Caio Nunez apresenta ”Nada Fica Fora do Lugar”, primeiro álbum de sua carreira, lançado após quatro anos sem novos trabalhos. Criado a partir da ideia de remontar memórias sonoras e afetivas, o disco aproxima diferentes tempos da vida do artista – da infância em Irajá, cercada pela convivência com o pai músico e compositor e com o tio percussionista, até os encontros estéticos que passaram a guiar sua linguagem nos últimos anos.

Caio Nunez Foto; Carlos Nascimento

Entre ritmos afro-latinos, música brasileira e elementos contemporâneos da diáspora, o álbum transforma memória em linguagem musical e constrói um percurso em que passado e presente deixam de disputar espaço para coexistir. Dividida entre G.a.B.o, Léo Israel, Medeirin, Marcel Sousa e Bon Beats, a produção aproxima diferentes texturas sem perder o eixo íntimo que atravessa o disco.

“Um dos aspectos mais valiosos desse processo foi trabalhar com produtores de linguagens muito particulares que, juntos, conseguiram construir unidade e identidade para o álbum.”

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Influências que acompanham o artista desde a infância aparecem dissolvidas ao longo do repertório, guiado menos pela citação direta e mais pela construção de atmosfera, textura e ritmo. Nomes como Otto, Nação Zumbi, Carlinhos Brown, Sara Tavares, Mayra Andrade, Dino D’Santiago e Santana ajudam a compor esse universo sonoro.

“Algumas inspirações foram essenciais para construir essa atmosfera de reconexão com o passado. Entre elas estão “Soul Sacrifice”, do Santana – música que me fez querer ser músico depois de assistir, ainda criança, a uma fita de Woodstock – e “Monólogo ao Pé do Ouvido”, do Nação Zumbi, que despertou em mim a vontade de compor. As duas carregam elementos que procurei trazer para o álbum na tentativa de traduzir todas essas camadas emocionais.”

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A abertura com “Dia de Oxalá”, ao lado de Luellem de Castro, apresenta o eixo espiritual do álbum em uma canção sobre amor, ancestralidade e permanência. Em seguida, “Ginga”, parceria com G.a.B.o, conduz o disco por uma atmosfera celebrativa marcada pelo afrobeat e pela ideia de desacelerar o tempo.

Em “Lótus”, Caio aproxima desejo e intimidade de uma narrativa construída a partir de ritmos afro-latinos, enquanto “Reticências”, primeiro single do projeto e parceria com Rashid, expande esse olhar por meio de imagens lúdicas e cotidianas.

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“Cavalo de Aço” desloca o álbum para um território mais diretamente ligado à memória familiar e cultural do artista. Escrita ao lado do pai, a faixa incorpora elementos como jongo, griô e bate-bola em uma das construções rítmicas mais densas do repertório.

Inspirada por João Donato e Marcos Valle, “Estrela Cadente” cria um momento de respiro antes de “Moçambique” aproximar experiências culturais entre países africanos lusófonos e o Brasil a partir de temas como autoimagem, pertencimento e diáspora. Escrita após uma exposição sobre juventudes afrodiaspóricas, a faixa entende carinho, autoestima e reconhecimento como formas de cura.

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Na reta final, “Mil Motivos” desloca o olhar para os impactos da rotina sobre a sensibilidade cotidiana, enquanto “Valongo”, ao lado de Luana Karoo, encerra o percurso transformando identidade, ancestralidade e legado em permanência.

Foi também de “Valongo” que surgiu o título do álbum. Durante o processo de criação, Caio percebeu que a frase sintetizava o próprio sentido do disco: reconhecer que revisitar o passado não significa permanecer nele, mas entender os elementos que continuam sustentando o presente.

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“Esse processo de reconexão com o passado, sem deixar de olhar para o artista que me tornei, fez com que esse repertório acabasse se transformando no meu maior cartão de visitas. É o trabalho mais pessoal e autoral da minha carreira”, finaliza


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