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Sangue e Água envolve por muito mistério e drama adolescente | Crítica

Sangue e Água nos mostra que, não importa o local do mundo, adolescentes são adolescentes.

No último dia 20 a Netflix lançou sua segunda série original sul-africana, Sangue e Água (Blood and Water). A série acompanha as investidas que o serviço de streaming está fazendo no continente africano para conquistar mais público e continuar soberana uma vez que a concorrência está aumentando nesse tipo de serviço.

Sangue e Água nos mostra que, não importa o local do mundo, adolescentes são adolescentes. Adoram uma festa com álcool, drogas e sexo, adoram um drama e todos tem algo a esconder. A série é banhada de ancestralidade, o que nos mostra o quão importante isso é na região.

A primeira temporada da série tem apenas 6 episódios, o que faz que ela seja intensa desde o início. Começamos vendo a família principal comemorando um aniversário, inicialmente acreditamos ser de Puleng Khumalo (Ama Qamata), a personagem principal da trama, mas logo percebemos que se trata do aniversário de sua irmã mais velha, Phume, que foi sequestrada ainda quando bebê e nunca foi encontrada. Após o aniversário, Puleng vai para uma festa ao convite de sua amiga Zama (Cindy Mahlangu), é nessa festa que ela conhece a aniversariante Fikile Bhele (Khosi Ngema). As semelhanças físicas e a mesma data de aniversário, faz com que Puleng pense que Fikile é sua irmã perdida. Puleng então muda de escola, se infiltrando no universo de Fikile para investigar mais afundo.

Tecnicamente a série não deixa a desejar, apesar de uma direção de arte óbvia levando em consideração o nome da série. O vermelho e o azul tomam conta da tela, e auxiliam até como uma forma de separar os universos de Puleng (o uniforme em sua antiga escola é azul e na nova é vermelho). A fotografia se destaca desde a primeira cena, usando ângulos e planos inusitados em alguns momentos. A trilha sonora intercala entre artistas sul-africanos e estrangeiros, ela ajuda a construir a narrativa e dá um clima mais ainda mais jovial com as batidas de hip-hop.

As atuações são elogiáveis, não vemos nada fora de série, mas também não fica abaixo das atuações (muitas vezes pífias) das séries teens estadunidenses. A maior parte do elenco, inclusive, mostra bastante potencial, tendo uma evolução visível com o decorrer da série.

Os mistérios da série são envolventes, desde a sua trama principal, até as subtramas de cada personagem. A grande perda da série vem de não conseguir fugir do esteriótipo da protagonista chata de série teen, Puleng mergulha tanto no seu drama que por vezes esquece das pessoas ao seu lado e pensa que o mundo gira ao seu redor, mesmo após chegar em uma nova escola, onde é uma desconhecida e a maior parte dos alunos são mais privilegiados que ela. Privilégio, inclusive, é um tema bastante abordado na trama, discutindo sempre a diferença das classes sociais entre os personagens. A série também não foge do debate racial, nos dando dicas que até na própria África, os professores não ensinam sobre história africana como deveriam.

Conclusão: apesar de não fugir de muitos clichês de tramas teens, Sangue e Água é envolvente e necessária, pois, quando foi que você viu o protagonismo negro nesse tipo de trama? Pergunto mais, quando foi que você viu um elenco com mais de 90% de personagens negros nesse tipo de trama?

A série deixa um cliffhanger muito grande, além de ter tido uma recepção muito boa em todo o mundo, o que nos faz crer que a segunda temporada está próxima de ser confirmada.

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