Politica

Instituto Marielle Franco lança pesquisa sobre violência política contra candidatas negras 10 dias antes das eleições

O Instituto Marielle Franco divulgou no dia 6 de novembro uma pesquisa sobre candidatas negras que foram vítimas de violência nas eleições 2020, 78% das candidatas negras nas eleições 2020, que responderam a pesquisa “Violência Política Contra Mulheres Negras”, relataram ter sofrido algum tipo de violência virtual. As ofensas vão desde xingamentos racistas em suas páginas, até ataques sincronizados em transmissões ao vivo. Este é um dos dados que será apresentado na versão preliminar da pesquisa realizada pelo Instituto Marielle Franco, com apoio da Terra de Direitos e Justiça Global, com candidatas negras de todas as regiões do Brasil.

O estudo tem como objetivo analisar o cenário da violência política eleitoral contra mulheres negras, que se comprometeram com a Agenda Marielle Franco, projeto também do Instituto, visibilizando o impacto que este tipo de violência tem sobre a vida política destas mulheres e buscando caminhos de superação e produção de medidas efetivas para a mudança desse cenário no âmbito nacional. Após o período eleitoral será lançada uma segunda versão, mais ampla, deste trabalho.

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“A pesquisa realizada pelo Instituto Marielle Franco tenta retratar o impacto que a violência política tem sob os corpos de mulheres negras candidatas nas eleições de 2020. É importante ressaltar que historicamente, as mulheres negras que se colocam à disposição para concorrer ao pleito institucional têm sido recebidas por violências e opressões estruturais de raça, gênero e classe.”, avalia Anielle Franco, diretora executiva do Instituto Marielle Franco. 

A PESQUISA

91% das candidaturas negras são de partidos progressistas. No total, são candidaturas de 16 partidos.

Entre os principais tipos de violência estão a violência virtual. 78% das candidatas negras, que responderam a pesquisa relataram ter sofrido algum tipo de violência virtual. Os ataques vão desde xingamentos racistas em suas páginas, até injúrias sincronizadas em transmissões ao vivo. Os principais agentes desses tipos de ações são grupos não identificados (45%), candidatos ou grupos militantes de partidos políticos adversários (30%) e grupos anti-feministas e  grupos anti-feministas, racistas e neonazistas(15%).

Com relação às denúncias da violência política sofrida pelas mulheres negras que responderam à pesquisa, apenas 32,6% relataram ter denunciado, enquanto 29% das candidatas que sofreram algum tipo de violência relatou não querer denunciar, enquanto 17% das candidatas afirmaram ter medo ou não se sentir segura em denunciar a violência que sofreu. Outros 8% das candidatas, apesar da pesquisa ser anônima, relataram não se sentir à vontade em responder as questões que tratam sobre denúncia.

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Entre as que denunciaram, 31% das candidatas afirmou ter denunciado em plataformas digitais e suas próprias redes sociais. Enquanto que 29% afirmou ter denunciado ao próprio partido político e 29% afirma ter registrado Boletim de Ocorrência em delegacia comum, ou delegacia de crimes de informática, respectivamente. 

Ainda assim, a denúncia não lhes garantiu mais segurança, uma vez que 70% das candidatas que denunciaram, afirmaram que a denúncia e o encaminhamento do caso às autoridades não lhe trouxe mais segurança para o exercício da sua atividade político-partidária. Além disso, 71% delas, relatou não ter contado com nenhuma formação ou mesmo apoio para entender que medidas de proteção poderiam ajudar a enfrentar ou superar as situações de violência pelas quais passaram. 

Com relação as que contaram com apoio para realização da denúncia e também para sua própria proteção, chama atenção o papel de movimentos sociais, em especial movimentos de mulheres negras e movimentos negros e organizações da sociedade que atuam na defesa de direitos humanos, juntos, correspondendo a 39% dos órgãos, coletivos ou instituições que ajudaram essas candidatas.

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