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Atriz Fernanda Dias estreia a peça ‘Meus Cabelos de Baobá’ e debate machismo e racismo: ‘Resistência pela força dos ancestrais’

Peça premiada fica em cartaz até maio.

Atriz, diretora, dançarina, pesquisadora, escritora e, acima de tudo, uma grande sonhadora. Fernanda Dias, de 45 anos, é carioca, moradora do Cachambi, subúrbio do Rio, e uma operária das artes. Com 25 anos de carreira dedicados ao teatro e ao áudio visual, o espetáculo ‘Meus Cabelos de Baobá’. A peça, em cartaz no Sesc Pinheiros, em São Paulo, até o dia 07 de maio, foi idealizada por ela, conta com direção de Vilma Melo, tem música ao vivo e traz para o palco a força da mulher negra e toda a sua ancestralidade.

Fernanda Dias Foto: Divulgação
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“A minha expectativa com a estreia da peça é a melhor possível. Estreamos em 2019 e fizemos um início de jornada bastante positivo. Infelizmente, fomos interrompidas pela pandemia da Covid-19, em 2020, e agora, com a situação mais amena, o espetáculo renasce como um respiro, trazendo temas que não podem ser ignorados”, explica a artista.

Na peça, premiada pelo FESTU e indicada ao Prêmio SHELL de melhor música, Fernanda interpreta a Rainha Dandaluanda. “Costumo dizer que ela é uma mulher negra como muitas outras. Na sua trajetória de vida, enfrentou diversos tentáculos em forma de machismo e racismo, no entanto, amparada pela força de suas ancestrais, se reinventa e torna-se semente para outras que depois dela virão. Dandaluanda é uma mulher que resiste, que luta, mas que também ama, sofre, sente tesão e anseia existir”

Para a atriz, a arte é uma poderosa ferramenta de mudança e geradora de novas oportunidades, principalmente para os mais vulneráveis. “Penso que a arte pode ofertar ao indivíduo outras possibilidades de ver o mundo. Além de ampliar seus conhecimentos, ela te coloca em contato com vários tipos de pessoas e esse movimento vai dando ao sujeito elementos que mostram como lidar com a sua própria subjetividade, com o outro e com o mundo que o cerca”.

Mas, ela não fecha os olhos para o fato de que muita coisa precisa mudar, ainda mais quando você é artista, mulher e negra. “Posso dizer que um dos grandes desafios é ser mais uma na multidão. Enquanto a seta da escolha não for apontada na minha direção, terei que continuar meu ofício, batendo cabeça nos editais de cultura, pedindo quase por favor para que as pessoas venham me assistir no teatro, me jogando em milhares de testes, fazendo de 3 a 4 self tapes por semana e acreditando que tudo vai dar certo. O problema é que, geralmente, as escalas giram em torno das mesmas pessoas e todos os dias surgem novos talentos, que nem chegam a ser descobertos. Para termos outro cenário, eu diria que seria necessário termos negros e negras ocupando espaços de poder, donos de emissoras e de empresas que patrocinam. Sem isso, essa mudança não será significativa”.

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Sem a menor vontade de parar, Fernanda já tem seus planos de trabalho definidos para os próximos meses. Ela vai dirigir o espetáculo ‘Manifesto Eleko’, no Teatro Carlos Gomes, em maio, e até novembro lança o livro ‘Meus Cabelos de Baobá – Por dentro da história’. E se vier mais alguma coisa, tudo bem, pois, para esta carioca, o céu é o limite. 

“Desejo que o teatro fique em evidência, pois ele é necessário e claro, quero alçar outros voos a partir dele. O terreno dos streaming está a todo vapor e eu quero fazer parte disso. Quero entrar para o mundo do cinema e das séries, pois eu sei que capacidade para isso, eu tenho. Sonho em viver da minha profissão e poder cada vez mais me dedicar a ela”. 

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