Mulheres Negras na Fotografia

Mulheres Negras na Fotografia: Larissa Gomes

Olá, leitores do Cultura Preta! Como estão? 

Quem fala aqui é a Cléo, mulher negra fotógrafa e estudante de cinema, e a partir de agora trarei conteúdos sobre esse meio artístico, com indicações, referências, e tudo mais o que vocês desejarem. 

Para começar esse novo quadro de mulheres negras na fotografia, decidi começar com a Larissa Gomes, que é uma amiga e fotógrafa que admiro muito. Fiz uma breve entrevista com ela para vocês conhecerem um pouco do trabalho dela e procurarem saber mais. Acho que vale ressaltar aqui que meu interesse é sair do mainstream e dar oportunidade para mulheres negras que estão fora da mídia um espaço de reconhecimento.

Vejam a seguir a entrevista que rolou:

Fale um pouco de você para quem não te conhece e não sabe o que você faz.
Me chamo Larissa Gomes, sou fotógrafa e bacharel em fotografia, formada em 2018. Participante da Residência Artística em Audiovisual Mulheres Negras Projetos de Mundo, e este ano passei a atuar no mercado também como videomaker. Meu olhar busca sempre registrar no cotidiano as particularidades da negritude, e meus últimos projetos tem como objetivo denunciar o racismo estrutural e exaltar a nossa beleza, buscando um resgate das nossas riquezas ancestrais.

Como é para você ser uma fotógrafa negra? Que tipo de problemas você enfrenta nesse meio?
Sinto muito prazer em ser uma mulher negra fotógrafa. Conseguir viver da fotografia, mesmo que de forma comercial, e não 100% artística. Mas ainda assim, usar minha arte para comunicar meus ideais. Os problemas desse meio é como os de outros, as pessoas duvidam do nosso trabalho e nos desvalidam o tempo inteiro. A arte, infelizmente, nem sempre chega para os nossos, então a gente encontra muito branco questionador, que nos trazem o incômodo de ter que nos reafirmar como artistas o tempo inteiro. Eu enfrento isso constantemente.

Qual projeto de fotográfico você mais gostou de fazer? E por quê?
O Solo, meu trabalho de conclusão de curso. Ele foi realizado a partir de uma pesquisa sobre a solidão da mulher negra, e foi um ano inteiro de estudos para chegar no resultado final. Esse projeto ainda não está disponível completo nas minhas redes pois quis inscrevê-lo em alguns editais que exigiam a não publicação. Fazer esse projeto foi muito doloroso, mas depois de pronto, percebi que foi um processo de cura. Hoje sou muito mais forte e menos vulnerável ao pensar e lidar com o racismo cotidiano. Ele retrata a estrutura racista que resulta na solidão, e abordo temas como a escravidão, a sexualização dos nossos corpos, o preterimento amoroso e profissional, a apropriação cultural…. e como esses pontos influenciam para caminharmos a uma solidão desde a infância, para muito além da questão matrimonial.
Inclusive, falo brevemente sobre este trabalho neste domingo (01/09) no Festival de Fotografia de Paranapiacaba, em um quadro chamado Foto Fala, às 10:30. O Festival começa na sexta (31) e vai até domingo. Além da minha presença, entre as outras atrações estarão presentes mais mulheres negras, a Victória Cirino que participou desse meu projeto fotográfico é uma delas, e ela ministrará uma oficina de fotometria para pele negra. Descolonizando os pensamentos!

Com que estilo de fotografia você se identifica atualmente?
Com a fotografia vernacular, cotidiana, que é mais compromissada com o espontâneo e as cenas comuns do dia a dia. Também gosto muito de fazer retratos.

Como você lida com a autoestima, nesse caso, no âmbito profissional?
A autoestima é uma montanha russa, né. Tem dias que me lembro de que já fiz muita coisa foda, que sou uma mulher forte mesmo que muito nova, e que gosto muito do que faço. Outros dias revejo meus trabalhos e penso que eles não são tão bons assim. Sei que grande parte desses pensamentos negativos vem do externo. Duvidam tanto da gente que tem hora que a gente dúvida também. É difícil, mas procuro sempre trabalhar um olhar direcionado a autoadmiração, a confiança. Sei que a cada dia eu melhoro nisso, em gostar e confiar no meu trabalho e potencial.

Quais são suas maiores inspirações/referências fotográficas?
Atualmente a minha maior referência é a Helen Salomão, sou apaixonada pelo trabalho dela. O Jeferson Delgado e a Caroline Lima também me inspiram muito. Três jovens negros e brasileiros, que têm representado muito na cena.

E o que você diria para as pretas que gostariam trabalhar com fotografia?
Acreditem! A fotografia vem de dentro, do olhar. A gente já nasce com a força dos nossos ancestrais, e isso está presente nos nossos trabalhos. Somos potência! Olhem as pretas em cena e se inspirem. Não deixem que te digam que você não pode. Vamos mostrar a eles que nós somos donas das nossas próprias histórias!

A Força da Mulher Negra
Fotografia: Larissa Gomes
Juntas
Fotografia: Larissa Gomes

Gostaram? Vocês podem conhecer mais do trabalho de Larissa no instagram (@larissgomes), e marcar presença no evento Festival de Fotografia de Paranapiacaba, onde ela irá apresentar o projeto Solo.

2 comentários

  1. Filha você é simplesmente maravilhosa!
    Estou aqui e sempre estarei ao seu lado, parabéns meu amor por suas palavras fortes de uma menina,/mulher negra com muito orgulho da mamãe!
    Eu te amo incondicionalmente♥️
    Você é meu orgulho!

    Curtido por 2 pessoas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: