
A miséria que leva a pobreza extrema, que gera a fome, a essa fome que mata aos poucos, que causa uma noia na cabeça do faminto. Noia essa; que é provocada pela abstinência de não ter do que se alimentar, por causa da codependência que os miseráveis, necessariamente tem com a fome, e por outro lado: e consequentemente, o trauma que a fome provoca nos miseráveis. Por causa exatamente da insegurança alimentar, e que é, explorada por uma minoria que defende não só uma eugenia, como também defende escravização dos mais pobres. E a fome por vez, que é algo tão fisiológico, como psicológico, tanto quanto por causa de questões socioculturais, e exatamente: e principalmente, por fazer parte da natureza fisiológica, psicossocial, dos seres humanos. E sabemos nós, que a nutrição, é algo necessário para a sobrevivência de qualquer ser vivo, inclusive a nós seres humanos. E que a fome, pode até não ser chamada e ser conceituada de instinto de sobrevivência, mas a razão da nossa psique, entender a dor da fome, como um sinal de perigo, que alerta até os nossos instintos mais primitivos. Se dá pelo fato dá fome ser uma espécie de gatilho, igualmente é um tipo de sentido, similar o instinto de sobrevivência, que nesse caso: o instinto é ativado através da dor que a fome provoca, quando é disparado um sinal de alerta, do corpo para o cérebro, informando ao cérebro, que o corpo precisa ser nutrido imediatamente, para continuar vivendo. E é daqui, que se infere que a fome: é algo tão fisiológico, como psicológico a nós seres humanos, pois sem nos alimentarmos, o corpo padece até morremos. Pela razão esta, a fome não ser só a dor, que a nossa consciência e o corpo sentem, quando este precisa se nutrir, para não morrer de desnutrição. Mas pelo fato da fome poder ser considerada também, como uma doença, que não tratada como se deve, pode levar a morte como uma doença cancerígena por exemplo. Sendo essa morte provocada tanto por desnutrição, quanto por uma morte causada por questões psicossocial. Então não é à toa, que existe entre os famosos ditados populares, este que descreve perfeitamente, essa necessidade de nutrição, que o corpo tem fisiologicamente, que é o famoso: ” saco vazio não para em pé”. Porque a nutrição, a necessidade de alimentação, é intrinsecamente condicionado a necessidade de sobrevivência dos seres humanos. Logo quem não come, quem não consegue matar a fome, corre o risco de morrer de desnutrição, exatamente por não se alimentar. E colige-se por essas razões; que a paranoia da fome, que é criada através da psicose da fome, que nasce do medo da morte e da dor da fome. O medo que advém exatamente do fato do prato vazio, da panela vazia, da falta da alimentação básica diária que nos seres humanos necessitamos para sobreviver. Noia do medo de passar fome, por não ter o que comer, por vários dias, por causa do estado de extrema pobreza crônico, também faz parte do processo de desnutrição e ao mesmo tempo; é também uma espécie de patologia social. Que deriva-se primeiramente: dessa necessidade, que o corpo humano tem intrinsecamente, de nutrir-se para a própria sobrevivência. Como efeito disso, a paranoia da fome, torna se uma doença psicossocial, na vida do faminto, vítima da pobreza absoluta, assim como da própria sociedade que é o hospedeiro dessa patologia social. Primeiramente pelo próprio medo da morte e consequentemente, por causa da dor, sofrimento e o próprio medo da morte que é causado por causa da desnutrição provocada pela noia da fome e por ser presa da miséria social. Portanto, ter pessoas que passam fome, é injustificado, e aceitar esse fato, é um absurdo. Assim como permitir que o capitalismo, e que o racismo, façam tantas vítimas e isso tudo ainda; sobre o próprio lucro da fome e do sangue das vítimas do racismo. É completamente desumano, aceitar que pessoas morram de fome no mundo, assim como morram por serem vítima do racismo. Mas infelizmente, quando analisamos o lucro da