Bad Bunny protagonizou um momento histórico na noite de ontem (08) ao se apresentar no intervalo da final do futebol americano, o Super Bowl, nos Estados Unidos. O cantor porto-riquenho, vencedor do Grammy de Melhor Álbum em 2025, entregou muito mais do que um show: apresentou um manifesto cultural, político e identitária diante de milhões de espectadores.

Bad Bunny Foto: Reprodução

Abrindo a apresentação com “Tití Me Preguntó”, Bad Bunny emendou uma sequência de sucessos em um medley de aproximadamente 15 minutos, todos cantados em espanhol. A escolha não foi casual. Em um dos palcos mais simbólicos da cultura norte-americana, o artista fez questão de reafirmar suas raízes e a força da língua espanhola.

No meio da apresentação, Lady Gaga surgiu para cantar uma versão em salsa de “Die With A Smile”, a única música interpretada em inglês durante todo o show. Na sequência, o também porto-riquenho Ricky Martin apareceu para cantar “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, faixa de forte teor político presente no álbum Debí Tirar Más Fotos, um dos trabalhos mais elogiados da carreira de Bad Bunny.

Participações latinas e diversidade no maior palco do mundo

Além das performances musicais, o show foi marcado por participações especiais que reforçaram a presença latina no evento mais assistido da televisão mundial. Entre os nomes que apareceram ao longo da apresentação estiveram Pedro Pascal, Cardi B, Karol G e Jessica Alba, ampliando ainda mais a mensagem de diversidade e representatividade.

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Uma aula de geografia em rede global

O momento mais simbólico do espetáculo veio ao final. Bad Bunny fez uma crítica direta à ideia de que “América” se resume aos Estados Unidos. Em uma cena impactante, bandeiras dos 35 países que compõem o continente americano foram exibidas, reforçando a noção de que a América é plural, diversa e construída por múltiplas histórias.

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A mensagem “Juntos, nós somos a América”, escrita em uma bola de futebol americano, sintetizou o recado. Bad Bunny citou o nome de cada país do continente — incluindo o Brasil — deixando Estados Unidos e Canadá por último, invertendo simbolicamente a lógica hegemônica que costuma apagar a América Latina.

Cantar em espanhol também é um ato político

Mais do que uma celebração cultural, o show também foi um ato de resistência. Bad Bunny se apresentou inteiramente em espanhol no país que, historicamente, marginaliza e criminaliza imigrantes latinos. Em meio a denúncias de deportações violentas e ações abusivas do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), o simples ato de falar espanhol ainda é alvo de preconceito e repressão em diversas regiões dos EUA.

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Ao ocupar o Super Bowl com sua língua, sua cultura e sua identidade, Bad Bunny deixou um recado claro: existir, falar e se expressar também é um gesto político.

No maior palco do entretenimento mundial, ele mostrou que a América é maior, mais diversa e mais latina do que muitos gostariam de admitir.


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