cinema

Queen Sono, uma espiã da África

Já imaginou assistir uma série de ação e espionagem protagonizado por uma mulher negra e se passando na África? Queen Sono, lhe oferece isso.

Já imaginou assistir uma série de ação e espionagem protagonizado por uma mulher negra e se passando na África? A primeira série africana da Netflix, Queen Sono, lhe oferece isso. Criada pelo comediante, ator e diretor sul-africano Kagiso Lediga, a série traz a seguinte sinopse: A espiã sul-africana Queen Sono entra em uma nefasta rede de negócios e política enquanto tenta descobrir a verdade por trás da morte de sua mãe.

Estamos acostumados a ver produções de agencias secretas de espionagem no viés estadunidense ou britânico, Queen Sono pega todos os códigos desse estilo e trás para a África. Uma protagonista ‘badass’, complexa e carismática; cenas de ação e perseguição bem elaboradas; mocinhos, vilões e personagens que ficam no meio termo; suspeitas de traição; momentos de ação, drama e comédia balanceando a trama; etc. Esses são, entre outros, elementos gerais do gênero que a série traz. Dentro disso, a produção não inova muito, ela segue honestamente os passos da construção de uma trama de espionagem. Mas se Queen Sono segue os clichês para construção de uma série de espionagem, porque ela precisa ser vista?

Como já dito antes, estamos acostumados a ver histórias de espionagem se passarem nos Estados Unidos ou na Europa (principalmente Reino Unido), só de levar essas histórias para a África sendo feita e protagonizada por africanos, Queen Sono já merece um lugar de honra, mas a série vai além disso. A série nos tira a visão eurocêntrica de que o continente africano é uma unidade, nos mostrando conflitos internos dentro do continente, e até mesmo dentro da África do Sul, país onde se passa a produção. Além dos confrontos internos, a série destaca a discussão da entrada de poderosos europeus na África, que através de suas empresas querem dominar os países abrindo uma discussão de neocolonialismo. É através desse último ponto que chegamos a vilã principal da série, que tem uma breve construção, porém concisa e o suficiente para entendermos suas motivações.

A outra trama principal da série, que se encontra com o núcleo principal, mostra um lado da vida pessoal da protagonista, a Queen Sono. É aqui que a série nos traz a lições mais pessoais, ela trabalha sobre luto, relações interpessoais, cuidado psicológico e militância. São também nesses momentos de drama que a atuação de Pearl Thusi mais se destaca, trazendo uma protagonista com camadas, nos fazendo rir ou chorar nos momentos certos. A série também se aprofunda em outros personagens, como Fred, o parceiro de equipe da Queen, ou Shandu, um dos personagens mais importantes para a trama, perfeitamente interpretado por Vuyo Dabula.

Queen Sono não é uma série perfeita, demora para engatar, mas quando engata fica digna de uma maratona, são apenas 6 episódios com média de 40 minutos. A série peca na quantidade de tramas que joga para o espectador, que alguma acabam sendo esquecidas do decorrer da série. A série usa o mínimo de efeitos especiais, mas isso não diminui em nada a sua qualidade, a fotografia e montagem usa de artifícios para quem fiquem implícitos acontecimentos que precisariam de efeitos aconteçam fora de quadro. Mesmo assim, elas podem ser retomadas em uma possível segunda temporada, já que o primeira temporada deixa um ótima gancho. Queen Sono pode não ser a melhor produção já feita, mas é um marco e pontapé para que venham mais produções ficcionais africanas e fora do eixo Estados Unidos-Europa dentro dos streamings e grandes produtoras.

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