Com objetivo de ressaltar histórias, trajetórias e contribuições valiosas de pessoas negras, o projeto “Todo Dia História Negra”, idealizado pelo empresário, comunicador e fotógrafo Roger Cipó, começou com a proposta de apresentar 30 entrevistas, uma para cada dia do mês, em formato de reels, ao longo de novembro, no Mês da Consciência Negra. Devido ao destaque na rede social, onde chegou a alcançar mais de 230 mil visualizações em um único vídeo, o projeto será ampliado. A partir do dia 1º de janeiro, “Todo Dia História Negra” se estenderá até o dia 31 de dezembro, portanto serão 366 histórias contadas todos os dias ao longo de 2024.


Buscando a autenticidade e destacando que cada história negra é uma narrativa única, rica e poderosa, a partir de janeiro a iniciativa se transformará em uma série contínua, apresentando diariamente, ao longo de todo o ano, entrevistas com pessoas negras cujas histórias podem ser fontes de inspiração e empoderamento. As entrevistas são publicadas no perfil @tododiahistorianegra, no Instagram. Além disso, a série também estará disponível em formato de podcast nas principais plataformas.
A série causou um impacto significativo em seu primeiro mês, alcançando um marco impressionante, com mais de 230 mil visualizações em um único reel, destacado pela participação do cantor Rael. Ao todo, a série já alcançou mais de 2 milhões de pessoas. Este alcance não apenas solidifica a série como uma das iniciativas mais importantes durante o mês da Consciência Negra, mas também a estabelece como um dos destaques mais significativos entre as ações realizadas por criadores de conteúdo independentes.
Segundo o Cipó, a proposta é mostrar as figuras convidadas para além do que se vê nas redes. “Quero mostrar que sucesso não se mede apenas em números, mas na contribuição e valorização da nossa comunidade”, afirma. Uma característica notável da série é a diversidade dos perfis apresentados, refletindo a pluralidade da comunidade negra. A gama de entrevistados vai desde um técnico responsável pela manutenção de microscópios na renomada Fiocruz, um gestor de carreira que trabalhou com Anderson Silva, Mano Brown e Taís Araújo, além de personalidades conhecidas nacionalmente como Rael, Drika Barbosa e Sarah Aline.
Roger Cipó, apontado pela Wired Magazine como uma das 50 pessoas que transformaram a criatividade no Brasil, viaja pelo país para encontrar pessoas que o inspiram, com a intenção de encantar, ensinar, impulsionar e motivar outras pessoas negras através das histórias contadas. “Quando falamos em valorizar a história do nosso povo, estamos falando de quase 60% da população do país, formada por pessoas pretas e pardas. Nossas histórias, muitas vezes, não são valorizadas, celebradas, respeitadas, ou documentadas a partir da nossa perspectiva”, reflete Roger.
Roger Cipó critica a tendência do setor de comunicação de valorizar indivíduos baseando-se em números de seguidores, prêmios ou bens materiais, enfatizando que a importância de uma pessoa vai além desses critérios. “A gente sempre reclama que nossas histórias não são valorizadas pela grande mídia, mas nós estamos ouvindo o que as pessoas ao nosso redor têm a dizer? Você pode olhar ao redor, dar uma volta de 360 graus, e verá que todas as pessoas têm algo interessante e bonito para contar sobre suas vidas”, ressalta.
“Todo Dia História Negra” é um projeto que coloca no centro do debate histórias de pessoas negras humanizadas, não apenas histórias atravessadas por violências do estado ou de uma sociedade racista. “Precisamos de conteúdos que inspirem e apresentem as potencialidades das pessoas negras, não apenas as narrativas de dor e sofrimento. Somos mais do que isso. Lembro de uma entrevista com a professora Sônia Ribeiro, mãe da doutora Katiuscia Ribeiro, que citou o professor Jairo Pereira. Ele nos convida a pensar: o que éramos antes da tragédia? O que somos além dela? A mídia precisa mostrar mais do que apenas nossa dor e sofrimento”, ele destaca. Uma das entrevistadas, Cissa Pereira, por exemplo, falou sobre como se aprofundar no estudo do racismo a adoeceu, mas falar de afeto a ajudou a se fortalecer. “Não é ignorar as tragédias, mas sim mostrar a pluralidade das nossas experiências”, Roger salienta.
Com sua trajetória focada em conectar pessoas, a contribuição de Roger para a sociedade digital no próximo ano será contar 366 dias de histórias inspiradoras de pessoas negras. “Estou pronto para viajar por todas as capitais do Brasil, mesmo sem ter dinheiro para isso”, ele ressalta, demonstrando seu compromisso com o projeto, que ele conduz de forma independente, desde a pesquisa até a finalização e publicação das entrevistas.
“Todo Dia História Negra” não apenas celebra a diversidade e a resiliência da comunidade negra, mas também semeia esperança e empoderamento, redefinindo o significado de sucesso e impacto social no cenário digital.



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