Conclui-se que a luta contra o racismo vai além de uma luta de classe; além de pertencer a ela, pois a luta contra o racismo, é uma luta contra a própria morte e extermínio de uma etnia.

The poor old man’s hands hold an empty bowl. The concept of hunger or poverty. Selective focus. Poverty in retirement.Homeless. Alms

                                                          A Miséria
Pense em algo que não é doce, não é suave e muito menos picante, o seu gosto é pior que o do próprio amargo e mata mais que veneno. E com certeza, pode-se afirmar que não existe tempero no mundo, que tenha o poder suficiente, para melhorar o “dessabor”, que é o desgosto indesejado da fome. A fome é tão “intemperável”, que o seu sabor e o seu cheiro, é confundido com o da própria miséria. Sabe aquele cheiro de catinga de carniça, em seu estado de decomposição, um cheiro mais forte que o fedor inconfundível que é aquele que o chiqueiro tem, um péssimo cheiro que provoca ânsia de vomito na hora, em quem não é acostumado por exemplo: com o mau cheiro de esgoto ao céu aberto. Pois é, o sabor e o cheiro da fome, são piores, que até mesmo o cheiro e o sabor de comida azeda. O desgosto da fome é o tempero na medida certa da miséria, e é uma arma na mão, daqueles que controlam a segurança alimentar, através da exploração da pobreza. E por vez assim, a burguesia dominante, explora a miséria, para que seus privilégios, possam ser sustentados; através desse racismo estrutural, admitindo que o racismo é um dos principais agentes causadores da desigualdade social no mundo. E de fato avalia-se que a fome é dos principais problemas causado pela desigualdade social, e erradicar a fome, assim como a miséria, é algo que tem que ser feito a todo tempo, tão igual é necessário o combate ao racismo. Uma vez que é o racismo estrutural, um dos maiores causadores da miséria e da fome. Do qual, inferimos que não existe tempero, que possa suavizar esse desgosto, que é o racismo, que acaba promovendo tantas mortes, através da fome e da miséria, que é controlada por uma camada privilegiada que se sustenta sobre o racismo que comete.

E também se nota de maneira evidente, que esse fato, não ocorre ao acaso, porém, pelo contrário. Como mostrado pelo fato que a raiz desse problema, se encontra, ou advém de um outro problema social, que infelizmente, somos obrigados a enfrentar diariamente, em qualquer lugar do mundo, que é o racismo. Compreende-se então, que a miséria e a fome se tornaram membros do mesmo corpo do racismo, tendo como sentinela e como um cão faminto, o próprio capitalismo selvagem e predador. E de fato o racismo é um dos maiores, se não é o maior provocador da desigualdade social que provoca a fome e miséria no mundo. E isso faz com que a fome e a miséria se tornem em essa “maquina de guerra”, que o povo preto e pobre tem que enfrentar para sobreviverem dia após dia, superando o genocídio racista que sustenta os privilégios da branquitude. E por vez, verifica-se então, que o racismo é um dos maiores pilares da fome, e por outro lado a fome, é a própria face da miséria, diante do espelho da sociedade capitalista. E observa-se que esse elo da miséria, da fome e do racismo, não ocorre ao acaso, e que não é coincidência essa ligação, mas essa correlação, vem do racismo científico, construído para manter os privilégios da branquitude, que promove o racismo no mundo, não só para se manterem no poder, mas com a intenção de eliminar os negros, ou de tirar a dignidade de qualquer pessoa preta no mundo, cruelmente através do controle alimentar.

