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A música da década e o otimismo diante do caos

Como encontrar forças para na luta contra a violência e genocídio da população negra

por Nathiele Macedo*

A Pitchfork Media é uma publicação diária norte americana que tem se tornado relevante no meio musical nos últimos anos. Em outubro deste ano o site divulgou as 200 músicas mais marcantes da década de 2010. Entre os artistas citados estão DJ Khaled, Drake, Nicki Minaj, Cardi B, Rihanna e SZA. No topo da lista está Kendrick Lamar com “Alright”. A justificativa dessa escolha vai além do fato desta música ter se tornado platina ou ser reconhecida pelo Grammy. “Alright” é considerada por ativistas norte americanos uma nova candidata ao Hino Nacional Negro por servir tanto para ser cantada em festivais com grande público ou contra a violência do Estado que atinge a população negra.

A obra é a principal do álbum To Pimp a Butterfly lançado na mesma época em que nove negros foram mortos a tiros dentro de uma igreja em Charleston, Carolina do Sul no Estados Unidos. A música desde então passou a ser cantada em centenas de protestos nos país. Kendrick lembra que caímos e fomos machucados antes mas, seu refrão forte repete que “nós vamos ficar bem”. O que se tem não é a promessa de um mundo melhor, mas a suposição de que, mesmo no presente caótico, nós vamos sobreviver.

Diante disso, é difícil ignorar a dúvida: vamos mesmo ficar bem? A população negra foi e continua sendo negada pelo Estado e tratada com violência, os número do genocídio aumentam cada vez mais e nossas reações estão limitadas. Neste sentido, faz-se necessário que o “nós” tão repetido na música se perpetue. Emicida em “Nóiz” também nos faz o mesmo convite e ainda ressalta que “se não for nóiz não vai ser ninguém”. Trata-se de uma unificação indispensável para a sobrevivência diante do caos.

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