Semana da visibilidade trans: 2 trans com cargos políticos sofrem violência e a data se mostra ainda mais importante

Em 29 de Janeiro de 2004, 27 travestis, mulheres transexuais e homens trans entraram no Congresso Nacional em Brasília para lançar a campanha “Travesti e Respeito”, do Departamento de DST, AIDS, e Hepatite do Ministério da Saúde. Foi a primeira campanha feita pelas próprias trans para a promover a cidadania e segurança. A data foi oficializada pelo Ministério da Saúde como o Dia Nacional da Visibilidade Trans.

O Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo. E, segundo a ANTRA (Agência Nacional de Travestis e Transexuais), durante a pandemia foram mapeados pelo menos 175 assassinatos, todos contra travestis e mulheres trans. Na semana da visibilidade trans brasileira a covereadora travesti intersexo, primeira da cidade de São Paulo, Carolina Iara de Oliveira (PSOL), sofreu um ataque à sua residência, que foi alvejada com tiros. No mesmo dia (26), a vereadora trans Erika Hilton sofreu uma perseguição dentro da própria Câmara dos Vereadores. Ambas fizeram denúncias aos órgãos públicos. A expectativa de vida de uma mulher trans/ travesti é de 39 anos, a maioria é expulsa de casa e acabam saindo da escola.

Na terça, 26, foram disparados dois tiros em direção à casa da covereadora Carolina Iara Foto: Divulgação/PSOL
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Vindo na contramão dessas notícias alarmantes contra a vida e profissão das duas trans que atuam na política vem o dado do aumento das contratações da população trans em diversos segmentos, de beleza a educação, como é o caso da rede de franquias Minds Idiomas.

Mesmo o ano de 2021 sendo marcado por iniciativas das empresas em multiplicar a diversidade em suas contratações, a população trans é ainda a que tem menos oportunidades. Para Yanna Rhamissy, professora trans da do Centro de Formação de Inglês, Minds English School: “Há muito discurso e pouca prática. Principalmente quando falamos de educação, ou seja uma pessoa trans ser reconhecida e capaz de transmitir conhecimento”. Yanna e outros professores e professoras trans foram contratados pela rede Minds Idiomas em 2020 e 2021 que tem mais de 70 escolas em todo o Brasil.

Yanna Rhamissy, professora de inglês da Minds Idiomas, passou por muito preconceito e as escolas não queriam a contratar porque alegavam que ela poderia influenciar os estudantes a serem gays Foto: Reprodução

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“A violência vem acompanhada da desinformação, da falta de empatia. Como uma rede de educação temos o dever de passar aos alunos, funcionários e parceiros informações da diversidade e mais do que isso empregar e incluir pessoas de todo o país e com diversas opções sexuais, religiosas e gênero. Com respeito, sempre”, evidencia Augusto Jimenez, Diretor e psicólogo educacional da rede.

“Muitos gestores de escolas chegaram a afirmar que eu poderia influenciar os filhos a serem gays. A gente não escolhe ser trans. Nós nascemos trans. Foi uma época bem difícil, pois queria exercer a minha profissão como professora mas só conseguir subempregos” , relembra Yanna, professora da Minds English School de São Luis do Maranhão.

A Minds Idiomas contratou Yanna e apoiou a sua decisão de ser quem ela queria ser. Maquiagens foram liberadas e o crachá da empresa foi emitido com o nome social. Em 2020, ela conseguiu retificar também a sua certidão de nascimento e outros documentos. Yanna, assim como Erika Hilton e Carolina Iara, saíram da triste estatística de morte prematura e lutam para que cada vez mais a trasexualidade seja livre e acessivel, dando oportunidades iguais aos cidadãos cisgêneros (quem se identifica com o sexo designado ao nascer).

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