O Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), organização sem fins lucrativos, pioneira no Brasil e 100% comprometida com a aceleração da promoção da igualdade racial realizou no dia 05, o Fórum Sim à Igualdade Racial. O evento, que retomou o formato presencial este ano, teve como tema “Jornadas Potentes” com o objetivo de promover diálogo, conexões, inspiração e oportunidades para profissionais negros, negras e indígenas, bem como a discussão de questões étnico-raciais no mercado de trabalho. O Fórum SIR foi conduzido por Xan Ravalli e Ubiraci Silva Matos e aconteceu no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Tom Mendes, diretor de relações institucionais e financeiro também do Instituto Foto: Leoncio Correia

A abertura do evento contou com a presença de Luana Génot, diretora-executiva do ID_BR, e Tom Mendes, diretor de relações institucionais e financeiro também do Instituto. “Quando a gente fala sobre dizer Sim à Igualdade Racial, estamos falando que não é um favor do governo ou das empresas, mas um favor para que elas façam para elas mesmas. Tem uma estimativa do Banco Mundial que diz que os países perdem mais de 160 trilhões por terem mulheres fora do mercado de trabalho. É um prejuízo enorme gerado pela dificuldade de nós, mulheres, especialmente negras ou indígenas, se inserirem no mercado de trabalho e ter os nossos talentos plenamente aproveitados”, disse Luana.

O primeiro painel teve como tema “Faça-se cumprir a Lei. Você conhece a Lei 10.639/03 e 11.645/08?”, com a presença de Jade Lobo, pesquisadora, ativista e escritora baiana, Felipe Oliveira, especialista de relacionamento do ID_BR e sua filha Helena Basilio, e Caroline Sodré, head de diversidade e inclusão da Farm Rio. “Falamos tanto sobre a história do Brasil nas escolas, mas existe um apagamento hereditário que limita o conhecimento das nossas raízes. Sem conhecer a história e referências reais, sem materiais com representatividade na sala de aula, essas crianças vão seguir sem saber de onde vieram. Elas precisam disso para saber para onde ir”, explica Felipe Oliveira. “Estamos falando da autoestima dessas crianças, de como elas se encontram e se veem na sociedade. O desafio não é apenas econômico, é racial. Por isso é preciso falar de raça todos os dias. Além disso, nós precisamos de financiamento. A maior parte das escolas indígenas não são regularizadas, pois quem constrói elas somos nós e com barro. Esse é um compromisso coletivo e precisamos de segurança e mente tranquila para essas crianças”, completa Jade Lobo.

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Na segunda palestra, com tema “ESG para além do meio ambiente”, participaram Tom Mendes, do ID_BR, Marcelo Leal, diretor executivo de tecnologia da Accenture, Caroline Moreira, Secretária Adjunto de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul e Amanda Graciano, head de relacionamento com corporações na Fisher. “Precisamos das pessoas com a gente e de união. Não queremos mais nos sentir sozinha nesses espaços. Precisamos de um lugar de acolhimento e que quando estamos no poder ainda não temos. Colocar pessoas negras em cargos de liderança é o primeiro passo, mas não é suficiente. Precisamos seguir juntos”, exalta Caroline Moreira.

Pedro Bonn, fundador da AUR, Tassya de Paula, gerente de diversidade e inclusão da Nubank, Julio Beltrão, publicitário e head artístico da Mynd, a estilista e diretora criativa Day Molina e Ricardo Sylvestre, CEO e fundador da Black Influence foram os convidados do terceiro painel que teve como tema “A cultura no poder e o poder da Cultura”. “Nossa moda está muito além de uma estampa tropical, é uma moda ética, sustentável e que luta pela demarcação de territórios. Temos uma equipe 100% de mulheres indígenas ou negras. Falo que o atelier é muito mais do que uma marca, é um movimento de empoderamento, um movimento orgânico. Então, hoje, entendo que essa minha relação com a criação é de fortalecimento da nossa comunidade e de fortalecimento do protagonismo que começa com a gente”, explica Day Molina.

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Já o último painel, com tema “Não basta contratar, é preciso desenvolver e incluir” contou com Luana Génot, do ID_BR, a Vitor Martins, administradora pela FGV e psicóloga pela Universidade Federal de Santa Catarina, Dinacleia Galdino, fonoaudióloga e estrategista do Serasa Experian e Claudionor Alves, diretor de Equidade Racial do Grupo Carrefour Brasil. “Seja intencionalmente ou não, é importante dizer que não estamos debatendo sobre intencionalidade do racismo, nós estamos debatendo que o racismo acontece que as empresas e as pessoas deveriam agir intencionalmente para que esse racismo fosse eliminado ainda que você não esteja lá com a sua intenção de ser racista”, disse Vitor Martins.

Além disso, o Fórum Sim à Igualdade Racial 2023 incluiu diversos quadros, como o “Trampa Comigo”, onde empresas patrocinadoras tiveram 60 segundos para destacar os benefícios de trabalhar em suas organizações. O “Oráculo” reservou momentos para apresentar narrativas inspiradoras e motivacionais, além de sessões de mentoria, com presença da pensadora indígena, escritora e comunicadora, Yakuy Tupinambá e Dom Filó, DJ, engenheiro civil e jornalista.

O evento foi co-realizado pelo Memorial da América Latina e Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa, com patrocínio do Grupo Carrefour Brasil, Mover, Itaú, Assaí, Loreal, Pepsico, Nubank, Santander, Uber e Totvs, além do apoio da Fundação Dom Cabral, 99 Jobs e BMW Foundation.


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