Escrito por Tamy Reis
O Carnaval é o maior espetáculo da Terra e uma das maiores expressões culturais do Brasil. Não é só festa. É narrativa, é memória e é identidade. Eu acredito muito na força que a avenida tem de levar informação para a massa, principalmente quando trabalha temas históricos que não são tão conhecidos pelo grande público.


Quando falamos dos desfiles das escolas de samba, estamos falando de milhões de pessoas assistindo. É uma audiência gigante, diversa, popular. Muita gente talvez nunca tenha lido sobre determinadas figuras ou acontecimentos, mas aprende ali, cantando um samba-enredo, vendo uma alegoria passar, se emocionando com aquela história. De alguma forma, a avenida educa. Ela transforma assuntos complexos em algo acessível, emocionante e coletivo.
Quem reforça essa visão é Vitória Souza Cabral, que desfila há cinco anos em três escolas de samba e está se formando em História da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Do ponto de vista dela, o impacto é direto. “O Carnaval tem um alcance midiático enorme. Quando uma escola de samba escolhe seu enredo e o apresenta publicamente, o assunto passa a ser discutido de forma ampla pela sua comunidade, pelos veículos de comunicação e na internet.”

Em 2026, a Unidos da Tijuca levou para a avenida a história de Carolina Maria de Jesus, ampliando ainda mais esse debate. Para Vitória, esse movimento é fundamental.
“As escolas de samba são fruto do saber de pessoas negras. Resgatar nomes como Carolina Maria de Jesus, Heitor dos Prazeres, Tata Tancredo e tantos outros é mostrar que nós somos potentes e que nossa história é diversa. É fazer justiça com a trajetória dessas pessoas que vieram antes de nós e nos inspirar a fazer coisas incríveis, assim como elas fizeram. Parece absurdo, mas ainda existe, no imaginário de muitas pessoas, a ideia de que existem ‘coisas de preto’ e ‘coisas de branco’. Mesmo quando fazemos algo revolucionário, preferem dizer que foi sorte, acaso, algo sobrenatural ou resultado da benevolência de outra pessoa. As escolas de samba fazem um trabalho de pesquisa muito extenso para mostrar que nós produzimos conhecimento e que nós revolucionamos.”
Sobre o papel social da festa, ela é enfática. “Para mim, a importância das escolas de samba não está no título ou no luxo do desfile, mas na comunicação com sua comunidade. A estrutura narrativa de um desfile, com fantasias grandes e bem expressivas, unida ao samba-enredo, é uma maneira didática de apresentar o tema a quem assiste ao espetáculo. Acredito que o desfile de escola de samba seja uma das maneiras mais efetivas de instigar o público a se informar e a refletir, independentemente da idade e do grau de escolaridade. Além disso, muitas agremiações promovem eventos e cursos durante o ano. São, de fato, escolas para muitas pessoas.”




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