No dia 4 de outubro de 2025, durante uma partida entre Batel Guarapuava e Nacional-PR, válida pela Taça FPF, o zagueiro Paulo Vitor (PV) denunciou ter sido alvo de injúria racial por parte do volante Diego, do Batel. A reação de PV, ao desferir um soco no agressor, resultou em uma punição mais severa para ele: 10 jogos de suspensão, contra 7 jogos para Diego, que também foi multado em R$ 2 mil.

De acordo com a súmula da partida, a injúria aconteceu aos 41 minutos do segundo tempo, em uma disputa dentro da área. A ofensa foi presenciada por outros jogadores e relatada à arbitragem, que acionou o protocolo antirracismo da CBF, erguendo os braços em “X”.

A reação de PV veio logo em seguida. O jogador, visivelmente abalado, deu um soco no agressor. O caso foi registrado pela arbitragem e encaminhado ao Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR), que julgou o episódio neste mês de outubro.

O resultado do julgamento gerou revolta:
• Diego, o autor da ofensa racista, recebeu 7 jogos de suspensão e uma multa de R$ 2 mil, enquadrado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de atos discriminatórios.

• Já PV, a vítima, foi punido com 10 jogos de suspensão, sendo 6 por uma suposta cusparada e 4 pelo soco que desferiu em reação à ofensa.

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O clube Batel foi denunciado por omissão, mas acabou absolvido, após apresentar nota pública de repúdio e comunicar a demissão de Diego.

A decisão do tribunal foi recebida com indignação por torcedores, ativistas e profissionais do esporte. Nas redes sociais, a expressão “a vítima virou réu” ganhou força, acompanhada de críticas à forma como o sistema esportivo trata o racismo.

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“Mais uma vez, o racismo não só agride — ele é legitimado. Quando quem sofre é punido com mais rigor que o agressor, o que se está dizendo é que o racismo continua sendo tolerado”, comentou uma ativista em publicação que viralizou no X (antigo Twitter).

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Especialistas lembram que o racismo no futebol segue sendo tratado de maneira desigual. Embora o CBJD preveja punições severas para quem pratica atos discriminatórios, os julgamentos ainda refletem a falta de sensibilidade racial dentro da estrutura esportiva.

A Federação Paranaense de Futebol (FPF) afirmou, em nota, que seguirá os protocolos previstos e reforçou o compromisso contra o racismo. O Nacional-PR, clube de PV, informou que pretende recorrer da decisão.


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