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Falar sobre o racismo é preciso, combatê-lo é bem mais. E respeitar a Glória Maria também.

“quaisquer que sejam ás rubricas utilizadas ou as novas fórmulas introduzidas, a descolonização é sempre um fenômeno violento”. Frantz Fanon

Mais você só fala sobre racismo? Não, não falo só sobre o racismo como, por exemplo, pessoas que só falam sobre o futebol ficam falando só sobre o mundo futebolístico e nada mais o dia inteiro. Para ser sincero, preferiria dedicar meu tempo e energia, para abordar outros assuntos que não me fosse tão tóxicos, como o racismo acaba me sendo. E quem me dera se eu tivesse o privilégio de viver e só falar do mundo futebolístico em vez de falar e debater sobre o racismo, mas como não existe processo de desracialização sem combater e enfrentar o racismo de frente, não falar sobre o racismo diariamente acaba sendo mais um privilégio branco que não tenho e que também não quero. Pois falar sobre racismo é preciso e combater-lo é bem mais, pois a história do povo preto tem que parar de ser escrita com sangue negro e com essa diáspora racista que o povo preto vem passando nas mãos dos brancos nesse processo de desracialização e descolonização do Brasil. E para tirarmos o nosso destino das mãos daqueles que acreditam que as vidas dos pretos valem menos que a vida dos brancos; temos que ser agentes políticos com consciência negra ativa, não agentes políticos violentos lutando contra a violência racista da mesma maneira como o racismo é violento contra o povo preto, mas consciente a respeito da violência desse processo descolonização e desracialização, pois como Frantz Fanon demonstra em seu livro Os condenados da terra, que esse processo de descolonização e desracialização só irão ocorrer de forma violenta, uma vez que segundo ele “quaisquer que sejam ás rubricas utilizadas ou as novas fórmulas introduzidas, a descolonização é sempre um fenômeno violento”. Ou seja: não existem águas calmas e nem paz ao combatermos o racismo. E mais, quem tem o luxo e o privilégio de não ter a obrigação de debater, ou de combater o racismo todos os dias são os brancos, que não sofrem e que não são oprimidos diariamente pelo racismo e que não são assassinados pelo ódio racista como os negros são todos os dias em nosso país. Sendo que por outro lado, os privilégios desses brancos são sustentados por esse racismo estrutural construído dentro do processo de colonização. E lutar contra esse racismo é uma pratica necessária para desmantelar esse racismo estrutural que é algo que permeia toda a sociedade, pois sabemos que a branquitude não enxerga o racismo, pois faz parte do privilégio deles não sentirem o racismo que os mesmos provocam contra os negros. Então não falo sobre o racismo todos os dias por que eu gosto, mas porque devemos e é preciso conscientizar que o racismo é um crime e mata, além de ser responsável pelo genocídio dos negros por todo o Brasil e em toda a parte do mundo. É necessário falarmos sobre o racismo todos os dias até alcançarmos o privilégio da branquitude sentir mais que vergonha, ou medo em praticar o racismo, mas nojo de si mesmo por serem tão escrotos em se sentirem superiores só por causa da cor da pele branca deles. É importante falarmos, debatermos sobre o racismo todos os dias, até mesmo pelo fato da maioria dos negros brasileiro não terem a consciência que sofrem racismo diariamente em cada canto possível desse país. Sendo que muito das vezes esse racismo infelizmente ocorrer no leito da nossa própria família, dentro da nossa própria residência, assim como no meio dos nossos “melhores amigos” e principalmente em nosso ambiente de trabalho, por isso que conscientizar sobre o que é o racismo e como ele mata é mais necessário que comemora gol do seu time de futebol. Ainda mais que é a violência do próprio racismo que obriga o negro a ter que debater sobre o racismo e lutar contra a opressão racista que lhe oprimi diariamente para sua própria sobrevivência.

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Já o que não podemos mais aceitar é que os crimes de racismo passem impune como eles vêm passando, pois mesmo com as repercussões que os casos denunciados vêm tomando, isso não garante que os racistas estão sendo punidos devidamente, ou muito menos se esses racistas estão deixando de praticar racismo por causa de uma exposição, ou uma simples punição. E ainda temos que nos lembrar dos casos que se quer são denunciados, assim como os casos que a vítima continua sofrendo racismo sem saber que esta sofrendo racismo e sem saber se defender dos ataques racistas que sofre. Ou seja, é preciso desconstruir a supremacia dos valores da branquitude se quisermos falar de equidade racial em nosso país, pois equidade racial não existe e nunca existiu aqui na terra dos Tupiniquins. Assim sendo, conscientizar diariamente sobre a necessidade da consciência negra em nosso país é preciso, principalmente para a sobrevivência e resistência dos negros e pela a nossa descolonização cultural do eurocentrismo. Por essa razão, a discussão sobre racismo se faz necessária em nosso dia a dia, pois o nosso processo de desracialização passa por esse movimento de descolonização que não é uma desconstrução pacífica. Pelo contrário, esse processo de descolonização é um processo super violento e cansativo. Pois essa desracialização, assim como a descolonização, tem uma violência tão intensa quanto foi à violência usada para a formação desse racismo estrutural que sustenta essa supremacia dos valores fascistas e racistas em nossa sociedade. E ainda seguindo com a citação de Frantz Fanon, vejamos como ele define sobre esse processo de descolonização e o porquê que desse processo ser tão violento na visão do filósofo caribenho:

“a descolonização é simplesmente a substituição de uma “espécie” de homens por outra “espécie” de homens. Sem transição, há substituição total. Completa, absoluta. Sem dúvida poder-se ia igualmente mostrar o aparecimento de uma nova nação, a instalação de um novo Estado, suas relações diplomáticas, sua orientação política, econômica. Mas nós preferimos falar precisamente desse tipo de tábula rasa que caracteriza de saída toda descolonização.”

Fanon

Como podemos ver na explicação de Fanon, o processo de descolonização é simplesmente um processo violento por si mesmo, não existe forma e nem relação diplomáticas possíveis que possibilite um processo de descolonização de maneira não violenta. É como Fanon pontuou, não existe meia boca, é uma substituição total de um Estado por outro. Pois a desracialização e descolonização é uma construção de um processo histórico, a descolonização não advém de uma simples convenção da ONU, pois o que ocorre é uma troca de uma cultura por outra e sem apertos de mão.

Por tanto a descolonização tem como objetivo substituir a cultura dominante e opressora, por uma cultura nova, pela cultura que está sendo colonizada pela cultura elitista do eurocentrismo. E a desracialização passa por essa descolonização que é um movimento de ruptura e de criação de uma nova linguagem, assim como formação de uma nova humanidade, logo uma nova civilização. Por isso, que falar e debater sobre o racismo no Brasil acaba sendo uma atuação política importante e uma práxis necessária para alcançarmos a superação do racismo. E é necessário não só recontar a história brasileira, sobre a história da colonização eurocêntrica, é preciso construir o processo e história da descolonização como superação desse racismo. E essa desracialização advém da metaconsciência do povo preto de si mesmo através da descolonização, do aquilombamento, do afrocentrismo, da aceitação da consciência negra por parte da branquitude e até mesmo da própria negritude. Portanto não devemos deixar ninguém nos dizer que o racismo não exista em nossa sociedade e que os negros que queixam do racismo todos os dias são vitimistas. Pois questionar e combater o racismo diariamente, é um fator crucial até para sabermos que nem todo mundo é racistas. E combater e falar sobre o racismo não tem nada haver de ser uma ação politicamente correta ou não, mas por outro lado, é uma práxis necessária para não admitirmos o discurso que não existe racismo estrutural que privilegia os brancos perante aos negros em nossa sociedade. Então combater o racismo não é uma “cultura do nada pode”, pois o que não pode é a cultura de não combater ou normalizar o racismo, contudo a Glória Maria tem sim todo direito de falar que é chato hoje tudo ser apontado como racismo. Até mesmo porque ela está certíssima em afirma que é chato o racismo aparecer em tudo que é debate em no nosso dia a dia pelo fato do racismo nem ter que existir. Só quem é preto sabe o quanto falar e só debater sobre o racismo diariamente é tóxico para nós negros, além de ser uma diáspora e um porre. E ela como uma mulher negra emancipada tem todo o direito de falar por si que não aguenta mais falar sobre o racismo e que está cansada dessa “cultura do nada pode”, até mesmo por todo o racismo que ela já sofreu e combateu na vida, mas claro que também que a fala dela não representa toda a luta do povo negro contra o racismo. E o que é uma fala e um desabafo da Glória Maria por tudo o que ela já fez e faz contra o racismo. E no mais, a Glória Maria só é uma das maiores jornalista que o nosso país já teve, além de ser uma mulher negra que ocupa uma posição de destaque na TV brasileira, ela é um símbolo de vitória para os negros e por tanto, uma representatividade nessa luta contra o racismo. E quem debate e combate o racismo diariamente, sabe que não pode cair nessa armadilha da branquitude, de fazer da Glória Maria um alvo e uma arma contra a luta antirracista, dentro desse processo de descolonização e desracialização que enfrentamos. Pois já vimos que a descolonização é um processo violento, esse desabafo da Glória Maria faz parte desse choque violento que é combater ao racismo. E não cabem críticas a Glória Maria além de entendimento e respeito, até mesmo pelo motivo que mesmo que tenha sido só um desabafo da Glória Maria, a fala dela como uma pessoa negra no espaço que tem dominação da linguagem e cultura branca, não tem que ser vista como um espanto e muito menos como um tabu a ser quebrado. Pois ela está dentro de um ambiente que a linguagem da branquitude é dominante e opressora.

