Entrevistas Mulheres Pretas que Inspiram

Conheça a GRIOT, nova agencia com foco em artistas negros de Cristhiane Faria

A assessoria tem como propósito perpetuar histórias de artistas, eventos e criadores de conteúdo para a mídia e na internet.

Na ultima segunda (16), chegou ao mercado uma agência de Relações Públicas com foco em assessorar artistas, eventos e criadores de conteúdo negros. A partir de um resgate ancestral, a GRIOT Assessoria propõem perpetuar por meio da oralidade as histórias do povo preto por meio das mídias convencional e alternativa, e na internet, fundada por Cristhiane Faria que é comunicadora social e iniciou sua trajetória no meio cultural e de influência digital em 2018, como Relações Públicas do selo musical MGoma, dirigido pelo MC e produtor musical Rincon Sapiência. Atualmente, tem em seu casting a cantora Indy Naíse, que já trabalhou com o próprio Rincon, além de Emicida, Fióti e IZA.

Cristhiane Faria Foto: Mega Talents
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O nome GRIOT é uma menção aos contadores de histórias e perpetuadores da cultura africana, responsáveis por transmitir de forma oral todas as tradições, mitos, ritos e canções ao longo das gerações. Países como Mauritânia, Guiné, Moçambique, Congo e Mali, possuem essa tradição. Estes griots na contemporaneidade, são comunicadores, escritores, poetas, artistas, terapeutas holísticas, filósofas, entre outros, que mantém vivos o legado das filosofia e cultura africanas no continente de origem e pela diáspora.

O CP entrevistou Cristhiane e ela falou um sobre a criação da Griot:

1 .Quando e como surgiu a ideia da Griot?

A concretização da ideia surgiu em outubro, porém a idealização vem ocorrendo desde o início do ano quando eu ainda estava no MGoma, selo musical dirigido pelo MC e produtor musical Rincon Sapiência. Eu tinha acabado de terminar a faculdade de Relações Públicas, depois de 10 anos de ter concluído o ensino médio. Demorei porque a princípio não sabia que curso queria, primeiro era Jornalismo, depois Farmácia-Bioquímica (que cheguei a fazer por 1,5 ano), Gestão Ambiental, até chegar em Relações Públicas. E daí entre anos de cursinho para ingressar numa universidade pública, que era o meu sonho, entrei duas vezes na UNESP e acabei me formando ano passado na FIAM FAAM. Conto tudo isso para dizer que nada é do nada e que a trajetória de nós pretos nunca é tranquila e linear. Quando estava fazendo Relações Públicas na UNESP Bauru em 2014, fui Embaixadora de um programa de fomento ao empreendedorismo para jovens universitários. Essa com certeza foi a primeira semente plantada para a criação da GRIOT. No final de 2018, participei de um workshop da rede Negras Plurais, e aí que a semente foi sendo novamente regada, já que ali pude realmente me enxergar naquelas mulheres, negras e empreendedoras. Fora isso, tenho experiência de seis anos revendendo cosméticos. A princípio eu não entendi essa gestão de negócios como empreendedorismo, mas tudo o que me desenvolvi na venda direta, atendimento ao cliente, finanças, cobrança, etc, hoje contribuem para este momento com a GRIOT. No início deste ano eu imaginava que com mais tempo livre sem a faculdade, eu conseguiria começar a assessorar mais artistas além do Rincon. E a oferecer o serviço de gestão de redes sociais, além de assessoria de imprensa. Mas estava tudo no papel apenas. Até que veio a pandemia, fiquei desempregada em maio e em junho artistas e eventos pretos começaram a me procurar. Eu estava no meio de diversos processos seletivos para voltar ao mundo corporativo, da onde vim antes de começar a trabalhar com o Rincon. Fiquei com medo de continuar trabalhando como autônoma, já que fui pela primeira vez, em 11 anos, demitida, e em meio a uma pandemia. Tentei me adaptar ao ambiente das agências, mas não consegui. Mesmo com várias propostas de voltar a trabalhar como CLT eu surtei, colapsei, entrei numa depressão profunda e não conseguia mais decidir nem que horas eu queria comer.

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E foi aí que o processo em que eu estava de resgate ancestral começou a se elucidar e tomar forma dentro de mim. Eu já havia iniciado um trabalho no formato de permuta com a cantora Indy Naíse no início do ano, e estava no coletivo Influência Negra como Assessora de Imprensa. Até que em setembro, a equipe da Academia Dancehall me convidou a divulgar um evento internacional para o público feminino da cena. Este foi o único trabalho que fez sentido para mim naquele momento de caos interno, porque já sou aluna da academia e eles me deram muito suporte psicológico para conseguir conduzir a divulgação. E aí tudo começou a fazer sentido de um modo geral, eu estava estudando filosofia africana, principalmente a kemética (do Antigo Egito) e yorubá, eu já me reconhecia internamente quanto griot, por além de Comunicadora, ser poeta e taróloga. Então,decidi tomar coragem de dizer sim a todas as propostas de artistas e eventos que estavam surgindo, e dar esse pontapé inicial na criação da agência. Todos esse processo tem sido fundamental no para o meu desenvolvimento pessoal, de autoconhecimento, de resgate ancestral e de autocuidado.

Cristhiane Faria Foto: Mega Talents

2. Como você vê o cenário de pandemia dentro da agência, até que ponto ela atrapalhar a agência em seu crescimento?

É estranho dizer isso, mas a verdade é que a pandemia foi benéfica para a agência. Afinal, sem o isolamento social e o cancelamento dos eventos presenciais, eu ainda estaria trabalhando com o Rincon, e de certa forma acomodada por ter um emprego fixo. A GRIOT surge do caos, interno e externo, ocasionado pela pandemia. Atualmente, com todas as adaptações na cena artística e cultural, com gravações de videoclipes mediante testes de COVID-19, LIVEs musicais, entrevistas remotas, shows híbridos, etc, cada vez mais tenho sido abordada por novos artistas e produtores culturais buscando os serviços de Comunicação da GRIOT.

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3. Qual sua expectativa para a área em 2021 com o retorno de eventos e apresentações

Olha, eu honestamente não tenho feito planos com base no retorno da “normalidade”. Eu entendo que muito do que tem acontecido hoje, tenderá a continuar mesmo após a liberação da vacina. Isso porque tivemos adaptações que permitiram com que artistas e eventos que antes tinham alcance somente local ou regional, agora tenham alcance nacional. Pessoas que não gostavam ou não podiam com aglomerações, e agora podem ter acesso a eventos do sofá da sua casa. E eu honestamente falando, gosto do formato de entrevistas remotas (risos). Então não tenho expectativas em relação à isso. Mas tenho em mente de que se tudo voltar ao formato presencial a equipe da GRIOT precisará aumentar, já que não terei condições de me dividir tanto quanto como consigo fazer hoje do meu home office.

Além de artistas, a GRIOT também atende as plataformas artísticas e culturais Academia Dancehall e Academia do Funk; a plataforma de conteúdo Influência Negra e a plataforma de saúde holística africana Kiumbe.ixi. Entre outubro e dezembro de 2020, a agência faz as gestão de redes sociais do Festival Periferia Preta e a assessoria de imprensa do Encontro das Pretas. E para o mês de novembro, realiza o lançamento de singles dos artistas em início de carreira, Gabriellê, e do multiartista Leonardo Alan.

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