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Aqui jaz mais um homem na estrada que partiu pelas mãos do Estado racista e fascista que se foi e nunca mais voltou


Homem mulato aparentando entre vinte e cinco e trinta anos é encontrado morto na estrada do M’Boi Mirim sem número. Tudo indica ter sido acerto de contas entre quadrilhas rivais. Segundo a polícia, a vítima tinha “vasta ficha criminal”
(Homem na Estrada; Racionais MC’s)


Quem é fã dos Racionais MC’s e do Tim Maia ao ouvir as batidas dos alto-falantes na caixa de som com o sample da música: Ela Partiu do Tim Maia, no início da canção o Homem na Estrada dos Racionais MC’s, tem uma catarse daquelas inesquecíveis que nos purifica bem ali nas primeiras batida desse sample. Pois essa música dos Racionais MC’s  que tem como base o sample da música Ela Partiu do Tim Maia, narra por meio das raízes das suas mimeses o palco da tragédia do genocídio do homem negro que é cantado por uma poética musical que denuncia uma violência que alimenta a miserabilidade das periferias brasileiras e que é provocada por um Estado racista e fascista. E esse clássico dos Racionais MC’s tem essa denuncia cantada na sua musicalidade que nos permite que através do sample da música do Tim Maia, tenhamos em uma das suas interpretações: esse Eu – lírico no sentindo que essa referência poética pode ser uma metáfora para representar a esperança que nunca morre, mas que aqui nessa história partiu e nunca mais voltou da vida desse homem. Porém esse sample poético do Eu – lírico da música Ela Partiu do Tim Maia, não só é um sample do Eu – lírico da música do Homem na Estrada dos Racionais MC’s. Mas este Eu – lírico faz parte das raízes mais profundas da história de vida desse personagem da música o Homem na Estrada; que tem a sua vida arrancada pelas mãos da polícia injustamente e nunca mais teve o direito de sentir a sua vida entre as batidas do seu coração de volta e acabou perdendo a sua esperança de vez, como é narrado no enredo da música o Homem na Estrada dos Racionais MC’s. A experiência estética que temos é similar a analise qual o filósofo Aristóteles nos descreve sobre a purificação da alma diante de uma descarga emocional que tenha sido alimentada por um trauma que influencia em mudanças trágicas na vida, que para alcançar esse Katharsis, tem que passar pelo caminho da compaixão e pelo caminho do temor, pois segundo Aristóteles na sua obra a Poética: ele descrever que é “por meio da compaixão e do temor, que se provoca a purificação de tais paixões” (traumas na alma). E esse fã então possivelmente irá sofrer essa purificação dessa violência opressora de um Estado racista e fascista que sofremos diariamente e que oprimi as vidas do povo preto nas periferias brasileiras e que nos provoca esses traumas em nossas almas, essa descarga de sentidos e emoções será experienciada através da elevação da tragédia nessa obra dos Racionais MC’s. Se possivelmente esse fã já tenha tido uma experiência posteriori dessas músicas, é bem certo que nesse instante da audição musical começara a passar um filme na cabeça desse fã, este fã terá possivelmente essa compaixão e o temor que Aristóteles pontua que temos diante de uma Katharsis. Pois nesse filme que vai passar na cabeça desse fã, é quase certo que por causa das cenas deste filme, esse fã vai se questionar que violência social é essa que esse personagem viveu ao longo da sua vida narrada nesse enredo, do início da vida dele ao dia da sua morte. Pois a verossimilhança dessa anedota contado nesses versos com a realidade nos apresenta um raio X de uma violência que encontramos em todas as periferias do Brasil, que é velada e qual a justiça brasileira se faz de cega para ela além de ser injusta e racista. Uma violência que controla o destino de milhares de homens e mulheres na estrada em nosso país, uma cólera que parece um câncer para o nosso povo preto, uma doença social que condena a carne do negro a ter o preço mais barato do mercado. Uma violência que nunca deu a esse indivíduo que era um ex-presidiário uma oportunidade de mudar a própria história da sua vida condenada pela cor da tua pele e local da sua moradia, infelizmente uma história de vida comum nas periferias brasileiras, mas que temos que buscar dar um basta a ela custe o que nos custar. E nos primeiros versos da música o Homem na Estrada, já temos uma apresentação desse personagem que é descrito pelos fatos de forma onipresente, mesmo sendo este personagem às vezes orador da própria história que está sendo contada na música o Homem na Estrada, pois o que este narrador está nos denunciando infelizmente é uma experiência de vida comum em milhares de favelas que temos pelo Brasil e que tem que mudar, onde o palco da tragédia se faz da seguinte maneira:

Um homem na estrada recomeça sua vida

Sua finalidade a sua liberdade

Que foi perdida, subtraída

E quer provar a si mesmo que realmente mudou

Que se recuperou e quer viver em paz

Não olhar para trás

Dizer ao crime: nunca mais!