Conclui-se que a luta contra o racismo, vai além de uma luta de classe, além de pertencer a própria luta de classe, pois a luta contra o racismo, é uma luta contra a própria morte e extermínio de uma etnia. Ou seja, uma luta contra o genocídio do povo preto. E lutar contra o racismo, além de ser uma luta por sobrevivência, é uma batalha contra a fome e a miséria diariamente que é gerada pelo capitalismo predador. Sendo que a luta de classe, qual a esquerda branca aponta como um dos principais problema da desigualdade social, só debate sobre o poder de quem controla os meios de produção, através da mais valia, controlando a vida dos assalariados. A mais valia promove o racismo? Claro que ajuda promover, porém a luta de classe qual é descrita pela esquerda branca, não foca em uma luta contra o racismo, mas em uma luta de poder, que trata a luta contra o racismo, apenas como identitária. Mesmo a luta contra o racismo, sendo uma luta direta contra aqueles que exploram a mão de obra dos assalariados. E essa luta, é uma guerra que o povo preto tem que enfrentar diariamente para se ter o direito e a liberdade, de ter a própria segurança alimentar nas mãos. E essa peleja não é tarefa fácil e muito menos passiva. É como definiu muito bem Fanon, que por ser uma luta contra os colonizadores e por ser uma luta de descolonização, o colonizador não vai deixar que essa ruptura ocorra de maneira passiva. Pelo contrário, essa corrente só vai ser quebrada de “maneira violenta”. Pois a fome, assim como a miséria, são maquina de matar corpos pretos nas mãos dos genocidas racistas. E erradicar esse tanque de guerra racista, que é exatamente o controle alimentar nas mãos de uma branquitude privilegiada e racista, assim como capitalista e predadora. Não tem outro caminho que não seja combatendo o racismo em todas as suas esferas na sociedade. Dado que o racismo é de fato um dos maiores causadores desse dessabor, que é a desigualdade social que promove a fome e miséria, que acabam sendo estruturas que mantém o racismo estrutural, que controla e elimina os corpos pretos. E por essas razões que quebrar as correntes do racismo estrutural, que sustenta o pacto narcisista da branquitude, qual promove a fome e a miséria, como mecanismo de controle alimentar; e claro, esse mecanismo de poder ser usado por esses “afortunados” , exatamente para esses, se manterem no poder, no topo da pirâmide social e evidentemente usando como estrutura o racismo, mantendo os pretos no lado contrário dessa pirâmide. Não tem como não ser de maneira violenta como definiu Fanon. Visto que aqueles que são privilegiados pela colonização e pelo domínio dos corpos pretos, e que detém, o controle alimentar nas mãos através do capitalismo, jamais vão aceitar de maneira amigável a independência daqueles que sustentam o prato cheio e os privilégios da branquitude.