fome, temos de imediato as razões quais justificam o fato, de ainda termos pessoas, que morram de fome no mundo e da carne do negro, ser a mais barata do mercado. E o pior, tendo sobre os ombros, carregando como uma cruz, com toda grandeza vetorial que o peso que a injustiça social tem. E essa cruz, que é tão pesada, quanto os atos de chicotadas de desumanidade que é o fato de explorar a fome como uma máquina de guerra. Ela faz a humanidade cair em decadência humana mesmo, no estado bruto da barbárie. Pois esse peso infelizmente, vem com o fato de sabermos que muitos, que passam fome, e sofrem com a dor da fome, sofrem e morrem por causa da fome, exatamente pelo fato de ter quem lucra com a fome e a miséria. Entende que combater a fome, tanto como combater o racismo, é algo que é super necessário e urgente. Mas pode até parecer que é um trabalho desperdiçado, é até mesmo parecer que estamos enxugando gelo. Porém combater a extrema pobreza e as garras do capitalismo selvagem, não é uma tarefa fácil e muito menos uma aventura cheia de utopia comunista. É uma guerra entre o bem e o mal, sendo que quem está ganhando essa guerra, infelizmente é o lobo mau. E daqui-se entende as razões, que justificam, o fato dá fome existir e ser uma máquina de guerra, que sufoca e mata muitos que nascem no berço da miséria. Dado que quem paga pela fome, são os famintos, os miseráveis, que são obrigados a passarem fome, para que uma refeição em um restaurante de auto luxo, por exemplo: possa custar cerca de trezentos reais, um simples prato individual, que será capaz de alimentar somente uma única pessoa. E quero deixar bem claro aqui, que até vejo de maneira bem compreensiva, se o valor do prato for caro, ser for para valorizar a arte e iguaria qual o chefe de cozinha está servindo, assim como a sua equipe e todos os funcionários da casa. Mas no caso, sabendo que não é essa a razão, qual faz com que a obra de arte, que o chefe de cozinha prepara, se torna-se uma refeição de auto luxo; tão cara, capaz de provocar desigualdade social. Pelo contrário, mas sabendo que essa iguaria é cara, exatamente por causa dos privilégios dos afortunados, que são sustentado pelos sacrifício, dor e sofrimento dos miseráveis. É essa anomalia ser uma problema social, que é algo que não dá para compreender. Pois é inaceitável que somente uma minoria possa ter condições de alimentar-se diariamente, de uma refeição apetitosa, que custa em média 300,00 reais. Enquanto uma maioria e famintos as vezes, não tem, nem três reais se quer, para pagar uma refeição, em um restaurante popular como o Herbert de Souza, que tem como objetivo principal, combater a fome. O ilógico é o fato de um único Polvo à Lagareiro, custar um valor, qual se compra-se, a quantidade de 100 refeições em um restaurante popular, como o do “Betinho” no centro da Capital Mineira. O sabor amargo desse tempero da fome, encontra-se no fato que na maioria das vezes, o chefe de cozinha, que faz uma verdadeira obra de arte, ao preparar seus magníficos pratos. Não ser valorizado como um verdadeiro artista da culinária como se deve, e muito menos, com respeito e dignidade humana, que todo artista e trabalhador merece. E se esse chefe for uma pessoa preta, ainda vai enfrentar o racismo, como maior barreira para exercer a sua profissão no trabalho e ter o reconhecimento que merece. E esses temperos insólitos, amargam ainda mais o gosto da fome e toda a sua estética. E sabemos nós, que em uma cidade que a miséria faz morada, a injustiça mora ao seu lado. E esse tempero, não é desprivilegio só do nosso tempo; O deleite do banquete que é um privilégio dos afortunados, qual este banquete por sua vez, é sustentando sobre a exploração da própria miséria, é uma doença crônica da humanidade. E portanto esse desprivilegio desse tempero, que é formado por tudo que envolve a desigualdade social, é uma patologia social da humanidade, desde que essa foi estruturada nessa atual forma patriarcal.
