Esqueça o favoritismo. Esqueça a posse de bola. Em Atlanta, o que valeu foi o coração e o reflexo de um veterano de 40 anos. Na sua estreia absoluta em Copas do Mundo, a seleção de Cabo Verde segurou um 0 a 0 monumental contra a poderosa Espanha, graças a uma atuação lendária do goleiro Vozinha, eleito o cara do jogo. O roteiro era o clássico Davi contra Golias, mas o paredão dos Tubarões Azuis se recusou a cair.

Vozinha, goleiro da seleção do Cabo Verde Foto: Reprodução/FIFA

A Espanha começou sufocando, com mais de 70% de posse de bola. Só que a pressão parou nas luvas do camisa 1 cabo-verdiano. Ainda na primeira etapa, Vozinha começou o show frustrando o meia Pedri e, logo depois, operou um milagre duplo: após Ferran Torres carimbar o travessão, o goleiro voou para espalmar o rebote à queima-roupa de Fabián Ruiz. Antes do intervalo, ele ainda buscou um chute rasteiro de Ferran e um cabeceio com endereço certo de Laporte. Fim do primeiro tempo e o nome de Vozinha já era gritado pela torcida em Atlanta — inclusive por parte dos espanhóis.

Na segunda etapa, a Espanha apelou para o banco e mandou a campo a joia Lamine Yamal e o velocista Nico Williams. Yamal infernizou a defesa pela direita e chegou a clarear uma bola para Mikel Merino soltar a bomba. O destino? Mais uma defesa espetacular de Vozinha. Cabo Verde se fechou como pôde, abdicou dos contra-ataques com Dailon Livramento isolado na frente, mas cumpriu à risca a estratégia do técnico Bubista: competir com a alma.

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O apito final desencadeou uma festa absurda no gramado e nas arquibancadas. Para o segundo menor país em extensão territorial a jogar um Mundial, arrancar um ponto da campeã de 2010 não é apenas um empate — é história pura escrita na Copa do Mundo de 2026.


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