Temos aqui, bem nas primeiras linhas desse rap, esse homem na estrada buscando a sua redenção que começa com essa tentativa de recomeçar em uma nova caminhada de fé, não uma fé em Cristo, ou uma fé em um Deus somente. Mas uma fé em si mesmo principalmente, na sua integridade, que foi “subtraída” de suas mãos mais de uma vez, uma fé no próprio homem na estrada que acredita nesse recomeço, pois o preço que ele pagou foi muito alto para ter a sua dignidade e liberdade de volta. Uma fé pela paixão que esse homem na estrada tem pela vida, na fé na mudança que escolheu para si, pois a prisão fez com que ele decidisse para si, que ele não vai servi a vida do crime nunca mais, assim como não quer mais olhar para trás e que quer abraçar esse direito de ter uma nova caminhada em sua vida que foi paga com sua detenção, não existe mais condenação sobre si e nem crimes para pagar a justiça dos homens e nem a “justiça divina” que lhe impeça de viver em paz e feliz, sua única esperança e fé na vida agora é esse desejo de ser um novo homem para sociedade. Onde esse “homem na estrada”, quer mostrar para si mesmo que é uma nova pessoa e que sua “vontade moral”, tem o desejo de mudança, que seu sonho é de ter tempos de calmaria para se viver em dias de paz, pois desde a sua infância a sua vida nunca foi um mar de rosa e tudo que ele deseja para seu filho é uma estrada diferente da sua, na extensa caminhada da vida dele. 

“Os quatros pretos mais perigosos do Brasil” da atualidade, em 1993 presenteou a música popular brasileira com a obra de arte o Raio X Brasil, que é o terceiro disco de carreira do grupo paulistano e que se tornou nesse clássico do RAP Nacional. Poucos sabem mais foi através do Raio X Brasil que os Racionais MC’s elevou o RAP como um dos estilos musical mais ouvido do país. O disco na época do seu lançamento vendeu mais de 200.000 mil cópias, contendo oito faixas, tendo como hits o Fim de Semana no Parque no lado A e Homem na Estrada no lado B do vinil como faixas mais ouvidas do disco. Na faixa de introdução do vinil tem na voz de Edivaldo Pereira Alves (Edy Rock) nos trazendo como se fosse uma epígrafe daquilo que motivou a produção do Raio X do Brasil na carreira dos Racionais MC’s da seguinte maneira:

1993, fundidamente voltando, Racionais

Usando e abusando da nossa liberdade de expressão

Um dos poucos direitos que o jovem negro ainda tem nesse país

Você está entrando no mundo da informação, auto-conhecimento, denúncia e diversão.

Esse é o Raio X do Brasil, seja bem vindo.

E ainda bem que os Racionais MC’s encontraram motivação suficiente para abusar “dos poucos direitos que o jovem negro ainda tem nesse país”, que usando e abusando dessa liberdade de expressão, em 1993 criou essa obra de arte que é esse álbum o Raio X Brasil.  Disco que tem contido em sua poética a musicalidade da música Voz Ativa que foi lançada em 1992 e que é um manifesto chamado os negros para a luta e para o seu empoderamento com os seus versos papo reto:

Eu tenho algo a dizer

E explicar pra você

Mas não garanto porém

Que engraçado eu serei dessa vez

Para os manos daqui!

Para os manos de lá!

Se você se considera um negro

Um negro será mano !!!

