No último ensaio técnico da escola da Estação Primeira da Mangueira, realizado na sexta-feira (06/02), a Avenida também foi espaço de alerta e conscientização ambiental. A Musa da Mangueira Thay Barbosa desfilou na Marquês da Sapucaí com um look construído manualmente a partir da reciclagem de mais de 200 garrafas pet, trazendo à reflexão sobre um dado alarmante: o Rio Amazonas é o segundo mais poluído do mundo por plástico e microplásticos.


O look é idealizado e executado pela estilista Thaís Alana, cria da Baixada Fluminense, entusiasta da moda, do carnaval e da comunicação. Thaís explica que a ideia do look surgiu em novembro de 2025 a partir da frase ‘Corre água, jorra vida’ que faz parte do samba enredo da Mangueira deste ano e desde então passou a se aprofundar no tema. A estilista também conta que cada etapa do figurino foi feita de forma artesanal. As garrafas passam por um processo rigoroso de lavagem, corte, lixamento e queima, seguido de pintura e um tempo mínimo de 24 horas de secagem antes da montagem final da peça. Além da mensagem de conscientização ambiental, o look também levanta o debate sobre consumo consciente. Com custo financeiro praticamente zero, a peça mostra que criatividade, tempo e dedicação podem substituir o consumo excessivo, sem abrir mão do estilo e simbolismo. Para a estilista, o figurino ressignifica materiais descartados e evidência a potência da moda como ferramenta de comunicação e transformação social.
“Nosso corpo é político e somos responsáveis pela comunicação a partir dele. Quando o lixo vira arte, o desfile deixa de ser só espetáculo e passa a ser mensagem. É sobre olhar para o que descartamos e entender nossa responsabilidade coletiva. O carnaval é o maior evento cultural do Brasil e podemos usar esse espaço para conscientizar e trazer à memória sobre o futuro que queremos” alerta Thaís, que ainda acrescenta que o trabalho manual foi demorado e minucioso, levando cerca de um mês para a construção do figurino.
A criação do look também dialoga diretamente com o enredo deste ano da escola de samba Estação Primeira da Mangueira ‘Mestre Sacaca do Encanto do Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra’, que reverencia à floresta, seus saberes ancestrais e a resistência dos povos amazônicos. O figurino surge como extensão visual desse discurso, transformando resíduos em arte e provocação.
Thay Barbosa é nascida e criada no Morro da Mangueira e desfila na escola verde e rosa desde os seis anos de idade. Em 2023, Thay se tornou musa da Estação Primeira e foi capa do enredo ‘As Áfricas que a Bahia canta’. A musa enfatiza a importância da visibilidade de estar em uma Avenida para trazer um debate importante para a sociedade. “Aproveitar essa oportunidade para vestir um figurino que traz uma reflexão e crítica ambiental é mostrar que o carnaval vai muito além do lazer, é conscientização, arte, moda, política e memória”, afirma.
No Carnaval, onde tudo é comunicado por meio da arte, o figurino de Thay Barbosa reforça que a festa também pode ser espaço de conscientização, memória e futuro.




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