E aqueles que infelizmente nascem no berço da miséria, no estado de pobreza extrema, lamentavelmente já nascem condenados a todos os tipos de sofrimentos e mazelas existentes na sociedade, pois esses, já nascem no meio do purgatório da desigualdade social e com a foice da morte em seus pescoços. É triste constatar que estes seres humanos, já nasceram sentenciados, a viverem nas grades do “laço do passarinheiro e da peste perniciosa” que assola todos os dias a vida de quem vive sobre a mira da miséria. Dado que a pobreza absoluta é como a “peste que anda na escuridão” e “mortandade que assola ao meio-dia”, exterminando vidas sem lastima alguma, sem pena e piedade. Trucidando quem vive abaixo da linha da pobreza e obrigando-os a passarem fome diariamente, pois quem nasce na inópia da penúria, são condenando a viver uma vida de dor e sofrimento, sem perspectiva alguma de viverem uma vida com felicidade e dignidade. Pois quem nasce no seio da miséria é obrigado a viver uma vida praticamente sobre os domínios da noia da fome e sem ter se quer um momento de liberdade na vida, pois desde o nascimento e na maioria das vezes, até o dia da própria morte, desses prisioneiros da mendicidade humana, eles sofrem e sofreram com o encargo de viverem com a depressão da insegurança alimenta, por nunca saberem quando vai ser a próxima refeição, que vão ter no prato, exatamente por não terem o que comer e se alimentar cotidianamente. Sendo que alguns destes afortunados, infelizmente nem moradia eles possuem, e o fato deles, não terem um teto para morar, faz com que eles ainda vivam em condições surreais de um abandono total da sociedade. Passando por uma exclusão social ainda pior, perante quem passa fome, mas tem um teto para morar. O desamparo dessas pobres almas e completamente desumano, pelo fato deles não terem moradia e muito menos casa própria, sendo que ainda são obrigados a viverem com a guilhotina da fome como um câncer que mata aos poucos. Em vista que quem não possui moradia própria, está fardado a viver sobre as algemas do aluguel, onde na maioria das vezes: o indivíduo que vive nessa condição; tem que escolher entre pagar o aluguel, ou comer. E quem não consegue viver sobre as correntes do aluguel, acaba ficando sem moradia, restando para esses, somente à condição de viverem em situação de rua, sem teto e sobre a pressão de viverem sem segurança alimentar. Consequentemente, temos a fome e a miséria, ligada diretamente à questão da terra, ligado diretamente com a falta de moradia para todos na sociedade; da falta de uma reforma agrária e urbana, que possa promover uma melhor distribuição de renda e de terra em nosso país, ou mesmo em todo mundo, com o objetivo de erradicar a miséria. Assumindo assim, como o racismo e a falta de moradia digna para todos, também é uma das causas principais da fome existir e ainda matar tanta gente no mundo e não só em nosso país. Visto que são essas pobres almas que vivem em condições desumanas nas ruas, dos pobres guerreiros e coitados, que se matam para pagar um aluguel, para não viverem em condições de rua, que são os que mais pagam pela ganancia do ser humano e acabam sendo sacrificados pelo capitalismo selvagem predador, que infelizmente proporciona um poder absolutos aos mais ricos, sobre a vida dos mais pobres. Mantendo assim o controle e domínio da corrente da escravidão nas mãos dos mais ricos, e acorrentando os pés dos mais pobres, aprisionando-os, sobre a corrente da pobreza e condenados na cela da miséria. Uma vez que aqueles que nascem excomungados a viverem para além da linha da pobreza, são malvistos pela maioria na sociedade, principalmente pelos os mais ricos, que são os principais culpados pelo o estímulo da eugenia na sociedade e da desigualdade social, assim como pela pratica, tanto como pela promoção do fascismo e racismo. Que proporciona razões econômicas, políticas e sociais que promove uma situação de injustiça social, qual quem paga pelo fardo de nascer no berço da pobreza extrema, são as próprias vítimas da miséria e não os ricos gananciosos, que promovem a desigualdade social e que geram o miserabilísmo.
E apesar dos que nascem na condição de situação de vulnerabilidade sócio econômica, não serem os grandes culpados, pela a mendicância quais estão sentenciados a passarem em suas vidas e a via sacra, quais aqueles que vivem no estado de carência absoluta de meios de subsistência, tem que passar para sobreviverem. São quem de fato pagam pela miséria existir e ainda levam a culpa por serem pobres. E como podemos concluir, a injustiça social aqui tem mais que caráter segregador, pois a sua principal missão é a de realizar a eugenia e sentenciar quem nasce na pobreza extrema como os responsáveis por ela existir, causando danos psicológicos irreversíveis aos os condenados pela máquina da miséria. Desenvolvendo o extermínio daqueles que vivem sobre o domínio da escassez do pão, visto que os filhos da penúria, mesmo não sendo os grandes culpados, por nascerem no leito da lamuria. São julgados, condenados por serem pobres, e viverem no leito da miséria, exatamente para que possam padecer, até serem levados à morte e executados pela guilhotina da fome. E esse é o jogo sujo daqueles que detém os meios de produção, um jogo tão sujo, que acaba que são os filhos da miséria, que são responsabilizados pela própria dor, pelo sofrimento, que passam, por viverem na mendicância na sociedade, como se fossem eles, os grandes responsáveis, pelo desequilíbrio social existir, mesmo não sendo eles, os culpados da avareza existir, mesmo não sendo os necessitados, que proporciona que os ricos fiquem mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. E é exatamente esse modus operandi, que cada vez mais, faz com que a população que vive em condição de extrema pobreza, passe fome e perca a perspectiva de vida. Sofrendo com isso, uma sentença condenatória, que tem como pena máxima, para os que vivem na