cinema

Curta  ‘Ímã de Geladeira’ estreia nos EUA neste sábado (30)

As exibições acontecem em Seattle e Chicago

Comprar uma geladeira usada nunca foi tão perigoso. Recém-casados e vivendo da renda autônoma de corte e costura, Joyce e Gigante não faziam ideia de que a compra apressada de um eletrodoméstico após um curto-circuito poderia oferecer tamanho risco. Mas só para pessoas negras.

Curta-metragem de ficção que utiliza o afro-surrealismo para discorrer sobre a violência aos corpos negros e periféricos e sua espetacularização pelos meios de comunicação de massa, o filme sergipano “Ímã de Geladeira” vai estrear nos Estados Unidos neste sábado (30)  no 19º Festival de Cinema Negro de Seattle e no 38º Festival de Cinema Latino de Chicago.

Para o co-diretor Sidjonathas, romper as fronteiras nacionais é um indício da potência cinematográfica do menor estado do país em dimensão territorial, mesmo diante da escassez de recursos destinados ao setor. “Exibir o nosso filme em um festival que acontece há quase quatro décadas nos Estados Unidos, como o festival de Chicago,  convence a nós próprios do quão importantes e válidas são as nossas narrativas”.

Em Chicago, o curta compõe a programação ao lado de outros 85 filmes da América Latina, Espanha, Portugal e Estados Unidos, sendo sete deles brasileiros, como os longas ‘Desejo Particular’, de Aly Muritiba, e ‘Medusa’, de Anita Rocha da Silveira. O evento também já exibiu aclamados filmes brasileiros como ‘Medida Provisória’, de Lázaro Ramos, no ano passado, e ‘Ó Paí Ó’, de Monique Gardenberg, em 2009.

Por que só agora?

Carolen Meneses, roteirista e co-diretora do curta, comemora a estreia internacional ao mesmo tempo em que provoca a circulação de mais filmes produzidos fora dos grandes centros. “Fazer o Ímã atravessar o Atlântico para debater questões ligadas ao descaso com a população negra no Brasil através de personagens negros carregados de subjetividade me faz questionar: Por que só agora?”.

O questionamento de Carolen faz parte da iniciativa de realizadores e produtores audiovisuais que buscam romper com a falta de visibilidade das narrativas negras no Brasil e no mundo. “Por esse motivo a exibição de Ímã é tão significativa no Festival de Cinema Negro de Seattle, uma janela que nos conecta com autores e trabalhos provocativos sobre a experiência afro-diaspórica de cineastas independentes de diversos lugares”.

Foi o evento que exibiu os primeiros filmes da diretora, roteirista e distribuidora de filmes norte-americana Ava DuVernay, atualmente reconhecida pela criação da série ‘Olhos que condenam’ e do documentário ‘A 13ª Emenda’, ambos disponíveis na Netflix. Ava foi a primeira mulher negra indicada ao Oscar com seu filme ‘Selma’, abrindo um horizonte para cineastas negras contemporâneas.

Legado cultural

Produzido pela Floriô de Cinema na perifeira do bairro Rosa Elze, em São Cristóvão-SE, em 2021, o filme leva às telas desde um dos pioneiros do cinema negro sergipano, o griô das artes e do movimento negro sergipano Severo D’Acelino (Zé das Peças), à estreante Solange Bocão (Dona Solange), moradora do Rosa Elze.

Na trama, a atriz e performer Margot Oliveira interpreta a costureira Joyce, par do casal protagonista, e comenta sobre a emoção de ver sua atuação e a cultura do seu povo imortalizadas. “Tô muito feliz que Joyce consegue me levar para outros ares me fazendo acreditar que é possível ser transatlântica de fato, perpassar pelas profundezas de grandes  mares e deixar esse legado para nossos descendentes”.

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