E são esses contrastes, provocados por causa da desigualdade social, que nos causa agastamento, ao ponto de sofrermos incomodo com a injustiça social, que é promovida, para que uma pequena parcela da sociedade; vivam na luxuria, através da dor e sofrimento daqueles que sobrevivem na miséria passando e morrendo de fome. E toda essa cólera, que a miséria e a fome nos causam, nos proporciona diversos incômodos sociais. Quais nos fazem questionar uma série de problemas sociais. Como por acaso, em alguma vez, em algum dado momento qualquer, já lhe veio a sua mente, o questionamento das razões, quais condimentam a fome, em ser sempre esse tiro certeiro, que mata e que sempre atinge em cheio, os lares das famílias, que moram nos subúrbios brasileiros? Ou então eventualmente, já se interpelou da pobrefobia existir? Ou em alguma determinada ocasião na vida, já se deparou com algum pedinte solicitando ajuda, desesperadamente, para saciar a fome que sente e qual o tortura diariamente. E daí revolta-se, pelo fato dá fome ser como uma marca feita com ferrete, que como um código de barra, serve para identificar o histórico de um povo marcado como gado. Exatamente pelo fato de saber que a fome mata aos poucos e só se faz presente, diariamente, como uma marca feita a ferro, fogo e brasa, na vida de quem nasce no berço da miséria e à visto disso: sofrer com aporofobia racista. A vista disso que a fome se torna algo para lá de uma questão só sociocultural, assim como fisiológica e psicológica; fazendo mais que parte da fisiologia física da natureza humana. Exatamente pelo fato da miséria: ser uma espécie de herança e a fome ser o seu principal patrimônio, que é transferido de pais para filhos, entre os mais pobres e por outro lado, ser o maior pesadelo dos afortunados que controlam a segurança alimentar, que é o medo de ficarem pobres; como os miseráveis que eles odeiam e exploram. Devido a esse fato da exploração da fome, por parte daqueles que controlam a segurança alimentar, por meio dos meios de produção, que tem como função principal: proteger os privilégios de uma elite pobreofobica e por conseguinte, ser uma máquina de guerra, de eliminar os herdeiros da miséria, que em nosso país, são a maioria de pele preta e que ainda, acabam servindo como matéria prima e mão de obra barata para o capitalismo selvagem. Nos mostra que o miserabilismo, não pode ser considerado só como um acidente social, pois o miserabilismo que afeta a nossa sociedade, é pensado e usado como uma maquina de guerra, nessa forma como ele é explorado pela elite dominante, e pode ser considerado, como um mecanismo de poder dentro da necropolítica como definiu o filósofo camaronês Achille Mbembe. Uma vez que a branquitude dita a regra de quem vai viver e quem vai morrer de fome entre a negritude. Claro, sabendo nós, quem são os controladores da segurança alimentar e quem vivem da exploração dela. E sabendo que quem controla a segurança alimentar e quem vive da exploração dela, vivem de privilégios construidos sobre as estruturas do racismo. Nos permite afirmar e podemos ter essas razões, com fundamentos no pensamento de biopoder e sua técnicas para controlar população em massa, principalmente em sociedades que passam pela descolonização como a nossa. Que a fome é utilizada como uma máquina de guerra, de tortura e de controle de massa, usada pela elite dominante, que vivem na luxuria explorando a pobreza através do racismo e da fome.
