A empresária e investidora Monique Evelle acaba de lançar um novo projeto que amplia sua narrativa pública. No podcast “Em Voz Alta”, disponível no Spotify, a comunicadora se afasta do discurso técnico que a consolidou no universo dos negócios para explorar vivências pessoais, sentimentos e reflexões que raramente vieram à tona em sua trajetória.
Com episódios publicados semanalmente, sempre às segundas-feiras, às 7h, o programa nasce como um espaço de escuta e partilha. A proposta é acompanhar o ritmo da própria vida da criadora, sem rigidez de formato ou cenário.

Ao refletir sobre nunca ter sido vista como “a favorita”, mas sempre como uma aposta, Monique aponta o impacto direto do racismo em sua formação. “O racismo me criou, né? O racismo criou Monique Evelyn. Porque é isso, como eu sempre fui a aposta e nunca fui a certeza, eu precisava ser dez vezes melhor mesmo. Então não tinha espaço pro erro”, afirma.

Esse processo levou a uma reconexão com desejos e interesses que vão além das expectativas sociais. “Eu tive que, pensando nessa jornada, né, de não ser a favorita e nunca ser a primeira, primeiro eu tive que ser dez vezes melhor, depois entender que eu não poderia de jeito nenhum viver mais pela demanda do racismo”, explica.

Anúncios

A percepção de não ser a escolha óbvia também atravessou sua carreira profissional. Monique Evelle relata situações em que seu trabalho foi subestimado antes de ser reconhecido. “Isso acontece com uma frequência, até hoje, acontece com uma frequência absurda”, afirma, ao comentar episódios em que clientes recorreram a outros caminhos antes de retornar ao seu trabalho.

Nesse contexto, ela ironiza a forma como passou a ser acionada em momentos de crise. “Deu merda? Aí eu chamo a Monique. Sendo que eu já avisei, você me contrata para não dar merda”, diz. A fala reforça a percepção de que sua expertise é frequentemente reconhecida apenas em situações limite.

Anúncios

Ao compartilhar experiências pessoais, Monique também busca desconstruir a ideia de que sucesso elimina vulnerabilidades. “Eu também tenho medos, tretas, traumas, dores, amores, vitórias, luzes, a mesma coisa”, diz. A intenção é evidenciar que existem múltiplas camadas de vivência, inclusive dentro de contextos de ascensão social.

De Under 30 a mulher mais poderosa do Brasil em 2026, segundo a Forbes, a trajetória da empresária ganha novas dimensões ao apostar na escuta e na vulnerabilidade como ferramentas de conexão. Em “Em Voz Alta”, o relato em primeira pessoa se torna central para ampliar o debate sobre experiências que, muitas vezes, permanecem invisibilizadas.


Descubra mais sobre Cultura Preta

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Anúncios