A Organização das Nações Unidas aprovou, nesta quarta-feira (25), uma resolução que classifica o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave da história da humanidade. O texto foi aprovado por 123 dos 193 países-membros da entidade, com votos contrários de Estados Unidos, Israel e Argentina, enquanto o Brasil se posicionou a favor.

A medida, apresentada por Gana, reconhece oficialmente a gravidade histórica do tráfico transatlântico de pessoas africanas, que resultou na captura e deslocamento forçado de cerca de 12,5 milhões de indivíduos entre os séculos XV e XIX, principalmente para as Américas. A resolução também destaca que os impactos desse período seguem presentes até hoje.

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Além de classificar o episódio como o mais grave crime contra a humanidade, o documento defende a necessidade de reparações. Para especialistas em Direito, a decisão representa um avanço significativo no reconhecimento institucional da escravidão e de suas consequências globais.

Apesar da aprovação, o texto gerou divergências. Ao todo, 52 países se abstiveram da votação, incluindo membros da União Europeia e o Reino Unido. Entre os argumentos apresentados por países contrários e abstencionistas está a preocupação de que a resolução estabeleça uma hierarquia entre crimes contra a humanidade, além da discordância quanto à possibilidade de reparações retroativas.

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O posicionamento oficial do Brasil e de outras nações deverá ser detalhado na próxima semana, já que, por limitações de tempo, os discursos de justificativa de voto foram adiados.

Para o presidente de Gana, a aprovação da resolução representa um passo importante para evitar o apagamento histórico e enfrentar os efeitos duradouros da escravidão, reafirmando a necessidade de memória e justiça.


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