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“Blackface” e “nega maluca” são racistas e você deve saber disso

Entenda a origem do termo e saiba o porque são extremamente ofensivos.

A apropriação cultural e um tema muito abordado no Brasil quando falamos sobre se apropriar da identidade cultural, seja ela vinda da Africa ou Europa, a miscigenação no Brasil fez com que estivéssemos muito mais conectados com culturas de outros países. Mas quando isso chega a sua pele, a sua cor, a sua etnia, literalmente usarem suas características físicas para fazer algo, para ocupar algum lugar ou posição social, pois isso vem sendo feito com o povo negro no Brasil, mas antes de falar sobre o Brasil, vamos saber a origem deste assunto.

Nos EUA durante a década de 1820, Thomas D. Rice criou o personagem “Jim Crow”, um personagem o qual o mesmo se pintava de negro “literalmente” com carvão e fazia sátiras racistas sobre os afro-americanos, as atrações teatrais racistas se popularizaram e acabaram contribuindo para a proliferação de estereótipos em relação aos afro-americanos. Na Grã-Bretanha, onde a tradição durou mais do que nos EUA, os “apresentações” chegaram a ser exibidas na TV em horário nobre.

Reprodução/Google

Mais tarde o nome seria usado novamente no final do seculo XIX quando foram criadas as “Leis de Jim Crow” que impunham a segregação racial no sul dos EUA e duraram até o ano de 1965, a lei literalmente separava os brancos dos negros nos estados onde era vigente, os negros que na época estavam na sua maioria no sul, tinham direitos privados por essa lei, o voto por exemplo era um deles, e não foi só isso, escolas e bibliotecas publicas para negros eram “subfinanciadas, se existissem, e eram frequentemente abastecidas com livros de segunda mão”, alem disso, pessoas negras não faziam parte de juris judiciais entre outros espaços públicos que eram usados em maioria absoluta por pessoas brancas.

“Estação de ônibus em DurhamCarolina do Norte, maio de 1940: a placa indica o local das pessoas de cor. À esquerda, um anúncio fala sobre Hitler.” Wikipédia

Agora que sabemos a origem podemos voltar para nosso contexto atual, o “Blackface” e totalmente repudiado entre os afro-americanos, a ridicularização das características dos negros foi por muito tempo o “entretenimento” de uma classe branca e conservadora dos EUA, e no Brasil a personagem “Nega maluca” usa da mesma base para ser reproduzida, pessoas brancas se pintam de preto e colocam peruca de cabelos cacheados ou afro para representar uma Mulher Negra que e “maluca” ou “escandalosa” , estamos perto do carnaval onde a “fantasia” e popular e acaba sendo usada por muitos.

Reprodução/Printrest

Juntamente com isso, recentemente vimos aqui no Brasil pessoas brancas fazerem o “Blackfising” que é “torna-se negro(a)”, alguns acabam tomando para si pautas até mesmo símbolos do povo negro, pessoas como a influenciadora Bianca Andrade que ficou conhecida como uma mulher branca de cabelo liso, e em certo momento apareceu com a pele escurecida e com cabelo crespo, Anitta que já apareceu com a pele escurecida e com o cabelo afro e é conhecida como uma mulher branca e Kefera que tatuou o simbolo do feminismo negro.

Bianca Andrade, Anitta e Keferá

Temos casos de fraudes nas cotas raciais nas universidades e concursos públicos, em 2019 a UFRJ investigou mais de 200 alunos por fraude nas cotas raciais, a UFU também recebeu denuncias de fraudes nas cotas raciais, a USP recebeu 400 denuncias de fraudes nas cotas raciais.

Em 2019 tivemos o caso de Lucas Soares Fontes, que pintou de negro para preencher vaga de concurso para o INSS pelo sistema de cotas, na ocasião ele foi indiciado pelo crime de falsidade ideológica. Ele foi aprovado e assumiu o posto em 2017, mas foi afastado no dia 24 de maio. O salário previsto para o cargo era de R$ 5.344,87.

Lucas em duas imagens, na primeira ele esta com a pele branca na segunda com e pele escura

Nesta semana tive a infelicidade de ver uma mulher trabalhar de “nega maluca” para uma ótica que estava inaugurando uma loja, no momento não tive duvidas e a alertei do quanto a personagem ali feita segundo a própria mulher disse era racista e ofensivo.

Quando falamos em respeito entre as raças e entre as cores isso sempre é diferente, para o povo negro e indígena e que sofrem com mortes violentas em nosso pais, se não bastasse, ser usado de fantasia e algo ainda mais ofensivo,pois e muito fácil ser negro ou índio nos momentos de alegria e confraternização, mas quando falamos de negros e índios, vemos assassinatos e abusos de diretos com esses povos, pessoas negras sofrem muito mais com mortes violentas do que pessoas brancas e vivem em maioria na pobreza, recentemente tivemos vários casos de índios mortos e propriedades indígenas sendo invadidas de forma violenta e cruel.

Para esse carnaval de 2020 lembre-se, a pele de ninguém e fantasia!

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