E a música Voz Ativa é a voz e vez do homem na estrada nessa caminhada que traz as nossas sabedorias de rua e força dos nossos ancestrais nessa musicalidade filosófica e cultural cantada nos versos das músicas dos Racionais MC’s. E o Homem na Estrada é uma obra de arte que foi composta por Pedro Paulo Soares (Mano Brown), com a base musical criada pelo Kleber Geraldo Lelis Simões (KL Jay), que construiu essa base a partir da música Ela Partiu do Tim Maia; sample que virou essa canção que é o Homem na Estrada dos Racionais MC’s. Essa música que faz parte daquelas obras de artes que ao contemplá-las ficamos diante não de uma contemplação estética qualquer, pois esse objeto de complacência não é um mero ajuizamento de gosto, mas muito mais que isso, pois se trata de uma transcendência em arte de um problema social que transcendeu nessa obra de arte para romper todas as barreiras dos preconceitos contra o favelado e a arte periférica, pois a “nossa juventude negra agora tem voz ativa”. E faz 27 anos que esse hino clássico de resistência está vivo e alimentando o espírito do povo preto periférico e brasileiro. O Homem na Estrada é uma obra de arte que denuncia essa violência que oprimi e cancela pretos por todo o Brasil a todo o momento através principalmente da violência policial, colocando o povo preto na condição de excluído, condenando o favelado a ser mais um marginal aos olhos da sociedade, a ser mais um preto cheio de ódio e maldade pronto para matar e destruir como se fosse à imagem e semelhança do próprio diabo, um anjo rebelde caído aos olhos da branquitude racista e fascista que o condena os pretos pelo simples fato da sua existência e cor da sua pele, é por lutar pelos seus direitos e dignidade humana (Um complexo da Revolução Haitiana que a branquitude tem.). A canção o Homem na Estrada é composta pelas características fundamentais que uma tragédia de cantos e danças tem que ter para honrar ao deus grego do teatro o Dionísio. E a musicalidade do Homem na Estrada tem em seu drama esse ideia de superação construída em seu enredo, mostrando através da arte: como ocorre o genocídio e sacrifício do povo preto nas periferias brasileiras para sustentar os privilégios da branquitude racista. E o Homem na Estrada é uma música que transcendeu esse genocídio e sacrifício do negro periférico brasileiro em uma “tragédia poética”, que coloca em xeque-mate: a honestidade dos deuses e questiona se o destino é mesmo uma verdade absoluta e justa, assim como coloca sobre júri popular o próprio senso de justiça da sociedade. Sociedade que escreve o roteiro de indivíduos como o personagem da música o Homem na Estrada os colocando na situação de oprimido e cancelado por uma branquitude racista que não oferece a esses homens pretos as mesmas condições que oferecem aos jovens brancos burgueses, por exemplo: uma vida digna e plena longe da fome, longe da guerra do tráfico, longe da falta de oportunidade, longe da falta de moradia e principalmente longe do racismo que mata mais que câncer em nosso país. Por outro lado o que essa sociedade racista oferece ao homem na estrada é um destino amargo e um “pé sem sorte”, que terá pela a frente para se apegar em sua caminhada de fé mantra como o do salmo 91 onde encontrará nesse versículo o seu refúgio que “muitos mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti”, uma chance mínimia de sobrevivência: Capítulo 4, Versículo 3 para quem não tem quase nada na vida, além da própria vida e a vontade de sobreviver no inferno. E as narrativas dessa canção não narra os feitos de um grande herói lutando contra um vilão por sua amada como encontramos na tragédia Ilíada ao grande estilo de uma tragédia grega do poeta Homero, pelo contrário: esses versos não revelam um herói, mas um Estado assassino e opressor que condena os indivíduos pela cor da sua pele, um Estado vilão que condenou esse homem na estrada a ser um “pé sem sorte” na vida. Para Aristóteles a tragédia seria uma imitação das ações e das vidas dos seres humanos, não uma imitação do ser humano em si somente. Portanto a tragédia é uma arte que não imita o drama humano do “ente” somente, mas representa através da elevação e embelezamento uma arte poética em si da humanidade e das ações dos seres humanos. A filósofa Maria Helena da Rocha Pereira que foi uma especialista lusitana em estudos da cultura grega clássica, pontuou no prefácio do livro a Poética que a definição da tragédia por Aristóteles se dar da seguinte maneira:

A tragédia é a imitação de uma ação elevada e completa, dotada e extensão, numa linguagem embelezada por formas diferentes em cada uma das suas partes, que se serve da ação e não da narração e que, por meio da compaixão (elos) e do temor (phobos), provoca a purificação (Kathasis) de tais paixões.

Essa imitação por sua vez nos apresenta a elevação do drama através da tragédia que transcende um drama humano na condição de embelezamento da arte. E na música o Homem na Estrada tem a violência urbana e periférica que transcende nessa obra de arte, nos apresentando a imitação do drama da vida desse homem na estrada que pode ser comparada a milhares de vidas dos negros nas periferias brasileiras. Uma obra que carrega esse grito de socorro e pedido de paz na linguagem filosófica da arte em formula de uma tragédia poética tendo entre as suas entrelinhas a compaixão e o temor.  E o embelezamento dessa canção dos Racionais MC’s está exatamente no fato do homem na estrada não negar seus crimes como cidadão e se sentir honrado por ter pagado por eles com a sua liberdade em uma detenção e que agora: ele quer buscar a sua redenção de cabeça erguida como um “cidadão de bem”, com o sonho vivo de poder dar uma sina diferente para seu filho. Mas justamente quando esse ex-presidiário quer provar que ele não é uma besta violenta que o Estado queria que ele se tornasse; o Estado, o executa injustamente através das mãos daqueles que o deveriam lhe defender na calada da madrugada sem o direito do princípio do contraditório e da ampla defesa. E é exatamente nesse momento do enredo que encontramos o nó e desenlace dessa tragédia, quando homem na estrada tem sua vida tirada pelo Estado logo após ele conseguir o direito de ter sua liberdade e a oportunidade de recomeçar uma história nova em sua vida na sociedade que sempre lhe condenou e rejeitou desde a sua infância.

