Escrito por Tamy Reis

Eu sempre acreditei que o Boom Bap nunca foi embora. Ele apenas deixou de ser o centro por um tempo, enquanto outras sonoridades ganharam mais visibilidade. O rap cresceu, se expandiu, abraçou o trap, o grime, os beats eletrônicos. Mesmo assim, a base permaneceu firme. O Boom Bap continuou existindo, sendo cultivado por quem entende sua importância.

DJ Tamy Foto: Maria Paula Freire

O Boom Bap é raiz, é escola, é onde a palavra ganha destaque. É ali que a mensagem fica clara, que a letra respira. Por isso, eu gosto tanto de ver novos artistas se aproximando dessa sonoridade. Não é sobre rejeitar o novo, é sobre entender de onde tudo veio.

Conversando com a artista Torya, isso ficou ainda mais evidente. Para ela, a essência do Boom Bap segue a mesma desde o início. “Pra mim, a mesma de quando nasceu; protesto, resistência, desabafo, realidades, inúmeras e diversas realidades.” Essa definição resume muito bem o que esse estilo carrega até hoje.

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Existe também essa ideia de que o Boom Bap teria sumido e agora estaria voltando. Eu não concordo com isso. E a Torya também não. “Nunca saiu de cena, isso pode ser comprovado pelos nossos queridos MCs de batalha e pioneiros do rap, mas isso não significa que não esteja também num novo momento. A música vive em constante metamorfose, principalmente na era da internet.” Essa fala explica exatamente o que estamos vivendo agora

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O que eu vejo é uma nova geração que não quer se limitar a tendências passageiras. Eles estão resgatando o bumbo e a caixa, colocando a palavra no centro e buscando identidade. Isso diz muito sobre o momento atual do rap. É memória, mas também é reinvenção.

O Boom Bap também ocupa um lugar muito importante como ferramenta de resistência cultural. E isso vai além do rap. Como a própria Torya destaca, “com certeza! Acredito que o Boom Bap e mais, o funk funcionam como espaço de resistência cultural muito forte, principalmente quando se juntam. Afinal, cultura é o que nasce onde vivemos, e nós sentimos marcas do lugar que nascemos.”

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Eu vejo esse movimento com muita alegria. O Boom Bap não é nostalgia vazia. Ele é continuidade, identidade e consciência. Ele mostra que o rap pode evoluir sem apagar suas origens. E enquanto houver verdade, vivência e respeito pela história, essa sonoridade sempre vai encontrar espaço para existir.

O Boom Bap segue vivo. Em transformação, em diálogo com o presente, mas sem perder aquilo que o fez nascer.


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