A morte do psicólogo e mestrando Manoel Rocha Reis Neto, ocorrida na última terça-feira (17) no Recôncavo baiano, reacendeu um debate urgente sobre os efeitos do racismo e a necessidade de estruturas sociais e institucionais capazes de reconhecer, acolher e responder a isso de forma qualificada. 

Tainara Ferreira Foto: Divulgação

Manoel, que tinha 32 anos, havia relatado em suas redes sociais ter sofrido racismo em um camarote durante o Carnaval de Salvador, episódio que foi amplamente repercutido após seu falecimento, que é tratado como suspeita de suicídio pela Polícia Civil.

Manoel Rocha Reis Neto Foto: Divulgação
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Para a consultora em letramento racial e de gênero, Tainara Ferreira, o caso evidencia que o racismo não é um evento isolado, mas uma experiência vívida e contínua, se acumulando e impactando profundamente o bem-estar emocional, mesmo em indivíduos com alta formação técnica e experiência clínica – como era o caso de Manoel, profissional comprometido com a saúde mental e o engajamento antirracista.

Tivemos mais uma perda de um dos nossos, que dedicou sua vida ao cuidado emocional de outras pessoas, muitos dos quais também enfrentam racismo, exclusão e violências cotidianas. Quando espaços públicos, privados e de lazer não estão preparados, com equipes e protocolos de acolhimento reais e formação em letramento racial, a carga emocional sobrecarrega. Racismo é um processo que acumula, que desumaniza e corrói”, lamentou.

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Tainara reforça que a construção de ambientes seguros exige políticas estruturadas de letramento racial que vão além de ações pontuais, sendo fundamental formar equipes capazes de compreender as nuances do racismo estrutural e oferecer suporte humanizado. Isso inclui investimento em formação continuada, acolhimento psicológico, além de protocolos de resposta à discriminação.

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Além disso, Tainara defende que o setor de lazer e entretenimento incorpore o letramento racial em seus planejamentos estratégicos, tratando-o como uma diretriz permanente de gestão e não apenas como medida reativa. Essa postura garantiria uma experiência respeitosa ao público e a consolidação de uma cultura organizacional pautada pela diversidade, equidade e inclusão.


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