Pois sua infância não foi um mar de rosas, não

Na FEBEM, lembranças dolorosas, então

Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim

Muitos morreram sim, sonhando alto assim

Me digam quem é feliz

Quem não se desespera vendo

Nascer seu filho no berço da miséria

Um lugar onde só tinham como atração

O bar, e o candomblé pra se tomar a benção

Esse é o palco da história que por mim será contada

Um homem na estrada

E a tragédia na vida do homem na estrada começa cedo, pois desde sua infância que ele enfrenta a opressão e a exclusão de um Estado racista que lhe deu chances mínimas de sobrevivência. Pois em vez desse Estado cumprir com sua obrigação e dever oferecendo a esse “homem mulato”: inclusão social, educação, equidade e direitos iguais; o que esse Estado lhe deu foi detenção e lhe privou de ter alfabetização escolar, assim como lhe negou uma oportunidade justa de ser “alguém na vida”. E essa falha do Estado faz com que esse homem na estrada enfrente a FEBEM em sua infância como se fosse ele ainda na pele de um menino o culpado do seu destino, época da FEBEM que por sua vez, que só trazem memórias dolorosas de criança para esse homem na estrada.  E outro ponto relevante da trama da música o Homem na Estrada, é que os seus fatos narrados, não negam: que vários morrem sonhando alto, morrem tentando ganhar dinheiro e ficar rico de maneira fácil, sair da miséria, afinal, quem não quer ser feliz, se dar de bem na vida e sair do rio de merda. Qual pai que infelizmente cresceu na condição de miséria que não sonha em poder dar uma sina diferente da sua vida para a vida do seu filho? Dar a sua criança uma chance de ter como luxo só a benção do candomblé e não um bar por esquina como vizinhança para se viciar em álcool, ou em outras drogas qualquer que mata e condena várias vidas negras nas nossas periferias brasileiras. E este palco da história que o narrador do Homem na Estrada nos apresenta é similar ao berço da própria miséria que coloca qualquer ser humano na condição de “Estado de Natureza”, qual a única medida sensata que esse indivíduo no “estado de natureza” deve ter é a de ser manter vivo a todo custo nessa guerra social e insana. A música o Homem na Estrada nos apresenta essa imitação do drama na forma de tragédia que são esses fatos narrados na história de vida desse homem na estrada, que são verossímeis a realidade cotidiana dos moradores de periferia das cidades brasileiras, que são pontuados e contados como se fossem a própria realidade e uma história de vidas reais que temos em nossas favelas e quebradas pelo Brasil. E como Aristóteles pontua na sua obra a Poética:


Uma vez que a tragédia é a imitação de homens melhores do que nós, deve seguir-se o exemplo dos bons pintores de retratos: estes, fazendo os homens iguais a nós e respeitando a sua forma própria, pintam-nos mais belo. Assim o poeta, quando imita homens irascíveis, negligentes ou com outros defeitos deste gênero no seu caráter, deve representá-los como são e, ao mesmo tempo, como homens admiráveis, da mesma forma que Homero representou Aquiles nobre, mas modelo de inflexibilidade.

O Homem na estrada dos Racionais é uma manifestação artística que nos deixa com sentimento de desprazer diante as barbaridades que são narradas ao longo da história de vida desse homem, mas temos um prazer admirável ao ouvirmos essa música por causa da denuncia que ela traz em uma imitação perfeita desse drama que envolve todo contexto social brasileiro e qual nos apresenta esse personagem que não é admirado pelo padrão de gosto estético da branquitude. Como por exemplo: Aquiles é para auto-afirmação dos valores heroicos da branquitude, mesmo sendo um modelo de inflexibilidade de herói. Por outro lado o anti-heroísmo lírico do homem na estrada nos traz esses contornos trágicos em sua vida que é comum a vários pretos periféricos do Brasil. Contornos trágicos quais nos fazem refletir sobre quem é o verdadeiro herói e vilão dessa história, será mesmo este homem na estrada esse tipo criminal que o Estado racista tanto insiste em descrever e condenar? Quem será o verdadeiro Leviatã dessa epopeia? Que imitação de seres humanos melhores é essa que desejamos alcançar se não passamos de uma sociedade hipócrita de seres humanos menores que se caso Jesus Cristo voltasse ele seria crucificado do mesmo jeito e pelas mesmas razões que ele foi para nos conceder e nos ensinar o dom do perdão? Pois aqueles que cometem os mesmos erros, estão condenados a praticarem as mesmas tolices sem saber o motivo de serem condenados pelas mesmas ignorância e estupidez de sempre. Esses contornos trágicos que envolvem a vida dos pretos periféricos são culpa de quem? Ficam aqui, esses questionamentos como ponto de interrogação que fica como reflexões partindo dessa tragédia desta história qual viveu esse personagem da música o Homem na Estrada, que teve um fim trágico e morreu com a esperança de ser um ser humano melhor. E só a esperança para dar fé a todos que tem uma história similar a qual o homem na estrada teve em seu palco de vida como essa saga que ele teve que enfrentar para “sobreviver no inferno”, Pois:


Equilibrado num barranco incômodo

Mal acabado e sujo, porém

Seu único lar, seu bem e seu refúgio

Um cheiro horrível de esgoto no quintal

Por cima ou por baixo, se chover será fatal

Um pedaço do inferno, aqui é onde eu estou

Até o IBGE passou aqui e nunca mais voltou

Numerou os barracos, fez uma pá de perguntas

Logo depois esqueceram, filhos da puta.

