Há palavras que celebram, acolhem e fazem lembrar. Outras denunciam o que não pode mais ser silenciado. No dia 12 de setembro, o Slam das Minas Bahia realiza a terceira batalha classificatória da temporada 2026, a partir das 15h, no Cine Teatro 2 de Julho, em Salvador, reunindo poesia falada, debate sobre violência de gênero e música. A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis pela plataforma Sympla.

A programação coloca no centro da roda uma pergunta urgente: por que mulheres seguem morrendo? A partir dela, o encontro propõe uma tarde de escuta, reflexão e expressão artística, com a batalha de poesia, o painel “Corpos em Risco: Por que mulheres seguem morrendo?” e apresentação da cantora, compositora e poeta indígena Beatriz Tuxá.
Na batalha, a palavra carrega histórias, territórios, denúncias e diferentes maneiras de existir. A cada rodada, as slammers apresentam suas próprias narrativas diante do público e fazem da poesia um espaço de confronto, memória, celebração e resistência.
A terceira classificatória dá continuidade à temporada iniciada em agosto. Em cada etapa, até dez slammers participam da disputa e são avaliadas por um júri formado pelo próprio público. Ao final, as três primeiras colocadas recebem premiação, enquanto a vencedora garante uma vaga na grande final do Slam das Minas Bahia.
Duas slammers já estão classificadas para a decisão: Amanda Rosa, vencedora da primeira batalha da temporada, realizada durante a Flipelô; e Duda Santana, que conquistou o primeiro lugar na segunda classificatória. A terceira etapa definirá mais um nome para a final, marcada para 31 de outubro, no Pátio Iyá Nassô, na Barroquinha.
Corpos em Risco
Ampliando a programação para além da disputa poética, o painel “Corpos em Risco: Por que mulheres seguem morrendo?” propõe uma conversa sobre as diferentes formas de violência de gênero e sobre como raça e classe atravessam os corpos mais expostos a essas violências.
Participam da conversa Amanda Oliveira, liderança jovem quilombola, ativista do movimento Quilomba e técnica em projetos de enfrentamento às violências contra mulheres negras no Odara – Instituto da Mulher Negra; e Transbordalice, travesti, pesquisadora, repórter, palestrante e criadora de conteúdo digital. Natural de Feira de Santana e residente em Cachoeira, ela cursa Jornalismo na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), onde desenvolve pesquisa sobre permanência quilombola na universidade.
A mediação será de Dayse Sacramento, graduada em Letras Vernáculas, pesquisadora, escritora, produtora cultural e professora do Instituto Federal da Bahia (IFBA), onde também coordena a Editora do IFBA. Doutoranda em Literatura e Cultura, pesquisa literatura de mulheres negras, escrevivências, pedagogias insubmissas e práticas culturais negras no Brasil. É também criadora do Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras, iniciativa voltada à valorização da produção intelectual, artística, literária e política de mulheres negras.
Ao aproximar experiências de mulheres negras, quilombolas e pessoas trans, o painel amplia a discussão sobre violência de gênero para refletir sobre quais corpos permanecem mais vulnerabilizados e sobre as estratégias construídas para enfrentar essas desigualdades. A conversa integra a proposta do Slam das Minas Bahia de fazer da batalha também um espaço de escuta, reflexão, formação e circulação de diferentes vozes.
Para Ludmila Singa, diretora executiva do Slam das Minas Bahia, levar a discussão para dentro do projeto também é uma forma de disputar as narrativas que naturalizam a violência contra as mulheres. “Não basta ensinar mulheres a reconhecer e combater a violência. A gente precisa ensinar homens a reconhecer, questionar e não reproduzir essa violência. E isso também é uma forma de prevenção”, afirma.
Ancestralidade, memória e território
A música também ocupa espaço na programação com a apresentação de Beatriz Tuxá, poeta, cantora e compositora do povo Tuxá Kiniopará, de Ibotirama, no Oeste da Bahia. Sua produção artística é atravessada por referências à identidade indígena, ao território e à espiritualidade.
Tuxá iniciou sua trajetória artística ainda na infância, participando de festivais e apresentações. Em 2026, lançou seu primeiro álbum, Moleira Fechada, marcado pela afirmação da identidade indígena e pela relação com território e espiritualidade. A presença da artista no Slam das Minas aproxima poesia, música e oralidade, reunindo diferentes formas de narrar experiências e afirmar identidades.
Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
SERVIÇO
O quê: 3ª Batalha Classificatória da Temporada 2026 do Slam das Minas Bahia
Quando: 12 de setembro de 2026
Horário: a partir das 15h
Onde: Cine Teatro 2 de Julho – Salvador (BA)
Painel: Corpos em Risco: Por que mulheres seguem morrendo?
Painelistas: Amanda Oliveira e Transbordalice
Mediação: Dayse Sacramento
Atração musical: Beatriz Tuxá
Entrada: gratuita, mediante retirada de ingresso pelo Sympla
Ingressos: https://www.sympla.com.br/evento/slam-das-minas-bahia-2026—3a-seletiva/3561542
Mais informações: @slamdasminasba






