Entrevistas Musica

Rico Dalasam fala sobre novo álbum em entrevista exclusiva: “Que as pessoas tirem as musicas no violão”

"Dolores Dala, o Guardião do Alívio" foi lançado na ultima sexta (12).

O mais novo disco de Rico Dalasam esta entre nós, através da Altafonte, “Dolores Dala, o Guardião do Alívio” revisita suas emoções, seus afetos, vida e carreira. Lançado ontem (12), ele traz frases inteligentes e atuais. Rimas e sentimentos despejados de uma forma que só o cantor e compositor, precursor da importante cena rap queer do país sabe fazer. O campeão está voltando e trouxe consigo a dualidade que costura toda sua obra. Desta vez embasada no reino da fábula, retirando do mundo real ensinamentos dos últimos anos de vida.

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De certa forma, o álbum é um brinde à maturidade e à vitória de um cancelado. É a deusa música sendo sua própria justiça e comprovando que talento é o melhor remédio para que os grandes “não passem como Tik Tok”, nem muito menos “fodam com seu Tico e Teco”. Dala Boy segue sua empreitada inovando, impactando e valorizando suas lágrimas e as de quem ouve DDGA.

A primeira parte do disco foi lançada no ano passado, inundada de elogios por público e crítica. Na imprensa, encantou da turma da APCA à do Multishow. “Braille”, canção foco do EP feita em parceria com Dinho Souza, ganhou o Prêmio Multishow de Melhor Música 2020, e os olhos do público voltaram a enxergar o cara que surgiu em 2015 abalando as estruturas com o EP “Modo diverso”.

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O CP falou com Dalasam sobre o lançamento em entrevista exclusiva, confira:

Conte como foi este processo com DDGA que inicialmente chega como um EP e essa transformação em álbum?

Rico: “Pra gente entender precisamos voltar uns 3 anos 4 anos atrás, eu entrei em u momento de pratica de ausência, acho que todos os códigos que descreviam o que eu estava fazendo naquele instante eles já estavam sendo praticados por mim há algum tempo sem nenhuma ausência, sem nenhuma pausa, e eles já estava entrando no esgotamento, ai eu larguei e fui procura outra coisa, e procurar outra coisa leva tempo, nunca se sabe, é uma ousadia você procurar outra coisa quando se vive de algo já certo. Depois uns 2 anos sem lançar nada veio “Braile” e fez muito sentido pra mim e ai eu comecei a entender e elaborar essa historia e estou há 2 anos nessa campanha né, campanha que concebe hoje o Dolores Dala, o Guardião do Alívio tem 2 anos.”

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O álbum é muito profundo, principalmente no lado afetivo, você vê como necessário mais diálogos sobre a afetividade negra ?

 Rico: “Acho que enquanto sociedade sociedade brasileira, enquanto território brasileiro, pouco se sabe, se pensa e se aceita inclusive sobre afetividade, os afetos, enfim, a subjetividade emocional de pessoas pretas, isso e muito nítido. Ao menos se acredita e se confia que um corpo preto ele é digno e capaz de dar e receber afeto, isso e sempre colocado em questão, é trocado, e duvidado pelo imaginário de que é só um corpo, enfim, desdobrar isso acho que é fundamental, é outro jeito, é outro lugar de luta.”

Foto: Larissa Zaidan

Qual sua expectativa para o lançamento, ainda mais com a ótima impressão deixada pelo EP?

Rico: “Cara a expectativa e que as pessoas tirem as musicas no violão, toquem nas suas casas, quando abrir de volta o bar, que ela toque no bar, que a musica popularize pela base, que os grupo de pagode cante, a expectativa e essa, a minha expectativa ela tá sempre nesse lugar de impermear as bases, isso pra mim é um grande triunfo.”

Foto: Larissa Zaidan

O lançamento chega no início do ano, e apesar da pandemia, como está sendo produzir neste período e se pretende lançar mais trabalhos no ano de 2021?

Rico: “Eu não tenho ansiedade, e o contra tempo e o contra fluxo ele me favorece, não sei se e maldição o que que é, mas ele me favorece, falo isso porque sou de fronteira, meu mapa astral é uma fronteira, minha vida é uma fronteira, estou sempre cercado de dualidades, sou extremamente dividido, então o certo e o instável ele não me assusta exatamente, mas sem duvidas posso levar mais 6 anos para contar outra historia, é muito mais sobre poema do que a relação com a indústria”

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Produzido por Mahal Pita, Dinho Souza, Rafa Dias, Pedrowl ,Moisés Guimarães, Netto Galdino e Wallace Chibatinha, DDGA descende e reproduz África. “Envolve o afeto preto e como ele se desdobra dentro de um território onde a história proporciona desde seu princípio um lugar de preterido. Não se sabe, são se pensa, não se espera e não se conta que a gente é feito de extrema humanidade quanto aos afetos e isso demanda uma série de conflitos e questões”, alerta Rico.

O disco já está disponível em varias plataformas digitais.

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