; R$ 1 milhão para Minas Gerais; R$ 1 milhão para a Bahia; R$ 1 milhão para o Pará; R$ 1 milhão para o Rio Grande do Sul. Natura Musical tem o apoio das leis de incentivo à cultura da Bahia, de Minas Gerais, do Pará e do Rio Grande do Sul.

O que vem por aí

Em 2022, a musicalidade de povos originários, naturalmente engajados em pautas como a sustentabilidade e na linha de frente da emergência climática, são os grandes destaques do Edital. Kaê Guajajara, artista indígena não-binária, realiza turnê do disco Kwarahy Tazyr e grava um documentário que registra os bastidores das viagens; o grupo musical Marujos Pataxó, formado por artistas da Terra Indígena Barra Velha, na Bahia, lança um registro com canções de samba autoral; e no álbum virtual KUPARÁ, o artista mineiro Djalma Ramalho mescla cantos tradicionais do povo Aranã à ritmos eletrônicos.

A Mostra Pankararu de Música, iniciativa referencial de fomento à produção artística indígena, organizada pelo povo Pankararu, realiza capacitação profissional, shows e imersão artística na Aldeia Bem Querer de Cima, em Pernambuco; o projeto Goj Tej e Goj Ror, do povo Kaingang, no Rio Grande do Sul, narra o encontro das águas e terras do território indígena de mesmo nome no álbumAs Águas São Nossas Irmãs; o Festival de Música Kariwa Bacana, que acontece em Manaus, promove encontros entre a produção musical indígena contemporânea e o trabalho de artistas nascidos em centros urbanos.

Ainda na região Norte, a música autoral amazônida é a tônica do trabalho da cantora e compositora Elisa Maia; a fotógrafa, cantora e compositora Marcela Bonfim canta sua busca pela musicalidade, memórias e legado dos povos afro-brasileiros de Rondônia no disco Amazônia Negra; por meio de residências artísticas, o LABVERDE propõe intercâmbios e colaborações entre artistas e profissionais da Região Amazônica, apoiando discussões que refletem o contexto ambiental, social e político do território.

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Dois nomes consagrados foram reverenciados pela curadoria e lançarão novos projetos: Sérgio Pererê, que ao longo de sua trajetória construiu um elo entre a música tradicional africana e ritmos como jazz e soul, prepara novo disco de estúdio; Os Tincoãs, grupo seminal no compêndio de matrizes musicais afro-brasileiras, promove o lançamento do álbum inédito Os Tincoãs – Canto Coral Afrobrasileiro, gravado em 1982 no Rio de Janeiro.

Entre nomes que estão projetando e consolidando suas carreiras, a multiartista Jup do Bairro lança o longa-metragem musical JUÍZO FINAL; Maíra Baldaia, multi-instrumentista mineira, lança Obí (do Yorubá, significa mulher ou fêmea), álbum com participação de Marissol Mwaba, Marina Sena e Djonga; com o EP de estreia Eu Sou Flor, o cantor e compositor Flor de Mururé narra sua vivência enquanto homem umbandista transgênero amazônida; Ventura Profana, artista-travesti, negra e nordestina, questiona os paradigmas baseados nos termos da cultura euroamericana e colonial em Procure Vir Antes do Inverno; a rapper soteropolitana Cronista do Morro trabalha no produção de seu primeiro disco, que terá rimas inspiradas na sua vivência enquanto uma uma mulher preta, periférica e lésbica.

A potência da música feminina também vem representada por Azuliteral, cantora e compositora, que trabalha em disco inspirado na história de 57 mulheres paraenses; de Pelotas, Laddy Dee lança seu primeiro álbum de estúdio, composto por músicas autorais que a artista desenvolveu ao longo de 20 anos de carreira; a rapper porto-alegrense Cristal Rocha trabalha na concepção de um álbum com dez faixas pautado na estética afrofuturista. A performer e cantora Ianaê Régia, com AFROGLOW, pretende fortalecer a rede de apoio afro-gaúcha, utilizando como alicerces a militância por via do autocuidado, decolonialidade e emancipação da cultura preta.

Representante da cultura hip-hop de São Paulo, Billy Saga lança Ambigrama, álbum inédito composto por oito canções. Considerado um prodígio na cena do rap paraense, Daniel ADR prepara disco de inéditas batizado como Black Christ, que retrata a vivência do rapper, um jovem negro, gago e bissexual. Jovens artistas, Tavinho Leoni, de Belo Horizonte, é representante da nova geração do samba mineiro e lança seu primeiro disco de estúdio; enquanto no Pará, Raidol, um dos nomes da nova cena da música pop amazônida, planeja o lançamento de Mandinga, seu primeiro disco de estúdio.

