Entre as belezas do Recôncavo Baiano, o município de Catu – no interior da Bahia, se destaca por abrigar um dos mais importantes santuários artísticos no Brasil, em homenagem viva à cultura afrodiaspórica e à matriz africana: o Ateliê Museu Ed Ribeiro.


O espaço, que também é o retiro pessoal do ‘Pintor dos Orixás’, Ed Ribeiro, ficou conhecido pela conexão entre o sagrado, arte e espiritualidade; fundado há cerca de 16 anos ao leste do território baiano. Rota turística para quem vai renovar o axé e os votos à deidades ancestrais, o ateliê é um dos destinos mais cotados para visitação na cidade de Catu.
Localizado na zona rural da ‘cidade do ouro negro’, a atmosfera convidativa permeia às obras ao longo do caminho. Virando à Praça Gratidão, logo após o cartão-postal do ‘Jipe de Pedra’, esculpido pelo próprio artista em 2019, o Ateliê Museu dá às boas-vindas aos convidados com obras que reverenciam a cultura africana.
Entre elas, quadros pintados através da técnica internacional do ‘Derramamento de Tinta’, assinados com exclusividade por Ed Ribeiro, como Iansã, Oxalufã, Oxum e Oxóssi tomam conta das paredes e tripés espalhados pelo ambiente. À céu aberto, próximo ao conversível amarelo, obras de ‘Iansã’ e ‘Xangô’ se misturam ao pé de dendezeiro, trazendo as boas energias do casal do dendê.
Durante à visita ao Ateliê Museu Ed Ribeiro, o público pode ainda se deparar com outras esculturas autorais, como a ‘Maria Mulambo’, ‘Dinossauro’ e o ‘Cristo Carregando a Cruz’; feitas através de árvores mortas ou queimadas que passam a ganhar vida nas mãos do artista plástico, integrando o paisagismo local.
“Esse ateliê é minha casa, meu cantinho. Eu gosto de mostrar para todo mundo que vem visitar, como a arte e a espiritualidade andam juntas aqui. Catu se tornou, com a fundação desse espaço, um destino ainda mais turístico não só pelos encantos da região, mas pela espiritualidade conectada aos Orixás desse santuário”, comenta.
Carregando axé, histórias e tradição, o primeiro andar do ateliê traz ainda um memorial dedicado à Mãe Stella de Oxóssi. Com elementos originais da República do Congo, as nove peças que representam o ‘Assentamento de Ogum‘ chamam atenção pelo acervo exclusivo do artista.
Inserido há duas décadas no universo da arte, Ed Ribeiro ficou conhecido pelas obras que valorizam a ancestralidade da matriz africana. Criando um percurso que conecta os visitantes às tradições dos Orixás e ao patrimônio cultural do Recôncavo Baiano, o artista reforça a experiência do local como espaço de memória, criação e fé.
“O ‘Santuário dos Orixás’ ou o ‘Ateliê Museu Ed Ribeiro’, independente da grafia, esse é um território de cura, axé e boas energias. Quem vem para cá, fica fascinado com o paisagismo e à herança que atravessa séculos de história entre o Brasil e a África. Nesse espaço de devoção aos Orixás, se reconectar com a ancestralidade é uma parada obrigatória”, conclui Ed Ribeiro.




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