Então, não é por acaso que quem tem senso de coletividade, é certo que em algum momento singular, a fome vai lhe provocar desapontamento com a humanidade. Pois é quando o fato de ter pessoas que passam fome, bate em cheio no senso de justiça social e faz quem tem senso de coletividade, questionar, quais os motivos, da fome ainda existir e matar tanta gente. A partir do momento que se encontra a raiz desse problema. É quando a ignição vem com o fato de saber que a fome faz parte da trajetória e da história de vida, da maioria dos afrodescendentes em nosso país; igual a um patrimônio herdado, que é passado de geração em gerações, de pais para filhos. Similar a uma transferência de bens, de direito e obrigações de uma pessoa, que veio a falecer e que deixou para os seus herdeiros, sucessores legais: um patrimônio que sempre vai garantir a esses herdeiros; os privilégios de terem no mínimo: alguma segurança econômica e alimentar. E, aí, como uma via de mão dupla, do outro lado da moeda, por outro lado a fome é passada culturalmente entre os mais pobres, da mesma maneira que os ricos transferem suas riquezas para os seus herdeiros legítimo. Respeitando e seguindo o rito do direito sucessivo, que resguarda e garante a proteção aos bens de uma pessoa, que garante a seus familiares, os direitos desse bem. E por outro lado, do outro lado da carta do baralho, no mapa da fome; os negros, que são a maioria entre os mais pobres, que são a maioria entre os sem casas e estes são quem têm a maior parte; nessa partilha da miséria, que tem a fome e a falta de moradia, como suas probidades principais. Acontecimento que obriga os negros a herdarem a fome de geração em gerações, de pais para filhos, como uma estigma de uma herança maldita, preso em uma noia, em um fome crônica, que sempre vai ser passada, similar como é feito na transferência de uma herança patrimonial. A fome se torna essa “herança patrimonial”, que intrinsecamente, está atrelada na vida do pobre, desde antes mesmo dele nascer, exatamente por causa da miséria crônica na vida dos pobres ser um projeto da elite dominante. Logo a estética da fome, passa por essa presença certa que a fome se faz presente na vida da maioria dos negros no Brasil. Nessa geopolítica dos países que foram colonizados como o Brasil, que o racismo, a fome e a miséria, são estigmas certas, igual uma doença genética, uma máquina de guerra, um biopoder dentro da biopolítica como definiu Foucault. Por causa do racismo científico que foi pensado e é pensado desde o Brasil Colonial por exemplo, com o objetivo de fazer a maioria dos negros nascerem na miséria e permanecerem sobre a noia da fome, sendo essa noia da fome: a corrente que prende os que herdam a miséria, presos nela de tal maneira, que a pobreza é passada de geração em gerações. E por conseguinte, condenados a herdarem: a fome, como se essa fosse, um bem material, tipo uma chaga hereditária, que infelizmente é transmitida até de maneira cultural, algo que cognitivamente sempre vai ser transmitido de geração em gerações, entre aos mais pobres no sistema capitalista. Como se a fome, fosse um bem patrimonial, na vida dos mais pobres e herdada sempre, por aqueles que nascem no berço da miséria. E isso ocorre, por causa de toda uma estrutura racista, construída e pensada pela branquitude, qual foi estruturada de maneira científica; propositalmente para manter a branquitude da sociedade patriarcal, com amplos privilégios sobre a vida dos mais pobres que por sua vez, são de maioria de pele negra como sabemos; e o direito sucessivo, é uma das peças dessas estruturas racistas, que foi pensada de maneira científica, que tem como objetivo principal: obrigar e manter os afro-brasileiros, presos dentro da estrutura da desigualdade social, que sempre vai favorecer o monopólio que a branquitude exerce sobre a negritude no Brasil. Daqui se infere que a desigualdade social, que mantém os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobre em nosso país, é mantida através de uma estrutura racista, que condiciona os pobres a herdarem a fome e por outro lado: proporcionar privilégios que um rico herdeiro, herde sua segurança alimentar, através da sua riqueza adquirida, por meio do direito sucessivo. Por outro lado, o capitalismo selvagem é só o meio econômico, qual os ricos, exploram a pobreza, a luta de classe não representa a peça principal desse quebra cabeça, a peça principal desse quebra cabeça, é o racismo que funda-mentalizado pela eugenia; pregada e defendida por aqueles que defendem e estruturam o pacto narcisista da branquitude, com o objetivo de manter e ser privilegiado pelo o racismo estrutural. No entanto, a miséria, a noia da fome que é usada como arma de guerra, para eliminar e explorar os mais pobres, assim como ser uma corrente do racismo no pescoço dos negros, volta em forma de violência, contra a sociedade; e é aqui, que a burguesia sofre com essa violência se tornando vítima da própria miséria e racismo que ela promove. Uma vez que uma sociedade