Tem vida como à do homem na estrada que já nasce condenada a mazelas, fome, sofrimento e pobrezas por ignorância, ganância, maldade e privilégios de outros seres humanos que querem manter suas vidas na cegueira da nobreza. O contrato social garante essa injustiça social para manter a saúde mental do leviatã através do poder do capital e da fé religiosa cristã em nome da paz social e de um Deus cristão. Assim esse contrato social permite que se tenha a felicidade de uns a custa do sofrimento de outros através da manipulação da retórica das morais conservadoras, controladoras e praticada por pessoas imorais que amam mais o capital que outros seres humanos. O resultado dessa moral aristocrata e projeto político, é que enquanto poucos moram em mansões de alto luxo em lugares super seguros, a grande maioria mora em lugares incômodos e inseguros nas periferias, alguns moram em barracos de madeirais equilibrados em barranco torcendo resistir à próxima chuva para manter o privilégio e luxo de alguns “nobres” da branquitude. A pobreza é uma doença letal e fatal, pois ela não é só falta de capital, a pobreza também é questão de saúde mental, de saúde espiritual e principalmente acumulo de muito capital além da falta dele. A doença pelo capital leva a pobreza espiritual, que por sua vez, leva a doença mental, que faz com que os indivíduos fiquem cegos pela “doença do ouro” e suas fantasias e fetiches de vida passam ser juntar capital para se ter: poder, status, fama e medo da pobreza. E essa pobreza espiritual provoca dor e sofrimento a terceiros que vão ter que serem sacrificados para materialização desse sonho de acumulo de capital que parece a personificação dos sete pecados capitais: a gula, a avareza, a inveja, a ira, a soberba, a luxúria e por fim a preguiça. Deve ser por isso que a pobreza deva ter esse cheiro horrível de esgoto, deve ser por isso que ela deva provocar tanta violência, ou ceifar como a foice da morte tantas vidas. Pois aqueles que de fato são os causadores da pobreza e da má gestão pública são seres humanos gananciosos sem almas, sem corações, que ostentam sua felicidade a custa do sofrimento e tragédia de outras vidas que eles manipulam como convém para a manutenção do poder deles. Aonde a pobreza reina, existe esses pedaços de mundo que parecem o quintal do próprio inferno que o IBGE vai uma vez na vida e a outra na morte e nunca mais volta, enquanto políticos brancos aparecem de 2 em 2 anos nessas quebradas para tomarem as suas cachaças em seus botecos marcados. E o homem na estrada cresce em um meio social que infelizmente tem cenas brutais como essas recorrentes em sua história, que só mostra que as nossas periferias brasileiras são vítimas e refém dessa pobreza e doença da alma humana como é demonstrado nessa tragédia da musica dessa maneira:

Acharam uma mina morta e estuprada

Deviam estar com muita raiva

Mano, quanta paulada!

Estava irreconhecível, o rosto desfigurado

Deu meia noite e o corpo ainda estava lá

Coberto com lençol, ressecado pelo sol, jogado

O IML estava só dez horas atrasado

Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim

Quero que meu filho nem se lembre daqui

Tenha uma vida segura

Não quero que ele cresça com um “oitão”

Na cintura e uma “PT” na cabeça

Nesses versos papo reto e violento com palavras sinceras, temos mais um palco do pedacinho do inferno qual viveu e cresceu o homem na estrada, pois crescer com a ideia de um “oitão”, ou uma “PT” na cabeça é complicado e fatal para quem vive da “ponte para cá”. O filósofo Jean-Jacques Rousseau defendeu que “o homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe.”, claro que esse conceito filosófico do Rousseau como premissa não pode ser considerada uma conclusão de um argumento sólido para justificar qualquer crime que possa ter cometido o homem na estrada, mas ao ouvir esses versos da música do Homem na Estrada e ao pensar nesse pensamento que o Rousseau defendeu, fico inclinado a pensar e ter que defender que o filósofo Suíço iluminista tinha razão em sua argumentação filosófica, sobre os meios que influenciam as ações humanas. Pois ao pensar esse meio social que viveu o homem na estrada similar com essa sociedade genocida que vivemos, não tem como somente pensar no indivíduo como sendo ele responsável pelas suas ações humanas e desumanas perante as ações do seu meio, pois acaba que ele sofre mais influência do seu meio do que seu meio da sua influência.  E no caso desse personagem da música o seu meio social é a exemplificação do próprio caos social, a violência que reina nesse meio, é como uma notação musical e ocorre como se fosse um compasso.  Porém a “vontade moral” desse homem na estrada é de mudança, pois sua esperança de mudança está no seu sonho de que seu filho nem se lembre desse lugar distante e esquecido que o IML chega dez horas atrasado. Que seu filho não cresça em meio a uma sociedade exposto e próximo a crimes violentos que choca toda sociedade, crimes contra as mulheres como este denunciado através da imitação da tragédia de um feminicídio, uma denuncia de um generocídio das mulheres narrados nesses versos da música do Homem na Estrada: “Acharam uma mina morta e estuprada, deviam estar com muita raiva Mano, quanta paulada!” E aqui, gostaria de fazer uma reflexão para os crimes de feminicídios, gostaria de pontuar que esses crimes contra as mulheres não são somente praticado nas periferias brasileiras como é cantado e denunciado nessa música do Homem na Estrada dos Racionais MC’s através desses versos. Esse crime de ódio baseado no gênero acontece em todos os palcos da nossa sociedade lamentavelmente e infelizmente esse crime é a própria tragédia e um genocídio contra as mulheres, principalmente a mulher preta periférica. E temos que ter muito mais que esperança para darmos um basta aos crimes de feminicídios em todas as esferas da nossa sociedade. E na música a esperança do homem na estrada é a de ter uma vida segura para seu filho longe dessa pobreza e doença da alma humana que adoece qualquer um entre a gente que esteja inserido nesse contexto social. Conflitos sociais e internos que nos faz passar noites e noites sem dormir é viver uma vida como se ela fosse uma roleta russa. E a esperança do homem na estrada é se livrar dessa sina cotidiana que faz com que ele viva esse estado de looping diário de ter que viver essa fase ruim em sua vida que não passa nunca. Mais um suspiro da sua esperança “vontade moral”, em busca de mudança que o leva a esse martírio da insônia que quer lhe apontar uma luz no fim do túnel que:

