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Nelson Mandela: a Esperança da Democracia Para a África Negra

Se estivesse vivo, Nelson Mandela completaria 101 anos!

O líder, que completou 101 anos este ano, tem uma grande trajetória na África do Sul, onde lutou por uma sociedade antirracista e representou o grito da democracia para a população negra. Seu reconhecimento internacional transparece a honra de suas causas, e seu pensamento antirracista e humanitário hoje se materializa pela fundação que leva o seu nome.

Emerson Soares

A África do Sul protagonizou, no dia 08 de maio deste ano, sua 6ª eleição geral para a votação de novos governantes políticos. O país completa, nesse ciclo, 25 anos de instauração de um regime democrático pós-apartheid.

Ontem se comemorou a vida e a trajetória do líder deste processo que marca a história sul-africana: há 101 anos, nascia Nelson Rolihlahla Mandela. Mandela nasce em Mvezo, em 1918. Quando adulto, se forma advogado e se torna a principal referência no movimento de libertação negra na África do Sul. Quando em vida, preside o partido Congresso Nacional Africano, que surgiu no país seis anos antes de seu nascimento, em uma das capitais do país: Bloemfontein.

Nelson Mandela se torna referência ao ser a voz contrária ao movimento de segregação racial que se inicia no país no ano de 1948, conhecido como Apartheid. Em 1952, os sul-africanos protagonizam uma manifestação popular contrária a uma política de identificação do regime que cerceava o livre trânsito de negros e negras. No ano de 1961, Mandela e outros integrantes do CAN, bem como integrantes do partido Congresso Pan-Africano, são institucionalmente impedidos de atuar politicamente no país.

O líder africano se torna um dos co-fundadores do movimento armado que surge em resposta: o Unkhonto we Siwze (em tradução livre, significa “A Lança da Nação”). O grupo armado declarou publicamente ao governo sul-africano sobre sua pretensão em resistir às decisões tomadas pelos governantes. Em resposta a sua negligência, o grupo Unkhonto realiza ataques em instalações governamentais em dezembro do mesmo ano.

Em 1964, Nelson Mandela é sentenciado à prisão em Pretória, uma outra capital do país. O líder segue preso por 27 anos, até deixar a prisão em 1990. O governo espanhol recebe Nelson Mandela na cidade de Madri um ano depois. Em sinal de apoio à causa antirracista por ele defendida na África do Sul, a Espanha cede a Mandela o título de Doutor Honoris Causa – um título concedido a personalidades que se destacam pelas suas benfeitorias e seus importantes trabalhos na sociedade.

Ainda que o apartheid siga todos esses anos, o regime é condenado no ano de 1973 em uma Assembleia Geral das Nações Unidas. Pelo documento da Convenção Internacional da Punição e Supressão ao Crime de Apartheid, o documento reconhece o regime como um crime contra a humanidade.

A Convenção, entretanto, foi dificilmente formada dado o número de abstenções e votos negativos de países ocidentais. O documento também reitera, pela Declaração de Independência dos povos colonizados, que o processo de liberdade é irreversível e que “um fim deve ser colocado ao colonialismo e a todas as práticas de segregação e discriminação a ele associadas”, em uma clara menção a regimes como o do apartheid.

Em 1993, o futuro presidente da nação sul-africana recebe um Prêmio Nobel, e em maio do ano seguinte, é eleito à Presidência. Durante sua carreira política, o líder sul-africano conhece figuras importantes de outros países, tendo sua representação celebrada e honrada nestes mais diversos contextos.

No ano de 1999, Nelson Mandela deixa sua posição para o seu sucessor, Thabo Mbeki, que também fazia parte de seu partido político. Mbeki nasceu no ano de 1942, na cidade de Mbewuleni. Após sua retirada da presidência, Mandela se dedica aos trabalhos em sua fundação, que recebe o seu nome.

De acordo com o próprio site, foi ali naquele espaço, que foi o seu escritório, que Nelson Mandela seguiu em atividades de cunho social. O líder mobilizou fundos de caridade e a construção de novas escolas, bem como pesquisas sobre a necessidade da escolarização em áreas rurais e trabalhos relacionados a prevenção de HIV e Aids.

Em 2004, o primeiro presidente democraticamente eleito da África do Sul descobre um câncer de próstata, vindo a falecer no ano de 2013. A cerimônia de seu velório é realizada junto a sua família, em Qunu, na África do sul.

Atualmente, a Fundação se preocupa em ser um centro de memória de Mandela, concentrando arquivos, documentos e fotos de sua trajetória na vida pública da África do Sul. E, de certa forma, materializa a continuidade do trabalho do líder, uma vez que, dentre os seus princípios, também está a promoção da análise crítica de problemas sociais e de reflexões filosóficas, e o levantamento de fundos destinados a causas. 

Para Saber Mais:

100 Anos de Nelson Mandela, o líder da Luta Contra o Apartheid, El País: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/17/album/1531828042_969782.html#foto_gal_1

História da África do Sul, República da África do Sul: https://www.africadosul.org.br/historia

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