Faleceu nesta semana Gladys West, matemática e cientista norte-americana reconhecida como uma das mentes fundamentais por trás do desenvolvimento do GPS (Sistema de Posicionamento Global). Aos 95 anos, West deixa um legado que atravessa a ciência, a tecnologia e a luta por reconhecimento de mulheres negras em áreas historicamente dominadas por homens brancos.

Gladys West Foto: Reprodução

Nascida em Dinwiddie County, na Virgínia, em meio à segregação racial nos Estados Unidos, Gladys West construiu sua trajetória enfrentando as barreiras impostas pelo racismo estrutural e pelo machismo. Ainda jovem, se destacou nos estudos e conquistou bolsas que lhe permitiram seguir carreira acadêmica em matemática — um feito raro para mulheres negras durante a era das leis de Jim Crow.

Sua contribuição mais impactante aconteceu no Naval Surface Warfare Center, onde foi uma das primeiras mulheres negras a integrar a equipe científica. Lá, West desenvolveu modelos matemáticos e programas de computador responsáveis por calcular com precisão o formato da Terra a partir de dados de satélites. Esses estudos foram decisivos para tornar possível a navegação por GPS como conhecemos hoje.

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Durante décadas, seu trabalho permaneceu pouco reconhecido pelo grande público, mesmo sendo essencial para tecnologias usadas diariamente por bilhões de pessoas — de aplicativos de mobilidade a sistemas de aviação e resgate. O reconhecimento mais amplo veio tardiamente, quando Gladys West passou a ser celebrada como pioneira negra nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

A morte de Gladys West representa a perda de uma gigante da ciência, mas seu legado permanece vivo. Sua história escancara como mulheres negras foram — e seguem sendo — fundamentais para avanços tecnológicos globais, mesmo quando seus nomes são apagados ou silenciados.

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No Cultura Preta, sua trajetória é lembrada como símbolo de excelência, resistência e transformação, inspirando novas gerações a ocuparem espaços onde a presença negra sempre foi negada — mas nunca ausente.


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