A parceria entre a Kenner e o Coletivo 2050 segue mostrando que tecnologia também é território de disputa, memória e imaginação preta. A Imersão XR, que reuniu 12 artistas em uma residência focada em arte, moda e tecnologias imersivas, abriu espaço para que diferentes trajetórias se encontrassem em processos que cruzam o fazer manual, o digital e as tecnologias ancestrais.

Imersão XR Foto: Nayane Silva

Durante a experiência, artistas de linguagens diversas refletiram sobre acesso, criação, identidade e futuro. Em entrevistas realizadas pelo Cultura Preta, cada participante revelou como essa vivência impactou seus processos e o que o público pode esperar da exposição final.

Tecnologia como herança e reencontro

Para a artista entrevistada por Thuany Ribeiro, criar com tecnologia não é ruptura, mas continuidade histórica.

“Criar com tecnologia não é um passo rumo ao desconhecido, mas um reencontro. A tecnologia é, antes de tudo, uma herança nossa. A base de tudo isso — os números, a lógica binária e os modelos matemáticos — nasceu com a população negra.”

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A artista destaca que sua prática une pintura, cerâmica e XR para reafirmar que a inovação tecnológica é uma extensão das tecnologias ancestrais de sobrevivência, memória e encanto.

Tradição manual em diálogo com novos espaços

Juan ressalta que, em seu processo, a tecnologia aparece como apoio, sem substituir o fazer manual.

“A criação nasce da experiência, da memória e do fazer manual. A tecnologia entra mais como apoio e pesquisa.”

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Sobre a Imersão XR, o artista vê a experiência como uma ponte entre linguagens tradicionais e novos espaços de circulação.

Olhar periférico e acesso aos meios de produção

Edu Ribeiro reforça a importância de ocupar espaços tecnológicos a partir de um olhar periférico.

“Ter um olhar periférico é necessário em artes com o objetivo de impactar. Mesclar isso com o avanço tecnológico é abrir espaço para mais opções nos meios de produção.”

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Para o artista, a Imersão XR também funciona como uma grande aula sobre o mercado e seus avanços, ainda que o acesso às tecnologias siga sendo um desafio para artistas independentes.

Tecnologia como otimização e preservação cultural

Bernardo Pormenor enxerga a tecnologia como ferramenta de apoio à rotina intensa do dia a dia.

“A Imersão XR representa a importância da tecnologia como ferramenta de otimização de processos, principalmente pra gente que vive na correria.”

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Na exposição final, o artista promete uma obra profundamente conectada à cultura ancestral.

“O público pode esperar muito conceito e muita conexão com nossa cultura ancestral, que fico com medo de ser perdida.”

Moda, sustentabilidade e saberes compartilhados

Mayara Amaral destaca que a Imersão XR dialoga diretamente com suas crenças enquanto artista e pesquisadora.

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“A imersão representa a junção de muitas coisas que acredito enquanto artista, principalmente quando observo outros artistas que, mesmo sendo de territórios diferentes, partilham histórias e vivências em comum.”

Com formação em moda, ela ressalta como a tecnologia amplia possibilidades de criação, mesmo diante dos desafios financeiros que ainda limitam o acesso.

Moda carioca, futuro e colaboração

Calvet aponta a Imersão XR como um espaço criativo e colaborativo raro no cenário artístico.

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“Poder criar ao lado de vários artistas com o incentivo de uma marca que todos usamos no dia a dia é algo que muda perspectivas.”

Seu trabalho projeta futuros possíveis para a moda carioca, conectando observação do cotidiano, pesquisa histórica e imaginação.

Do lugar de espectadora à construção do futuro

Monique Ribeiro traz uma reflexão potente sobre corpo, tecnologia e experiência.

“Criar com tecnologia, pra mim, é subverter a lógica fria pra inventar futuros possíveis e plurais.”

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A artista afirma que a Imersão XR teve um peso simbólico importante em sua trajetória.

“Historicamente, somos colocados como espectadores do futuro. A imersão me reposicionou de quem assiste para quem projeta e constrói esse imaginário.”

Entre o digital e o físico

Na exposição final, o público encontrará obras que transitam entre o digital e o físico, entre memória e projeção. Mais do que experimentações tecnológicas, os trabalhos apresentados na Imersão XR revelam como artistas pretos seguem criando futuros a partir de suas próprias referências, reafirmando que tecnologia também é identidade, corpo, território e ancestralidade.

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A parceria entre Kenner e Coletivo 2050 mostra, na prática, que quando artistas pretos ocupam esses espaços, o futuro deixa de ser distante e passa a ser construído no presente.


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