No mês de julho, a dramaturgia negra escreve um novo capítulo na história de Salvador. Isso porquê entre os dias 9 e 14 do próximo mês, acontece a sétima edição do ‘Melanina Acentuada Festival’ – um festival que une espetáculos teatrais, música, dramaturgia, literatura e poéticas alicerçadas na cultura negra.

Ocupando diversos pontos da cidade, o ano VII do Festival percorrerá os bairros da Federação, Pituba, Rio Vermelho e Vitória, promovendo um intercâmbio de teatros e espaços culturais, ampliando o acesso às narrativas africanas e fortalecendo as discussões afrocentradas na cena soteropolitana.  

Repleto de novas atrações, o Pátio Viração da Casa Rosa – localizado na Praça Colombo, Rio Vermelho – abre a temporada do Melanina com um show da cantora e compositora baiana Sued Nunes, que sobe ao palco no dia 9 de julho, quarta-feira, à partir das 20h.         

Após a abertura oficial do festival, o roteiro de espetáculos se inicia no Teatro do Goethe-Institut , passando pelo Teatro Jorge Amado, Teatro Cambará da Casa Rosa e o Cineteatro 2 de Julho. 

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Consolidando a cena afrocultural da Bahia, o Melanina Acentuada Festival nasceu em 2012, idealizado pelo autor, ator, diretor e produtor Aldri Anunciação. Dedicado à promoção e valorização de narrativas, autores, artistas, atores e dramaturgos negros, o festival acumula a apresentação de mais de 40 espetáculos – sucessos de bilheteria – ao longo de toda a sua trajetória. 

Para o ano VII, a concept art dos espetáculos estão alinhadas em torno da ‘Ancestralidade Futurística’ – que permeia, discorre e vivência as narrativas negras. Sensível às existências contemporâneas, a ausência de linearidade na construção dramaturga ficcional permite que os espetáculos alternem entre o passado e presente, dialogando através das lentes da diáspora africana. Essa linguagem artística visa enriquecer as histórias narradas nos palcos, introduzindo o público ao conceito de ‘Afrofuturismo e Ancestralidade’ nesta nova edição. 

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A ‘Ancestralidade Futurística’ surge como ferramenta de construção dramatúrgica ficcional, sendo a ‘concept art’ que permeia a construção de histórias, de como nos relacionamos com o tempo. Você precisa lidar com o tempo, distribuir a jornada dos personagens. Aqui temos essa expansão da terminologia temporal, então temos que capturá-la e provocar no público o porquê é importante para a dramaturgia pensar no tempo dessa forma, sem linearidade. O porquê de ser Melanina. É assim que o Afrofuturismo, e sua ancestralidade, surgem como ferramenta da construção de histórias“, comenta Aldri Anunciação.

Os questionamentos acerca da ótica afrocentrada – que mistura elementos ancestrais e futuristas, está presente em toda a grade de atividades, a começar pela apresentação de espetáculos; ateliê de ideias e criação corporal; intercâmbios e conexões, com o Café Melanina; show de música e ancestralidade; consultorias e escrita dramatúrgicas; performance de dança; recital performático; compartilhamento de poéticas; e entrevistas públicas.  

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Para 2025, a edição retorna com o aclamado sucesso de bilheteria, ‘MACACOS’, de Clayton Nascimento, que delibera sobre o racismo no Brasil através da arte e poética; acompanhado da adaptação ‘Ana e Tadeu’, de Mônica Santana, que abre o circuito de espetáculos já na quinta-feira, dia 10. O ano VII do festival também conta com a estreia nacional do indicado ao Prêmio Shell de Teatro em 2 categorias,  ’Parto Pavilhão’, de Jhonny Salaberg; o espetáculo ‘Embarque Imediato’, de Aldri Anunciação; ‘Um Ritual – Recital Performático’, de Jamile Cazumbá; e a estréia – diretamente do Vale do Capão, na Chapada Diamantina – da ‘Pretamorphosis’, de Toni Silva.  

Com um recorte de sete ateliês em sua 7ª edição, a ensaísta, dramaturga e professora da UFMG, Leda Maria Martins, assina o ‘1º Ateliê de Ideias’ do festival – que acontece no dia 10 de julho, a partir das 16h, na Biblioteca do Goethe-Institut. Referência nos estudos sobre ‘Performances do Tempo Espiralar e Poéticas do Corpo-Tela’, Leda pretende dialogar diretamente com o tema central do evento: a Ancestralidade Futurística. Com uma trajetória que articula pesquisa e pensamento crítico, a poetisa assina diversos artigos e livros em periódicos brasileiros e estrangeiros, além do livro ‘Os Dias Anônimos’, pela Editora 7 Letras.

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Outros destaques da programação incluem os atores Antônio e Rocco Pitanga, que integram o espetáculo Embarque Imediato, e Clayton Nascimento – vencedor do prêmio Shell Melhor Ator em 2023, sendo o quarto ator negro mais jovem à receber esse reconhecimento no Brasil. Já o dramaturgo Jhonny Salaberg faz sua estreia em Salvador com Parto Pavilhão, em uma trajetória marcada por obras premiadas e adotadas em estudos do teatro negro na Noruega. Outra atração confirmada é a do DJ, ator, MC e pesquisador da cultura diaspórica, Eugênio Lima, que assina a sua participação no festival ao compartilhar reflexões e experiências relacionadas à Poética do Teatro Hip Hop, com o tema desta edição.

Por mais um ano consecutivo, o evento segue abrindo espaço para jovens escritores negros, oferecendo consultorias dramatúrgicas que visam aprimorar as suas competências na escrita ficcional. Além disso, o festival conta com entrevistas públicas e compartilhamentos de poéticas, criando uma verdadeira imersão dos saberes ancestrais, permitindo ao público explorar suas raízes, histórias e formas de expressão.

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Em sua sétima edição, o Melanina Acentuada Festival recebe a assinatura de novas personalidades e figuras conhecidas na cena dramaturga cultural, a exemplo de Diego Araúja, Antônio e Rocco Pitanga, Leda Maria Martins, Toni Silva, Jamile Cazumbá, Clayton Nascimento, Aysha Nascimento, Eugênio Lima (Teatro Hip Hop), Jhonny Salaberg (SP) e Mônica Santana (BA). 

“A ‘Ancestralidade Futurística’ não é apenas uma estética visual ou temática, ela é uma tecnologia narrativa que reorganiza o tempo e a memória a partir das nossas referências negras. É uma forma de dramaturgia que rompe com a linearidade ocidental e propõe outras maneiras de existir em cena, de contar histórias, de construir futuro sem abrir mão das nossas raízes. O que fazemos aqui é afirmar que nossas ancestralidades também são motor de invenção, que nossos passados não estão presos, mas em movimento, nos impulsionando a ir sempre adiante”, conclui Aldri

Todas as atividades do Melanina Acentuada Festival são gratuitas, exceto os espetáculos, que possuem valor simbólico de R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Viabilizando a integração, o festival dispõe de 5% da lotação do espaço para acessibilidade e 10% distribuída gratuitamente para estudantes de escolas estaduais. Para participar, os ingressos para os espetáculos poderão ser adquiridos através do Sympla.


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