O resto da madrugada sem dormir

Ele pensa o que fazer para sair dessa situação

Desempregado então

Com má reputação

Viveu na detenção

Ninguém confia não

E a vida desse homem para sempre foi danificada

Um homem na estrada

Um homem na estrada

Amanhece mais um dia e tudo é exatamente igual

Calor insuportável, 28 graus

Pois mesmo como um dia após outro dia, madrugadas vem e se vão sem alterar o contexto social desse homem que teve a vida danificada para sempre, sem esperança até de sobrevivência; tragédia que acaba ocorrendo em muitos lares brasileiros que tem o seu chefe da família condenado ao desemprego e a uma má reputação por ter passado a sua infância na detenção, ou sem escola, como passou esse homem na estrada. Acaba que com o tempo para o homem na estrada amanhecer se torna exatamente igual com calor ou não insuportável de “28 graus”, quando o palco da sua vida é formado por cenas diárias como essas que não importa mais o que aconteça ao seu redor, a única esperança de coisa boa que se tem é a de se livrar dessas mazelas e violências que o cercam, que marcam e condena a vida dos pretos favelados que tem a história similar nas periferias brasileira, onde faltar água é rotina e desejo de sair dessa situação é constante, pois:

Faltou água, ja é rotina, monotonia

Não tem prazo pra voltar, hã! Já fazem cinco dias

São dez horas, a rua está agitada

Uma ambulância foi chamada com extrema urgência

Loucura, violência exagerada

Estourou a própria mãe, estava embriagado

Mas bem antes da ressaca ele foi julgado

Arrastado pela rua o pobre do elemento

O inevitável linchamento, imaginem só!

Ele ficou bem feio, não tiveram dó

Os ricos fazem campanha contra as drogas

E falam sobre o poder destrutivo delas

Por outro lado promovem e ganham muito

Dinheiro com o álcool que é vendido na favela

Empapuçado ele sai, vai dar um rolê

Não acredita no que vê, não daquela maneira

Crianças, gatos, cachorros disputam palmo a palmo

Seu café da manhã na lateral da feira

Molecada sem futuro, eu já consigo ver

Só vão na escola pra comer, apenas nada mais

Como é que vão aprender sem incentivo de alguém

Sem orgulho e sem respeito

Sem saúde e sem paz

Dizem por todos os cantos do mundo por pessoas sensatas ou não, que sem saúde e sem paz não se vive uma vida plena e digna. A pessoa simplesmente não vive, pois um ser humano que não consegue ter paz, não vai ter saúde e vice e versa. Pois ninguém tem condições de manter a saúde mental plena vivendo em meio ao caos, portanto uma pessoa que vive em meio a conflitos o tempo todo não viverá uma vida digna e não terá uma saúde mental plena. E o palco de vida do homem na estrada como podemos ver narrados nesses versos, não é um meio social que permita uma vida plena e digna para o indivíduo que esteja inserido nele. Pelo contrário: esse cenário pobre, com conflitos violentos que acontece todos os dias, impossibilita a qualquer um que esteja inserido nele de encontrar a “fórmula mágica da paz”. Conflitos violentos denunciados na letra desse rap como esse crime bárbaro presenciado pelo homem na estrada que teve seu autor condenado e julgado pela lei da favela por estar embriagado e espancar a própria mãe. E ficam aí os questionamentos: quem ganha dinheiro com o álcool e a droga vendida na favela? Quem ganha com toda essa mazela que provoca um genocídio da carne negra em todas as periferias brasileiras? Qual pai vai querer ver o seu filho disputar palmo a palmo com cachorro e gatos um café da manhã em alguma lateral de feira? Qual pai vai suportar ver seu filho crescer sem esperança, sem vontade de ir para aula aprender e que quando vai à escola é só por obrigação e para comer? Como a molecada desse lugar vai ter um futuro sem dignidade, sem orgulho, sem respeito e sem incentivo de alguém? E como vimos no enredo da música e como sabemos os contornos estruturais racista da branquitude, são esses fatores que obriga o nosso povo a nascerem no berço da miséria como, por exemplo: o personagem da música o Homem na Estrada nasceu condenado pelo racismo estrutural brasileiro a ser mais um miserável sem paz e criminalizado por um Estado racista e fascista. Estado que empurra para a vida do preto favelado essa sina como se fosse a sua única realidade de vida:

Um mano meu tava ganhando um dinheiro

Tinha comprado um carro, até Rolex tinha!