injustiça, vai promover em sua maioria pessoas injustas. E partindo da perspectiva que a maioria da nossa sociedade é cristã e prega a bondade, a generosidade e o amor como grau de evolução espiritual, assim como humana, só comprova que o problema do mal, é o nosso distanciamento do bem e de Deus. Pois Santo Agostinho, teólogo e filósofo do Cristianismo, caracterizou o problema do mal em três formas, e sendo todas essas formas, temperos certos e presente na desigualdade social, que tornam a fome um problema sociocultural. E essas três formas são a moral, a ontológica e a física. Ou seja, o mal gratuito que a fome promove no mundo por causa da exploração da burguesia é uma questão moral, a fresta de distanciamento da humanidade com bem e de Deus é um ponto ontológico, seguindo o argumento de Santo Agostinho sobre o problema do mal na sociedade e fazendo a analogia com o problema da fome no mundo: o fato da fome ainda matar tanta gente no mundo, é provocado exatamente por causa da exploração da fome, e por essa exploração ser uma questão moral, que explora a condição física da necessidade do corpo humano; sendo o problema da fome matar tanta gente ainda hoje no mundo, uma questão moral e de desumanização, que apresenta as três formas morais que caracterizam o próprio problema do mal apresentado por Santo Agostinho. E se existi uma classe social que comete todos os pecados capitais, com certeza essa classe é a classe burguesa, qual inclusive constrói sua base moral nos ensinamento cristão, da bíblia do Novo Testamento. E devido a isso, consequentemente, encontramos o problema do mal causado por causa dos vícios; e esses vícios são conhecidos como os setes pecados capitais, que leva a pessoa fazer tudo por dinheiro e por poder, só para ser uma pessoa afortunada. E que de certo modo é reprimido e condenado pela bíblia nas seguintes passagens em Mateus 19,23-24 da seguinte maneira: “Em verdade vos digo, dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus. E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus”, assim como na passagem Tiago 5:1-6 que aponta a revolta de Deus contra aqueles que promovem a mal, a injustiça, a miséria e a fome, que na bíblia foi transcrita de seguinte maneira: “Escutem, agora, ricos! Chorem e lamentem, por causa das desgraças que virão sobre vocês. As suas riquezas apodreceram, e as suas roupas foram comidas pelas traças. O seu ouro e a sua prata estão enferrujados, e essa ferrugem será testemunha contra vocês e há de devorar, como fogo, o corpo de vocês. Nestes tempos do fim, vocês ajuntaram tesouros. Eis que o salário dos trabalhadores que fizeram a colheita nos campos de vocês e que foi retido com fraude está clamando; e o clamor dos que fizeram a colheita chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Vocês têm tido uma vida de luxo e de prazeres sobre a terra; têm engordado em dia de matança. Vocês têm condenado e matado o justo, sem que ele ofereça resistência.” A passagem bíblica Tiago 5: 1-6 só descreve que a desigualdade social e a exploração dos ricos sobre os mais pobres, não é um mal do capitalismo em si, mas um próprio mal da humanidade cega por poder e prazeres carnais. Que por sede de ganância, luxo, e por controle alimentar, para ter controle de outros corpos para se manterem na posição de poder. Promovem todo tipo de mal na sociedade, afastando a humanidade do ideal do bem e de Deus. E que por causa dos próprios vícios causados pelos excessos dos setes pecados capitais, essa sociedade está condenada a ser destruída pelo mesmo mal que ela produz, por se afastar do bem e representar toda forma de sofrimento pelo mundo. Pelo fato que o acúmulo de riqueza só promove maldades e injustiças no mundo. E por isso é mais fácil um camelo passar no buraco da agulha, que um rico entrar no reino do céu. Pois não se produz acúmulo de riqueza sem produzir injustiça. E toda essa lógica é pensada sobre a moral e culpa cristã que rege a sociedade patriarcal qual vivemos. A curva desse problema do mal social, é exatamente a exploração de corpos alheios em aproveito próprio, que só serve para sustentar uma estrutura que mantém pessoas escravas do dinheiro que escravizam outros corpos para manter e adquirir mais riquezas. Porém o pacto narcisista da branquitude, qual é a estrutura principal que mantém esse sistema capitalista racista, que é uma máquina de moer e explorar pessoas pretas, foi construído através da exploração dos corpos negros, ao longo de toda revolução burguesa. Revolução que seguiu a moral cristã como régua de bondade para suas praticas e ações. E a fome, sempre foi e sempre vai ser um arma de controle qual o pacto narcisista da branquitude usa para controlar corpos pretos, que estão presos na linha da miséria, exatamente para manter os privilégios da sociedade burguesa cristã, que foi construida através de exploração dos corpos negros, na colonização e exploração das Américas, pelo eurocentrismo; formando esse tempero da fome que é essa máquina de moer corpos negros.