mendicidade, na miséria total, a certeza de passar fome todos os dias e de viver sobre a noia da insegurança alimentar. E infelizmente são os filhos da miséria, que pagam pelo fardo de carregar a cruz da pobreza, sobre os ombros, como uma chaga e muito das vezes, carregam esta cruz da penúria: até chegar o dia da própria morte. E as “mãos de finados”, são humilhados e sofrem uma tentativa de extermínio, pelos que pregam a eugenia, o racismo e fascismo, só por serem obrigados a viverem na sarjeta, justamente para sustentar os privilégios dos abastados. Ou seja, condenados a passarem a vida na cela da miséria, pagando uma sentença na cadeia da inópia, para que os ricos possam ostentar suas riquezas e viverem uma vida completamente na luxuria, promovendo um genocídio e escravizando a população mais pobre através da fome. Quais por essas razões, estão sentenciados, a viverem nas garras da morte, da desigualdade social, promovida por aqueles que colocam o lucro, o capital, o materialismo, acima de todas as coisas, inclusive sobre qualquer vida do planeta e não somente da vida humana.
Mas sabemos nós, que esses afortunados pela desigualdade social, na verdade, são as pobres almas sacrificadas pelo racismo, pelo capitalismo selvagem e predador que se alimenta de vidas, do egocentrismo e não somente de cifrões, como matematicamente pensamos e acreditamos, pelo fato de ser assim, que se materializa o capital para nós. Mas o capital nada mais é que a ganância e sede de poder do ser humano. Porém são essas pobres almas humilhadas, por aqueles que amam o lucro e o poder, que tem suas pobres vidas sacrificadas, ceifadas, para que o capital possa agir, como se fosse um vírus, se alimentando de si mesmo, promovendo cada vez mais: a soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça entre os seres humanos; fazendo espalhar cada vez mais a fome não só pelo Brasil, como pelo mundo.
E para pensar sobre o mal que a miséria promove no mundo, é importante destacar que na sociedade, os mais ricos, são os que mais promovem os preconceitos aos mais pobres, que vivem na linha da miséria. E essa falta de humanidade, de solidariedade, de empatia e amor ao próximo, de muitos que vivem na opulência, tem o intuito de eliminar quem nasce na pobreza, pois são os que vivem no pecúlio e no privilégio absoluto, que são os grandes culpados por essa mazela social assombrar a vida dos que vivem na indigência. Pois existem entre os mais ricos, um grupo eugenista que defende que quem nasce no berço da miséria, não deveria nem vim ao mundo, sendo esse grupo que se consideram “bem nascido”, os responsáveis; que promovem uma espécie de seleção racial, um racismo científico, através da desigualdade social. Sabendo se que os defensores e privilegiados pelo racismo estrutural, defendem que através da eugenia, seja possível melhorar a qualidade genética da população através dos “bem nascidos”, segundo o pai da teoria eugenia, o Francis Galton. E os defensores da eugenia, usam o controle alimentar, como uma arma, que vem promovendo o genocídio dos mais pobres e através do racismo científico, que existe em nossa sociedade, é a população negra, a população que mais sofrem com esse extermínio dos pobres, promovido pelos que promovem a eugenia no mundo. O que cruelmente transforma a fome em uma máquina de extermínio dos corpos negros, que infelizmente são a carne mais barata do mercado, por causa da máquina condenadora que é o racismo promovido e praticado pela branquitude privilegiada. E os privilegiados pela riqueza construída em cima de exploração da branquitude, sobre os corpos negros, promovem esse controle alimentar da sociedade, pois é a classe que está no topo da pirâmide financeira, que detém de certo modo, o controle social, através do poder econômico, que eles têm em suas mãos, que foi construído e é mantido, através da exploração do racismo. Qual aqui no Brasil, foi construído sobre o escravagismo dos negros, pela branquitude e perpetuado ao longo desses anos, de geração em geração até os dias atuais. E esses eugenistas têm como objetivo, não só melhorar os próprios atributos no meio social que pertencem, como acreditam e promovem o arianismo, que tem como meta, destruir as culturas, as qualidades, a peculiaridade, ou particularidade racial do grupo social, quais esses eugenistas, acreditam serem inferiores a eles. E essas pessoas que pensam e buscam promover uma eugenia na população, não pensam assim, dessa maneira, pelo simples fato de sentirem pena de quem nasce na pelintrice, sem condições financeiras alguma, não é sentimento de culpa cristã, por exemplo: por saberem que são os verdadeiros culpados, por termos vidas que nascem no berço da miséria. Os defensores de uma higienização, que defendem a eugenia, não se importam de forma alguma, com a dignidade dessas vidas, os responsáveis por promover esse racismo científico, não se preocupam com essas pobres almas, por elas terem uma “caminhada” sofrida e uma vida quase impossíveis de ser vivida, pois eles se querem, se preocupam com a vida de quem vive na penúria. Mas eles pensam assim, dessa maneira, pelo fato deles odiarem os miseráveis por causa do racismo. Então o fato desses eugenistas agirem assim, buscando acabar com os pobres e não com a pobreza, promovendo um genocídio dos pobres, não tem nada haver com a erradicação da pobreza em si, mas com um arianismo, que tem como objetivo principal, eliminar os mais pobres; que em nosso país, como sabemos, são de maioria de descendência negra. E é assim que aqueles que detêm a segurança e insegurança alimentar nas palmas das mãos, querem eliminar os miseráveis e visam acabar com a pobreza, matando a população mais pobre, através da miséria absoluta, promovendo um genocídio destes, através da fome. E não buscando acabar com a desigualdade social, muito menos com erradicação da miséria. Mas promovendo um genocídio, através do racismo, usando a fome, como uma máquina de guerra.


