Mulheres Pretas que Inspiram

Thelma Assis compartilha detalhes de sua trajetória repleta de vitórias e obstáculos em livro

Publicado pela Editora Planeta, Querer, poder, vencer apresenta a história da médica e apresentadora que subverte as lógicas impostas pelo racismo e o machismo desde criança para conquistar seus sonhos.

Em abril de 2020, aos 35 anos, Thelma Assis foi eleita vencedora do Big Brother Brasil levando para casa R$ 1,5 milhão de reais e tornando-se figura pública conhecida nacionalmente. Quem acompanha a rotina da Thelminha pelas redes sociais, protagonizando campanhas publicitárias, ou pela TV, onde tem quadro fixo sobre saúde em um programa de grande audiência, não imagina tudo que ela passou desde a infância até conseguir se formar em medicina e vencer o reality show. Em seu livro de estreia, Querer, poder, vencer, que chega às lojas pela Editora Planeta com prefácios de Taís Araújo e Manoel Soares, ela compartilha com os leitores um relato íntimo e honesto sobre alguns dos principais episódios de sua trajetória e como enfrentou obstáculos como o racismo e o machismo enraizados na sociedade para alcançar seus sonhos e se tornar símbolo de representatividade para tantas pessoas.

Foto: Reprodução
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“A minha existência é uma resistência. Tudo o que eu vivi como mulher negra são experiências com que as pessoas podem se identificar. Ou, na verdade, com que já se identificaram”, ela afirma na obra. Criada no Limão, bairro da Zona Norte de São Paulo, Thelma relata detalhes de sua infância humilde em uma das casinhas construídas por Oswaldo, seu avô materno, de quem viveu próxima, assim como sua avó, Ordalina, e seus pais. Por conta da vida boêmia que seu pai levava, as finanças da família oscilavam com frequência e a Thelminha precisou trocar algumas vezes de escola, por não terem como arcar com as mensalidades, e com as frequentes mudanças ela começou a perceber que quanto mais simples era o colégio mais pessoas negras ela encontrava nas salas de aula. Essa questão passou a acompanhar ela por toda a vida.

Com um percurso de muitas batalhas, Theminha sempre teve muita força de vontade para estudar e conquistar diferentes espaços na sociedade. Com os ensinamentos de sua mãe – Dona Yara, que ensinou a filha a nunca deixar que a subestimassem -, e também com sua inteligência e segurança, Thelma contrariou as estatíticas, entrou na faculdade de medicina, se especializou em anestesia e venceu um dos principais reality shows do mundo. “Mais uma vez eu havia conseguido me destacar em um espaço no qual desde o princípio não havia muitas pessoas como eu. Assim como eu não me enxergava nos meus colegas da escola particular, do balé, da faculdade, da residência de medicina e dos hospitais onde trabalhei, ali também prevalecia a diferença, ali também eu era o corpo estranho. A única mulher negra retinta entre os vinte participantes da edição, de origem pobre, médica, passista de escola de samba e, a partir daquele momento, campeã do reality show mais disputado do Brasil.”

No livro, Thelma relata também como descobriu que era filha adotiva – recebendo uma ligação anônima de orelhão -, como surgiu o desejo de ser médica, ao acompanhar a morte de familiares, e o que significou para ela passar por uma transição capilar aos 30 anos. “Mais do que uma mudança no cabelo, foi um processo de libertação, que me fez assumir quem eu era e me orgulhar da minha história”, ela conta. Querer, poder, vencer traz uma história de luta, de persistência, de coragem e de como os caminhos são mais tortuosos dependendo de quem você é e de onde veio. “Quem acredita em meritocracia olha para a minha história e diz: ‘Tá vendo? Se ela conseguiu, todo mundo consegue’, mas, em uma sociedade estruturalmente racista, a regra não é essa.”

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