Não sou eu que afirmo, só estou demonstrando o que os fatos históricos registrado ao longo da construção da nossa sociedade demonstram. A estética da fome é esse tempero salgado com o racismo, onde o miresabilismo é mercadoria e a principal matéria prima desse mercado, são os corpos pretos. Então não é acidente do acaso existir desigualdade social no sistema capitalista, não é por acaso a fome matar como uma máquina de guerra e muito menos ser um produto, assim como um mecanismo de controle de corpos. Os traços que rabiscam a fome são pintados através da imoralidade da sociedade patriarcal, que foi pintado com o vermelho do sangue dos corpos negros e dos Povos Originários. O racismo contra os corpos dos negros, são sim o tempero da fome e é usado como um instrumento de controle de massa. Os temperos da fome são vários, mas os principais são o racismo, a pratica dos setes pecados capitais, que são só consequências dos vícios. Por consequência a desigualdade social; e como causadora a sociedade patriarcal e capitalista. Sendo os vícios e os prazeres, a pimenta desse tempero que forma a estética da fome. E a estrutura dessa estética, é a exploração da fome, usando essa como uma máquina de guerra, uma maneira qual os afortunados controlam e exploram os corpos de quem vive na linha da miséria. E sendo que a pitada mais amarga desse tempero é o fato que essa receita de desigualdade social, não é uma anomalia social de agora, é algo que faz parte de toda a estrutura da sociedade patriarcal, construida sobre o machismo, racismo, conservadorismo e falsa moral cristã que explora e mata em nome de Deus, para beneficias uma minoria afortunada que vive sobre a exploração dos miseráveis. O que os fatos históricos nos narram sobre o fato da fome ser uma doença moral da sociedade, é que a fome que é uma necessidade fisiológica do corpo humano, passa ser usada como uma máquina de guerra, qual é usada para controlar, explorar, ou mesmo matar quem vive sobre a pressão da insegurança alimentar, sobre a mira constante e as garras da noia da fome. E esse doença moral é uma patologia social que faz morada nos lares dos afortunados, os verdadeiros culpados pela miséria existir no mundo. Exatamente por esses viverem na luxuria explorando a miséria e fome dos mais pobres. O tempero da fome é toda essa estrutura racista que foi construida para manter a pirâmide da desigualdade social, dando sempre privilégios a branquitude sobre a negritude. Então a fome sendo usada como máquina de guerra, como controle de massa e de piopoder, não é uma questão de acidente. Pelo contrário, é um projeto científico, construido para manter os privilégios de uma elite racista, que é pobreofóbica e que explora; a necessidade mais básica e necessária do corpo humano: que é a nossa necessidade fisiológica de se alimentar para continuar vivendo.
Mauro Aniceto
Bacharel em Filosofia pela UFOP



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