E mesmo sendo muitas das vezes, essas mesmas pessoas eugenista, as culpadas de muitos pobres nascerem na miséria. A sociedade capitalista não condena os defensores do arianismo. Pelo contrário, os defensores do capitalismo acima de tudo e de todos, acreditam que seja os miseráveis, os próprios culpados da miséria existir. Eles culpam as vítimas, por elas serem vítimas, da fome que o capitalismo produz. Mas as pessoas que pensam dessa maneira, não estão somente erradas, elas estão doentes e cegas pelo capitalismo selvagem e pela própria eugenia que pregam. E se queremos alcançar a erradicação da miséria, da fome, da pobreza, confrontar e desconstruir esses pensamentos genocidas, assim como o modo de agir dessas pessoas, que defendem e promovem a eugenia, é mais que uma missão, é um dever de todos na sociedade. Devemos defender uma educação e ensino público de qualidade, que possa principalmente contemplar os mais necessitados, os mais acamados pela pobreza absoluta, sendo que esse é só um dos passos, que devemos dar, para combatermos a miséria, que assola o mundo e que produz a estética da fome. Pois a miséria, quanto à fome, que é a filha dela, são as próprias hienas famintas do lucro e da sede de poder, que causa alienação no ser humano e traz o caos na sociedade. Se alimentando da carne desnutrida do pobre, que é condenado a viver na miséria, para que um rico, possa ter o privilégio de viver ostentando sobre a dor e sofrimento da carne alheia, sugando a vida de quem vive na margem da pobreza absoluta, qual é obrigado pela balança do capitalismo a pagar essa conta do avarento e preconceituoso. É temos sim que confrontar os privilegiados, uma vez que são os privilegiados, que dominam os meios de produção, inclusive é assim que eles controlam a vida dos pobres. É assim que eles calculam os valores e lucros dos produtos sobre a classe operária, através da “mais valia”. E é através do medo da fome, daqueles que vivem na miséria, que quem detém os meios de produção, promovem a desigualdade social, estipulando somente o mínimo do mínimo para o trabalhador assalariado sobreviver. Mas quem aceita isso calado e tem consciência social, também é culpado pela miséria condenar os pobres a passarem fome. Pois sabemos segundo a terceira lei de Isaac Newton, que toda ação corresponde a uma reação, do mesmo módulo, mesma direção, porém de sentidos opostos. E a terceira lei de Newton se encaixa como um arquétipo que ilustra perfeitamente, como a sociedade capitalista é assimétrica a essa lei da física que descreve Newton, ao promover a desigualdade social. A canção do gênio Chico Science e do grupo Nação Zumbi, tem em seus versos a metáfora que exemplifica essas forças contrarias na sociedade. Resultado de uma ação, que tem como reação do mesmo módulo e direção, mas de sentidos contrários, que acaba gerando a desigualdade social. E é o que ocorre nas cidades brasileiras, bem destacado, por eles na música A Cidade, da seguinte maneira:

