Musica

Papo de Música conversa com Bia Ferreira em programação dedicada ao mês da consciência negra

Um dos grandes nomes da nova geração da musica preta e a entrevistada do programa.

Um mapa da produção musical da cultura brasileira traçado de conversa em conversa e eternizado em vídeos. É assim que o canal Papo de Música desenha seu caminho, se embrenhando na diversidade sonora, estética e social dessa grande terra brasilis. Desde a sua estreia, em 2018, o canal apresenta  uma curadoria diversa e lá se vão 100 episódios. Em novembro, mês da consciência negra, a apresentadora Fabiane Pereira amplia essa proposta com conversas protagonizadas por artistas negros. Nesta semana, a programação chega à última entrevista do mês e traz uma conversa com Bia Ferreira.

Fabiane Pereira e Bia Ferreira durante o Papo de Musica Foto: Reprodução
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Revelação da música brasileira recente, Bia define sua arte como “música de mulher preta”. Dona de poesias antirracistas e que confrontam o preconceito com pessoas LBTQIA+, a artista levou para o canal reflexões a altura de seus versos. “Nós, mulheres pretas, somos criadas para sermos silenciadas”, ressalta a cantora ao explicar o porquê enxerga uma libertação nas palavras. Essa liberdade, além de sentimento, também vem carregada de técnica: ela conta como aplica neurolinguística na composição de suas letras. “Isso é uma tecnologia usada por vários pastores por aí, é assim que as pessoas doam a casa, o carro, etc. E aí resolvi usar essas tecnologias na minha arte”, diz.

Projetada para o cenário nacional por meio da música “Cota Não É Esmola”, escrita em 2011, ela compartilhou a gratidão à faixa pelos lugares onde chegou. No entanto, Bia também falou de como é cansativo levar mensagens que todos já deveriam ter entendido. “É triste ter que explicar que cota não é esmola em 2020. É cruel, eu diria. Poxa, eu tô tendo que explicar o óbvio, eu tô tendo que explicar de novo que meu povo foi escravizado por mais de 400 anos”, declara.

Trazendo artistas com trabalhos e narrativas plurais o ano inteiro, Fabiane perguntou para a mineira sobre espaços que dão voz a pessoas negras somente durante novembro. “Eu vejo essa situação como a galera querendo se apropriar de um tema pra ganhar dinheiro. É capitalizar em cima da dor do outro”, fala. Mesmo não concordando com esse tipo de posicionamento, ela confessa: “Embora chateada com essa apropriação, eu fico vendida. O mês de novembro é o único mês que eu consigo fazer dinheiro de cachê”.

Além dos vídeos, ela também disponibiliza playlists selecionadas conforme inspirações surgidas das entrevistas. Além de Bia, também passaram pelo canal Gilberto Gil, Thiaguinho, Teresa Cristina, Negra Li e Luedji Luna.

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