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Jovens negros pernambucanos estão engajados na valorização da importância da identidade africana para o Brasil

Desde 1963, o Dia da África é celebrado em diversos lugares do mundo, principalmente por reafirmar a importância da luta pela independência do continente africano contra a colonização europeia e contra o regime do Apartheid. A data também reforça o compromisso do mundo com o continente africano, diante de séculos de usurpação de bens e exploração humana, e contribui na desmistificação
e valorização da identidade africana. Mas e o Brasil?

Integrantes do Mandume – Foto: Sandir Costa
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Apesar da implementação de algumas ações afirmativas importantes, o Brasil ainda possui sérias dificuldades em estabelecer diálogos sobre as influências africanas na formação da identidade brasileira, principalmente por conta do racismo estrutural presente na sociedade.

Comunidades tradicionais, organizações, pesquisadores, artistas, produtores culturais e parte da população negra lutam diariamente para fomentar reflexões sobre a importância do universo cultural africano, a partir da problematização das narrativas que frequentemente partem das perspectivas fetichizadas, estereotipadas e esvaziadas de reflexões sobre a importância da herança africana para territórios da diáspora.

Pensando nisso, 3 jovens negros de Pernambuco lançaram em janeiro de 2022 a publicação digital “Cultura material africana: primeiro catálogo do Acervo de Arte Africana do Museu da Abolição”. O objetivo da obra é permitir o acesso gratuito, integral e facilitado ao acervo de arte africana do Museu da Abolição (MAB), localizado no Recife.

O catálogo, que conta com a curadoria de Isabelle Ferreira, Sandir Costa e Wellington Silva, produtores culturais e idealizadores do Mandume Coletivo Cultural, busca ser um elemento de colaboração à tarefa de restituir imaginários sobre a importância da estética africana para o mundo, considerando África o berço da humanidade e dando, em especial, aos afro-pernambucanos e afro-brasileiros a possibilidade de conhecer um pouco o universo dessa grande matriz de formação
da identidade cultural brasileira a partir de um viés que não seja as memórias da escravidão e as mazelas do racismo.

“Esse material tem foco nas questões estéticas propositalmente, pois acreditamos que a visualidade é o ponto-chave para demonstrar o quanto povos africanos são sofisticados, desenvolvidos e se preocupam com noções de sustentabilidade, tecnologia e inovação”, afirma Wellington Silva.

Ao todo, são 107 peças oriundas de 12 nações africanas: Camarões, Costa do Marfim, Gabão, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Máli, Nigéria, República Democrática do Congo, Serra Leoa e Zimbábue. Peças que chegaram ao MAB em dezembro de 2016, graças a uma apreensão da Receita Federal.

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Graças à publicação do catálogo digital, o público poderá ter acesso a toda coleção de arte africana do MAB que, até o início de 2022, apenas 32 peças haviam sido expostas no museu. “O acervo de cultura material africana do MAB guarda aspectos marcantes de países e grupos étnicos de África, sobretudo formas de criar, cultuar e perceber o universo através de esculturas, máscaras e outros tipos de objetos”, destaca Isabelle Ferreira.

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Para quem se interessar, o catálogo pode ser baixado de forma gratuita no site da Editora UFPE. Essa é a primeira etapa de 3 projetos, idealizados pelo Mandume Coletivo Cultural, que envolvem o acervo de arte africana do MAB. Ainda este ano será lançada uma cartilha educativa sobre o uso do acervo e uma exposição virtual, novidades que serão anunciadas no perfil oficial do Mandume no Instagram:
@mandumecultural.

Serviço:
O que: Catálogo digital “Cultura material africana: primeiro catálogo do Acervo de
Arte Africana do Museu da Abolição”
Onde: Site da Editora UFPE (https://editora.ufpe.br/books/catalog/book/687)
Informações: @mandumecultural

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