E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs
A cidade não para, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade não para, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce

Como podemos observar nos versos dessa música, quanto mais quem está em cima sobe, quem está em baixo vai descer. Uma ação que corresponde à outra, do mesmo módulo, em mesma direção, mas os sentidos dessas forças são contrárias, igual Newton definiu na sua terceira lei. De modo que o excesso de riqueza concentrado na mão de uma minoria rica, vai sempre gerar a miséria como um fardo nas costas da maioria da população que é pobre. Visto que os ricos sempre vão ficar mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, em uma sociedade capitalista. E quem tem consciência de classe, tem o dever de lutar diariamente contra esse sistema opressor, que sempre vai condenar os pobres a viverem na miséria. Já que a sociedade capitalista, jamais vai condenar aqueles que promovem a desigualdade social, para enriquecer cada vez mais, sem se importar com injustiça social. Quem lucra com a fome e tem privilégios por causa da miséria, não se preocupa com quem não tem o que comer em seu dia a dia, muito menos com a dor de quem sabe que vai passar o dia sem comer e quando a noite chegar, também irá passar veneno à noite sem tem o que comer, para se alimentar e acabar com a sua fome. Uma vez que “a fome não é um fenômeno natural. É um fenômeno social, produto de estruturas econômicas defeituosas”, como destaca Josué de Castro em seu magnifico livro Geografia da Fome. Pois a fome em si, pode até ser um problema fisiológico humano, mas a fome que advém da miséria na sociedade, que é fruto do capitalismo selvagem. É um projeto, e infelizmente, é usada como uma ferramenta para escravizar o pobre através da miséria, assim como um mecanismo que dá total poder aos ricos sobre a vida e dignidade dos pobres. E falar da fome no Brasil, é um tabu, e é um tabu, não porque a sociedade brasileira tem vergonha de assumir que faz parte do mapa da fome. É um tabu pelo fato que falar da fome em qualquer parte do globo terrestre é um tabu. E esse tabu foi construído de propósitos, pelas minorias, que detém os meios de produção e controlam o mercado financeiro global. Uma vez que é mais fácil negar que a fome existe e existe pois dá lucro, do que combater a razão dela existir e matar tanta gente no mundo globalizado do capitalismo selvagem. Em vista que a fome é essa arma, que mata mais que a guerra e pandemia, e é usada, pelos que defendem a eugenia, como forma de controle e eliminação daqueles que vivem na pobreza. Então a fome no Brasil, assim como no mundo, não é só uma questão fisiológica, ou que advém de uma natureza geográfica qualquer, mas de questões socioculturais, como o racismo por exemplo, que promove a desigualdade social com um objetivo, que impede o combate, assim como a erradicação da fome no Brasil e no mundo, como destacou o grande pensador brasileiro Josué de Castro:
“A alimentação do brasileiro tem-se revelado, à luz dos inquéritos sociais realizados, com qualidades nutritivas bem precárias, apresentando, nas diferentes regiões do país, padrões dietéticos mais ou menos incompletos e desarmônicos. Numas regiões, os erros e defeitos são mais graves e vive-se num estado de fome crônica; noutras, são mais discretos e tem-se a subnutrição. Procurando investigar as causas fundamentais dessa alimentação em regra tão defeituosa e que tem pesado tão duramente na evolução econômico-social do povo, chega-se à conclusão de que elas são mais produto de fatores socioculturais do que de fatores de natureza geográfica. De fato, com a extensão territorial de que o país dispõe, e com sua infinita variedade de quadros climato-botânicos, seria possível produzir alimentos suficientes para nutrir racionalmente uma população várias vezes igual ao seu atual efetivo humano; e se nossos recursos alimentares são até certo ponto deficitários e nossos hábitos alimentares defeituosos, é que nossa estrutura econômico-social tem agido sempre num sentido desfavorável ao aproveitamento racional de nossas possibilidades geográficas.” ( Pag 58 – Josué de Castro)
E se a alimentação dos brasileiros de baixa renda tem se demonstrado tão precária como descreve Josué de Castro, não é por questões geográfica como podemos ver, mas por questões socioculturais, que se deve acima de tudo, ao racismo científico que impera no Brasil. Racismo científico que tem como objetivo promover o extermínio do povo preto e sua cultura. E a fome por sua vez, se torna essa máquina de guerra, programada para exterminar, aqueles que nascem no berço da miséria. Ou seja, a fome no Brasil, é um projeto, que faz parte do DNA do racismo estrutural. A miséria no Brasil, tem cor, e infelizmente, ela é usada para promover o racismo, assim como condenar o povo preto, a viver preso nas garras da insegurança alimentar. Pode se concluir que a Fome, a miséria, a falta de moradia, a desigualdade social e o alto índice da fome do Brasil, não advém de mera casualidade do acaso. Mas do racismo científico, que tem como objetivo principal: manter os privilégios da branquitude, explorando e exterminando o povo preto através da fome, condenando o povo preto a viver na miséria e ser mão de obra barata, para servir a branquitude no mercado de trabalho. Então quando a esquerda branca exclui o racismo da luta de classe e trata a luta contra o racismo, somente como uma luta identitária, essa esquerda, está ajudando aqueles que possuem os meios de produção, a terem total controle não só dos assalariados, mas da vida do próprio povo preto em nosso país, qual é por sinal a maioria da massa dos assalariados. E esse domínio dos corpos pretos, passa pelo controle alimentar, que gera a fome e a miséria, que sufoca e promove o genocídio da população preta, não só em nosso país, mas por tudo mundo.