Iniciativas voltadas para a equidade e inclusão também ganharam espaço entre os contemplados. A Casa Sonora, em Belo Horizonte, promove residência artística, palestras, atividades de formação e shows para mulheres, enquanto o Elas No Comando, de Belém, conecta profissionais que atuam no mercado da economia criativa em sete dias de eventos online e presenciais. De Salvador, o Pagode Por Elas, plataforma voltada às mulheres do pagodão baiano, realiza a primeira edição do Festival Pagode Por Elas.

Com o objetivo de fomentar cenas e redes, a mostra Favela Talks reúne artistas, startups, agentes e empresários criativos de comunidades do Distrito Federal e do Brasil para quatro dias de atividades voltadas ao fortalecimento dos mercados culturais das periferias. O Festival Lambateria, em Belém, promove a cultura latino-amazônica, com uma programação de shows e palestras. O Festival Cabobu – A Festa dos Tambores, que acontece em Pelotas, reverencia o tambor de sopapo em um evento com shows, oficinas e ações formativas.

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Localizada no Pelourinho, a Casa do Hip-Hop Bahia é um polo de formação e produção que estimula carreiras artísticas com oficinas formativas, shows e mostras, assim como o Festival Rap Contra o Frio, na cidade de Rio Grande, que promove apresentações musicais de artistas locais, oficinas de produção musical e workshop de gerenciamento de carreira. Em Belo Horizonte, o grupo Trem Tan Tan, coletivo de compositores portadores de sofrimento psíquico liderado por Babilak Bah, fará a gravação de Trem Negreiro, com dez canções autorais, além de oficinas musicais e videoclipes.

Os 33 projetos foram selecionados entre 3720 inscritos por meio da curadoria de 21 profissionais do mercado da economia criativa. São artistas, jornalistas, produtores, ativistas, empreendedores culturais, representantes de festivais e outros players do mercado.

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“A curadoria do Edital Natura Musical 2021 teve como premissa dar visibilidade à riqueza das propostas que recebemos e distribuir os recursos de forma transparente e responsável. São profissionais de diversas regiões do Brasil e que carregam em si uma pluralidade de vivências e linguagens. O olhar atento desse time reconhece artistas e coletivos que já tem um impacto significativo ao mesmo tempo em que projeta novos caminhos”, salienta Fernanda Paiva.

Participam do grupo de curadores: Ana Maia (RS), produtora cultural e fundadora do selo Escápula Records; Ana Paula Paulino (MG/RJ), dançarina, empresária e sócia da Ubuntu Produções; Anne Magalhães (SP), arte-educadora, artista visual e intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras); Bia Nogueira (MG) multiartista, diretora artística do Coletivo IMuNe e coordenadora do Festival Sonora; Carol Amaral (AM), advogada, DJ e co-produtora do Crias de Curupira; Gabriel Murilo (MG), mestre em Música pela UFMG e diretor do encontro internacional Música Mundo; Guilherme Guedes (DF/RJ), jornalista, apresentador dos canais Multishow e Bis e pesquisador musical; Ísis Vergílio (SP),artista interdisciplinar, repórter da revista Elle, produtora e diretora artística; Jaqueline Fernandes (DF), artista, ativista negra, Presidenta do Instituto Afrolatinas e fundadora do Festival Latinidades; Joilson Santos (BA), co-fundador e coordenador do Feira Coletivo Cultural e do Feira Noise Festival; Josyara (BA/SP), cantora, compositora e violonista; Karla Martins (AC), ativista cultural, atriz e Diretora da ABRAFIN; Keila (PA), cantora, compositora, dançarina e representantes do tecnobrega; Linn da Quebrada (SP), cantora, compositora, atriz, apresentadora e filosofa; Lucas Estrela (PA), produtor musical, compositor, guitarrista e artista multimídia; Márcia Wayna Kambeba (AM/PA), mulher indígena, mestra em Geografia pela UFAM, escritora e educadora; Paulo Floro (PE), jornalista, editor da revista O Grito! e professor universitário; Renata Tupinambá (RJ); mulher indígena, poeta, jornalista, produtora, roteirista; Tó Brandileone (SP), produtor musical, compositor e intérprete; TRANSÄLIEN (PE), multiartista, produtora cultural, DJ e idealizadora da Coletividade MARSHA!; Zudizilla (RS),rapper, compositor e produtor musical.

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