Na manhã desta quinta-feira (10), representantes dos ternos de Congado, da comunidade negra e das religiões de matriz africana de Uberlândia realizaram um protesto na Câmara Municipal. A manifestação foi motivada por declarações da vereadora Janaína Guimarães (PL), feitas durante sessão na última segunda-feira (7), em que criticou de forma agressiva o repasse de verbas federais destinadas à cultura local, utilizando a expressão “Cultural é o c4r4lh0”. A fala foi amplamente considerada ofensiva, desrespeitosa e discriminatória, especialmente por atingir manifestações culturais tradicionais de origem afro-brasileira.

Vereadora Janaína Guimarães (PL) que proferiu falar racistas e preconceituosas na ultima segunda (7) Foto: Reprodução/Instagram

O Congado é uma manifestação cultural e religiosa secular, presente em várias regiões do Brasil, e tem forte presença em Minas Gerais. Em Uberlândia, os ternos de Congado representam não apenas a preservação de uma tradição, mas também a resistência histórica da população negra e sua contribuição para a identidade cultural da cidade. Os participantes do movimento alegam que a fala da vereadora reforça discursos de intolerância religiosa e desvalorização da cultura afro-brasileira.

A caminhada partiu de um ponto simbólico da cidade e seguiu até a Câmara Municipal. Lá, o grupo tentou dialogar com a vereadora Janaina Guimarães, dirigindo-se até seu gabinete, que se encontrava fechado. A parlamentar não foi vista na Casa durante o ato, que coincidiu com uma plenária com a presença de outros vereadores. Diversos parlamentares se solidarizaram com os manifestantes, destacando a importância do Congado e da cultura afro-brasileira para o município.

“É um dever nosso combater qualquer manifestação de intolerância religiosa e racismo nesta Casa”, declarou a vereadora Amanda Gondim (PSB), ao usar a tribuna para manifestar apoio ao movimento.

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Durante o protesto, representantes das comunidades envolvidas entregaram um documento solicitando a retirada de Janaina Guimarães da Comissão de Cultura da Câmara Municipal, alegando falta de compromisso com a diversidade e o respeito às expressões culturais. Também foi formalizado o pedido de cassação de seu mandato, com base em quebra de decoro parlamentar.

O caso gerou grande repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre racismo estrutural, liberdade religiosa e a responsabilidade de representantes públicos em relação à cultura e à diversidade da população que representam.


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