 E novamente invocando o filósofo Frantz Fanon para nos dar embasamento teórico para entendermos como a fala da Glória Maria não é nada de espantoso ou incomum dentro desse sistema de dominação racista, o filósofo caribenho no seu maravilhoso livro Pele negra mascaras brancas, faz uma análise clínica, um “sócio-diagnósticos” de como o negro antilhano se comporta na maioria das vezes diante dos negros, diante dos seus iguais e diante dos brancos ao falar o francês, ao adquirir a linguagem da cultura dominante. E essa análise clínica do Fanon nos permite entender em qual posição a Glória Maria se encontra ao lado dos brancos no debate sobre o racismo no Brasil, então vamos a mais uma citação de Fonon:

“Falar uma língua é assumir um mundo, uma cultura. O antilhano que quer ser branco o será tanto mais na medida em que tiver assumido o instrumento cultural que é a linguagem. Lembro-me, há pouco mais de um ano, em Lyon, após uma conferência onde eu havia traçado um paralelo entre a poesia negra e a poesia européia, de um amigo francês me dizendo calorosamente: “No fundo você é um branco”. O fato de ter estudado um problema tão interessante através da língua do branco me atribuía o direito de cidadania.

Historicamente é preciso compreender que o negro quer falar o francês porque é a chave susceptível de abrir as portas que, há apenas cinqüenta anos, ainda lhes eram interditadas. Encontramos nos antilhanos que se enquadram na nossa descrição uma procura de sutilezas, de raridades de linguagem — outros tantos meios de provar a eles próprios que se ajustam à cultura dominante.”

Fanon
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O que Fanon quer nos dizer é que o negro antilhano acredita que será mais branco, no momento que adotar a língua francesa, a partir do momento que o colonizado alcançar a linguagem da cultura dominante, ele acredita que vai se igualar ao branco e, portanto, ele pensa que vai conquistar aceitação do branco a partir disso. Pois é através dessa “porta” que o negro tenta se encaixar dentro dos valores da branquitude racista eurocêntrica quando ele escolhe não rejeitar a cultura dominante perante a sua própria cultura. Ou seja, o negro antilhano quer falar a língua francesa em vez do o crioulo antilhano para poder se ajustar à cultura dominante e se livrar das garras do racismo que o cerca. Mas ocorre que mal o oprimido consegue escapar de toda opressão do opressor que lhe oprime por essa tangente, é comum ele passa da condição de oprimido para a condição de opressor. Pois seguindo ainda a explicitação do Fanon sobre esse conflito do negro não conseguir se aceitar como negro, por causa dos valores racistas da branquitude e inclusive entrando em conflitos com os próprios negros, por querer se ajustar à cultura dominante não é um canal seguro para o negro se livrar da diáspora africana. E o que Fanon nos aponta é que “Sendo o nosso propósito a desalienação dos negros, gostaríamos que eles sentissem que, toda vez que há incompreensão entre eles diante do branco, há ausência de discernimento.” Há então uma falta de consciência negra permanente que possa seguir esse nosso propósito de desalienação dos negros sem haver essa ausência de discernimento e nem incompreensão dos negros diante dos brancos e principalmente de si mesmo. Pois como vimos, o processo de desracialização passa pelo processo de descolonização e esses processos são violentos. Uma vez que objetivo da descolonização é trocar uma cultura por outra, aniquilação total de um Estado por outro sem passar por diplomacias.

Tendo entendido que uma vez que a tentativa de superação do racismo que passa pela condição do negro aceitar os valores da branquitude, para se livrar das garras do racismo, é uma falácia. Uma vez que para aceitar os valores da branquitude, o negro tem que rejeitar e passar aniquilar os valores da sua própria negritude, assim como normalizar ou banalizar a discussão do racismo como se ele negro fosse um branco. Passando a ignorar o racismo como se ele não existisse, ou pior: que esse racismo não lhe incomoda é uma autodestruição de si através do racismo. Pela razão de que essa falácia é uma estrutura do racismo estrutural, o negro tem que tomar o lado oposto dessa falácia se ele quer alcançar uma emancipação das garras desses valores da branquitude e práxis necessária é exatamente falar e combater o racismo a todo o momento. Pois sabemos que não é para o negro uma emancipação de verdade dos valores da cultura dominante, essa tentativa de se livrar do racismo através dessa “porta” que é aceitar a linguagem e os valores culturais da branquitude aniquilando a própria cultura, para atender os caprichos da branquitude. O negro só por ser obrigado a passar por isso, já está sofrendo com todo racismo velado em torno dele. Ou seja, não existe outra forma de enfrentar e superar o racismo que não a de enfrentar ele de frente e combatê-lo com intenção de aniquilar esse racismo que permeia a sociedade.  