Foi fuzilado a queima roupa no colégio

Abastecendo a playboyzada de farinha

Ficou famoso, virou notícia, rendeu dinheiro aos jornais

Ha!cartaz à policia

Vinte anos de idade, alcançou os primeiros

Lugares superstar do notícias populares!

Uma semana depois chegou o crack

Gente rica por trás, diretoria

Aqui, periferia, miséria de sobra

Um salário por dia garante a mão-de-obra

A clientela tem grana e compra bem

Tudo em casa, costa quente de sócio

A playboyzada muito louca até os ossos

Vender droga por aqui, grande negócio

Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim

Quero um futuro melhor, não quero morrer assim

Num necrotério qualquer, como indigente

Sem nome e sem nada

O homem na estrada

As drogas que são vendidas nas periferias brasileiras é talvez o maior projeto do genocídio do povo preto periférico, é “um grande negócio”. Pois nada justifica que o comercio ilegal das drogas tenha morada nas favelas a não ser pelo racismo da branquitude pelos moradores dela, uma vez que os barões dos tráficos de drogas nem moram nas favelas, assim como a maioria dos usuários de drogas desse país que são de classe média que não moram em becos e vielas e que só vão ao morro para comprarem suas drogas. Nada justifica esse câncer nas favelas se não fossem o abandono do Estado e todas as mazelas, violência e pobreza que é empurrada para as favelas através do racismo estrutural que exclui o povo periférico aos meios de acesso. Porém as nossas periferias brasileiras estão condenadas a essa sina de ter que serem esse palco desse comércio ilegal das drogas, onde as crianças que nascem nas favelas são deixadas de lado pelo Estado para virarem matéria primas para a manutenção do tráfico de drogas dentro das favelas como o “mano” do personagem da música o Homem na Estrada virou. No país da fome para o negro pobre e favelado ganhar dinheiro e ficar rico não pode ser considerado nem como sonho de mudar de vida ou de sina, para o negro periférico esse desejo de se livrar desse genocídio que asfixia a sua vida através da fome e da pobreza e falta de dignidade de vida pode ser considerado como uma alucinação. Pois é essa alucinação que pode leva os jovens negros da periferia a cegueira, ao ponto deles enxergarem uma vida possível de poder e esperança, somente na mão dos barões dos tráficos de drogas. Uma vez que a exclusão social diz não a esse negro periférico tirando dele toda esperança de uma vida plena e o deixando entregue a violência, a fome, ao abandono, ao racismo e com a sedução do tráfico de drogas na mão para sair dessa situação. 

 Assaltos na redondeza levantaram suspeitas

Logo acusaram a favela para variar

E o boato que corre é que esse homem está

Com o seu nome lá na lista dos suspeitos

Pregada na parede do bar

A noite chega e o clima estranho no ar

E ele sem desconfiar de nada, vai dormir tranquilamente

Mas na calada, caguetaram seus antecedentes

Como se fosse uma doença incurável

No seu braço a tatuagem: DVC, uma passagem, 157 na lei

No seu lado não tem mais ninguém

A justiça criminal é implacável

Tiram sua liberdade, família e moral

Mesmo longe do sistema carcerário

Te chamarão para sempre de ex-presidiário

Não confio na polícia, raça do caralho

Se eles me acham baleado na calçada

Chutam minha cara e cospem em mim é

Eu sangraria até a morte já era, um abraço!

Por isso a minha segurança eu mesmo faço

É madrugada, parece estar tudo normal

Mas esse homem desperta, pressentindo o mal

Muito cachorro latindo

Ele acorda ouvindo barulho de carro e passos no quintal

A vizinhança está calada e insegura

Premeditando o final que já conhecem bem

Na madrugada da favela não existem leis

Talvez a lei do silêncio, a lei do cão talvez

Vão invadir o seu barraco, “é a polícia”!

Vieram pra arregaçar, cheios de ódio e malícia

Filhos da puta, comedores de carniça!

Já deram minha sentença e eu nem tava na “treta”

