Quando duas mineiras decidem ir em busca do sonho de serem atrizes, o resultado pode se tornar uma uma história premiada. Foi o que fez Maíra Sá Ribeiro, atriz, roteirista e diretora, que venceu o Prêmio Curta Rio com o filme “Todo Mundo Ama o Rio”. O concurso selecionou histórias inspiradoras sobre o Rio de Janeiro, em celebração aos 460 anos da cidade. Gravado no Vidigal, o curta-metragem de Maíra conquistou o júri ao retratar, com carisma e bom humor a jornada de duas jovens do interior que desejam um lugar ao sol na Cidade Maravilhosa. A celebração que marcará a entrega do prêmio acontece nesta quinta-feira (24).

Maíra Sá Ribeiro Foto: Divulgação

Maíra, que é natural de Montes Claros, em Minas Gerais, chegou ao Rio com apenas 17 anos e muita coragem. “Eu sempre quis ser atriz, desde criança. Meu aniversário de seis anos foi com o tema circo e teatro. Depois, fiz parte do grupo de dança Banzé, que me deu experiência de palco e me levou a viajar o Brasil”, conta. Ainda na adolescência, conheceu Ludmilla D’Angelis, uma atriz indígena que morava no Rio e se tornaria uma peça-chave em sua história. “Faltando três dias pra começar uma faculdade em Minas, eu desisti. Disse aos meus pais que precisava me mudar pro rio e seguir o meu sonho. Abri mão de muitas coisas para ir atrás do meu sonho. E foi Ludmilla quem me recebeu”, ela conta.

Hoje, com 28 anos, Maíra já participou de diversas peças e produções de audiovisual. Seu último trabalho em novela foi “ Quanto mais Vida Melhor “, na Globo. Ela mora há cinco anos no Vidigal e já foi integrante do tradicional grupo de teatro Nós do Morro. “Desde a primeira vez que pisei no Vidigal, me apaixonei. Eu procurava motivos pra não ir embora. Aqui tem arte, cultura e gente que me inspira todos os dias. O Vidigal tem algo que me lembra Minas, essa coisa da segurança, de conhecer seus vizinhos, da coletividade. Me sinto no interior aqui, é diferente de qualquer outro bairro do Rio. Me sinto em casa”, afirma.

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O curta vencedor nasceu de um impulso criativo. Três dias antes de embarcar para Nova York, onde teria compromissos profissionais, Maíra soube das inscrições para o Prêmio Curta Rio e decidiu participar. Escreveu, dirigiu, atuou e assim nasceu “Todo Mundo Ama o Rio”, que mistura ficção e realidade. “A história tem um pouco de mim, dessa ilusão meio Maria de Fátima, de Vale Tudo, sabe? Mas não no sentido vilanesco, e sim no desejo de sair de um lugar estagnado e buscar algo maior, em um lugar como o Rio, onde há mais oportunidades. É uma sátira e, ao mesmo tempo, uma homenagem ao Rio, que me transformou de muitas formas.”

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Apesar de já ter sido premiada como atriz — venceu os prêmios de Melhor Atriz e Melhor Filme com “Corrida para Seattle”, produção que chegou a concorrer nos festivais Filmapalooza e Cannes 2025 —, essa é a primeira vez que Maíra conquista um prêmio como diretora e roteirista. “Coloquei em prática tudo que aprendi com os Irmãos Carvalho, dois diretores incríveis que admiro muito. Dentro desse curso, tivemos uma aula com o Luciano Vidigal. Ele contou que o primeiro prêmio da carreira dele tinha sido justamente o Prêmio Curta Rio. No dia da entrega do troféu que vou receber, Luciano ainda vai dar uma palestra. É como se tudo estivesse se conectando. Isso só me mostra que estou no caminho certo”, ela ressalta.

Ela espera que o curta leve uma mistura de alegria e suspiro ao público: “É humor com um choque de realidade. Mostrar que ser atriz não é chegar no Rio e ir direto pra Globo. Tem muito chão. E também é uma forma de evidenciar meu amor pelo Vidigal. Essa vista, esse lugar, essa gente — espero que o público sinta um pouco do que eu vivo aqui todos os dias”, conclui Maíra.


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