E no discurso da Glória Maria ela demonstra o quanto falar sobre o racismo para ela há todo momento é cansativo, pois como bem vimos essa práxis é uma ação violenta como foi bem pontuado por Fanon. E é cansativo para Glória ter que lhe dar com os debates antirracista pelo fato que no tempo que ela foi para TV em uma época que quase ninguém falava sobre o racismo o tempo todo. E era uma época que os negros estavam amordaçados pelo racismo estrutural e eram praticamente obrigados a se calarem diante do assédio, do racismo e tratar o racismo, tanto quanto o assédio como se eles não existissem para conseguirem ajustarem à cultura dominante. Sendo que o que cansa a Glória Maria é exatamente ser exposta a esses tipos de debates racistas, uma vez que ela teve que enfrentar o racismo na maioria das vezes calada e de cabeça bem erguida como uma grande guerreira batalhadora que ela é. Mas como podemos compreender que mesmo ela em um lugar de destaque e ter dominando não só os espaços da branquitude, mas sendo uma própria influência para o pensamento e linguagem da cultura dominante. A Glória Maria não consegue se sentir em paz e confortada no seu próprio ambiente de trabalho por causa do combate ao racismo que tem que ser sempre quando ele ocorre. E pior, quando ela tenta desabafa que não aguenta mais as ordens de discurso, o que é normal a qualquer ser humano com esgotamento mental. Ela passa por várias exposições racistas, principalmente por parte da extrema direita que está usando a fala dela para banalizar e normalizar a luta contra o racismo. Não caiam nessa armadilha, pois a Glória Maria merece muito respeito e se ela vez uma queixa, tem o direito de ser ouvida. O que não podemos é entrar em desacordo entre nós mesmo perante a nossa luta contra o racismo pelo fato da Glória Maria permear uma opinião e um desabafo que contradiz a sua própria história e etnia. Ainda mais que sabemos que meio o corporativista que ela trabalha e atua é dominado por uma linguagem racista e machista opressora da branquitude. E o que podemos tirar de lição dessa história é que combater e falar sobre o racismo diariamente é uma práxis necessária para alcançarmos a consciência negra, pois situações como a vivida pela Glória Maria, é uma situação infelizmente muito comum que permeia por toda a nossa sociedade brasileira. Onde os negros são obrigados a se calarem diante do racismo para terem no mínimo uma oportunidade de emprego. Pois por mais que as mordaças que impedem que falemos sobre o racismo diariamente estejam caindo por causa da luta incessante do povo negro contra o racismo, contra a diáspora negra. A queda dessas mordaças somente não é o bastante para termos uma desalienação dos negros, ou muito menos uma desracialização. Pois a descolonização é um processo violento, assim como não basta somente o negro aprender a linguagem do branco para alcançar uma equidade perante a branquitude, pois isso nunca vai acontecer dessa maneira diplomática pelo fato do negro ser a base dos privilégios dessa branquitude eurocêntrica. E o que vimos do Fanon que podemos tirar de aproveito com o desabafo da Glória Maria é que não é o bastante aprender a linguagem do colonizador se o colonizado não estiver disposto a aprender a própria linguagem do crioulo e necessidade da emancipação da negritude da mão da branquitude, em vez de querer se igualar aos valores da branquitude. Pois sua emancipação nunca será por completar por essa “porta”, pelo fato desse caminho ser construído pelo racismo estrutural para manter os negros presos aos valores da branquitude e muitas das vezes entrando em choque contra os próprios negros. Então não critiquem a Glória Maria, respeitem esse momento de paz que ela deseja tentando se isolar dessa guerra antirracista que sabemos que é tóxica e que os únicos que sofrem com ela sãos negros. Mas continuemos a combater e falar sobre o racismo diariamente exatamente pelo fato desse ser o único caminho seguro para a verdadeira desracialização descolonização. 


Por Mauro Aniceto

Bibliografia:

FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2005.
Fanon, Frantz. Pele negra, máscaras brancas / Frantz Fanon ; tradução de Renato da

Silveira . – Salvador : EDUFBA, 2008.

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