Não são poucos e já vieram muito loucos

Matar na crocodilagem, não vão perder viagem

Quinze caras lá fora, diversos calibres

E eu apenas com uma “treze tiros” automática

O fato é que o pobre preto e favelado sempre vai estar na lista numero um de suspeito da polícia. Condenar a pela negra a esse estereótipo de tipo penal que a branquitude racista brasileira condenou, faz parte do projeto de higienização da “raça brasileira”. E o personagem da música o Homem na Estrada vive essa perseguição dessa branquitude  na flor da sua pele desde seu nascimento até o dia da sua morte. Muitos não sabem como o racismo mata, na verdade o racismo tem várias formas de matar um negro, mas uma das maneiras mais comum no Brasil é dessa forma que o Estado condenou e matou o homem na estrada nessa música dos Racionais MC’s. Pois mesmo ele não estando na “treta”, a polícia na calada da noite com 15 policiais fortemente armados e sem mandato, sem uma sentença judicial, foi na madrugada no silêncio da favela quando “não existe lei”, para tirar a vida desse homem na estrada. Já que a justiça criminal é implacável com o povo preto, acaba com as nossas famílias, culturas, religiões, dignidade e moral, promovendo a criminalização do povo preto favelado sem nenhuma lastima, em nome de uma eugenia da “raça branca” em nosso país. E essa imitação da realidade na forma de tragédia nessa música dos Racionais MC’s, nos apresenta o que Kant define como Belo, pois ela carrega em seu caráter intrínseco aquilo que é defendido por ele dessa maneira: “Para distinguir se algo é belo ou não, referimos à representação, não pelo entendimento ao objeto em vista do conhecimento, mas pela  faculdade da imaginação […] ao sujeito e ao seu sentimento de prazer ou desprazer.”   Encontramos nessa obra dos Racionais MC’s  o juízo lógico fundamentado sobre o juízo estético como foi defino por Kant: Um juízo que surge por comparação de várias singularidades e imaginação de fatos reais. E entre essas singularidades está à realidade sócio-cultural do brasileiro apresentada por uma narrativa poética e musical, que recoloca o sujeito diante de si mesmo lhe observando como objeto. Um objeto colocado pela branquitude brasileira como violento e estúpido, produto de um processo histórico traumático racista que condena o negro a ser um produto marginalizado pelo Estado fascista e racista. E é aqui que o sublime aparece no Homem na estrada, essa música alcança a sua finalidade de transcender a violência em arte, dando voz e destaque para a razão periférica que não tem voz e nem lugar de fala nos debates políticos e acadêmicos tradicionais, é essa canção não nasce só como um grito dos excluídos, mas como singularidade filosófica através da arte que permite delegação de autoridade a arte periférica. Por outro lado o Belo dessa obra de arte se encontra no próprio juízo estético apresentando por ela que provoca o prazer e desprazer sobre o anti-heroísmo do homem na estrada. Já o sublime manifestado na música Homem na Estrada  é exatamente essa transcendência desse juízo estético em razão social que desconstrói conceitos enraizados por outros “juízos de gosto e valores”, esse juízo de gosto e valores que por sua vez: são os agentes motivadores de tal manifestação artística que nasce da vontade de despontecializar a violência do opressor sobre o povo preto periférico. Encontramos entre a pluralidade dessa obra de arte o oprimido que tenta rejeitar o seu destino de se tornar em um opressor só porque ele sofreu violência desse opressor, oprimido que escolhe a paz espiritual, uma ação completamente fenomenal e individual, porém a rejeição do oprimido é frustrada pela rejeição de paz por parte do opressor. O homem na estrada é um indivíduo que busca a paz que ele nunca encontrou e a sua maior condenação é exatamente não ter o que ele mais deseja que é o seu direito a ter paz na vida. Encontramos o sentimento do desprazer ao prazer com o assassinato do homem na estrada que é quando o feio transcende em belo, a superação do próprio destino, a esperança de paz que chega ao seu fim, ou o fim da vida que traz paz para esse negro condenado pelo Estado fascista e racista, uma cartase que purifica a alma por meio do flow do RAP ao sample da canção Ela Partiu do Tim Maia. Pois no fim é a vida do homem na estrada que parte para nunca mais voltar, “ela partiu e nunca mais voltou”, assim como a esperança partiu da vida desse homem para nunca mais voltar.

Paulo Eduardo Salvador (Ice Blue) no fim do álbum Raio X Brasil, nos créditos do vinil, faz um agradecimento especial ao Tim Maia pela contribuição de sua música na construção dessa obra de arte chamada O Homem Na Estrada dos Racionais MC’s. Agradecimento que destaca o quanto a música Ela Partiu do Tim Maia foi fundamental para a construção dessa obra e que não foi por acaso que essa música se tornou o sample da música o Homem na Estrada, pois não teria alma melhor para encanar nesse corpo da música dos Racionais MC’s como um sample, como a música Ela Partiu do Tim Maia encarnou.     

Mauro Aniceto

Queria aqui deixar meu agradecimento e total respeito aos Racionais MC’s, não só por essa obra maravilhosa que é o Homem na Estrada. Mas por tudo que os Racionais MC’s representam para o nosso povo preto e por ter se tornado nesse símbolo de luta e resistência das nossas periferias. Pois hoje os guetos têm Voz Ativa.



Bibliografia:

ARISTÓTELES. Poética. Tradução Eudoro de Sousa. 2. ed. Imprensa Nacional – Casa da Moeda. 1990. Série Universitária. Clássicos de Filosofia

Racionais MC’s. Homem na Estrada. São Paulo: Zimbabwe Records: 1993.


Racionais MC’s. Voz Ativa. São Paulo: 1992.

KANT, Immanuel. Crítica da faculdade do juízo. Tradução Valério Rohden e Antônio Marques. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995

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