Conclui-se que falar da fome hoje e não debater sobre a questão do controle alimentar, não discutir, sobre a exploração que é feita, a custa da vida, daqueles que nascem na miséria. É ignorar que a fome é uma máquina de guerra, que tem como objetivo principal: não só transformar a vida de quem nasce no berço da miséria, em um purgatório. Mas controlar, escravizar, aniquilar, descartar a vida de quem nasce no berço da pobreza. Pelo fato, que aqueles, que controlam a segurança alimentar, explorando a fome, através do capitalismo selvagem, mantém seus privilégios com o auxílio do racismo, que ajuda a manter, toda essa estrutura, que dá privilégios a burguesia. E sendo a matéria prima, dessa exploração, a vida, dos miseráveis, que são explorados através da fome. E consequentemente a fome, é essa máquina de guerra, usada pelo capitalismo selvagem, para manter a população negra na miséria.


Mauro Aniceto.


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One response to “A Miséria”

  1. Avatar de Natalia Vieira
    Natalia Vieira

    Tão triste quanto verdadeiro; Os miseráveis de alma promovendo a miséria alimentar e de dignidade. Realmente, um assunto “indigesto”, que precisa ser lembrado e divulgado de tantas formas, uma vez que há uma grande anestesia sobre ele: já há quanto tempo normalizamos isso?

    Ótimo texto; que a sua pesquisa sobre a Fome continue gerando reflexões tão profundas e amargas quanto o próprio assunto, impelindo o leitor a desembaçar o olhar sobre a sociedade, bem como sobre nossas próprias ações.

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