O rapper, compositor e produtor niLL lançou na ultima semana o seu mais recente álbum ”O Retorno do Maestro” que chegou na ultima quinta (29) as plataformas digitais, que conta com 12 faixas e varias participações especiais, e o Cultura Preta falou com o rapper sobre o seu novo trabalho e de vários assuntos relacionados a musica, cultura geek, pandemia e muito mais.


Primeiramente nos conte um pouco mais do niLL, quem é esse rapper e produtor que vem se destacando na cena underground?
É isso mano, estamos juntos, é um prazer, satisfação do pessoal aí em cultura preta. Então mano, a parada é o seguinte, para quem não me conhece, eu sou o niLL, sou compositor, produtor, MC, a gente já está no rap faz 11 anos, e tudo que a gente veio passando antes foi uma escola, eu tive alguns grupos assim, eu aprendi muita coisa antes da carreira solo.
E na claro na carreira solo eu tive uma liberdade maior para poder experimentar muita coisa e a gente veio construindo essas coisas aí. E chegamos ao resultado de mais uma etapa, que foi o ”Resgate do Maestro” lançado hoje, no dia 29. E cara, eu atualmente sou de São Paulo, eu nasci no interior de um dia aí, mas estou morando aqui na capital agora. Pô mano, além de trabalhar com o meu catálogo, eu trabalho também com outros artistas, produzam outros artistas. Então eu tô trabalhando atualmente com Alt Niss, produzir um disco do Matéria Prima, então produzindo algumas coisas da galera mais nova também, né? Do trap, então tipo assim, o meu plano é poder contribuir assim dentro da cena do rap em várias gerações, né? Porque a gente pode trampar com a galera mais das antigas, com a galera mais nova e tal, isso daí pra mim tá sendo muito legal.
E tenho essa paixão pela criação de universos assim eu gosto muito de trabalhar com animações e tal é vim com esse projeto há algum tempo já testando agora a gente conseguiu fazer um mais concreto e eu acredito muito nesse lado né de misturar o visual com a música desculpa é de misturar o visual com a música tá ligado acho que isso aí desperta algumas sensações diferentes do que só ouvir
Como é a sua relação com a musica?
Cara, a música não estava muito presente na minha infância porque eu não tenho muito esse histórico de músico em casa. Eu sou o primeiro da minha geração, tá ligado? Então, não tem nada em casa desse histórico. Mas desde pequeno, minha criatividade sempre foi muito abusada, desde pequeno. E aí meu avô, ele via isso daí, ele tentava dar uma instigada. Então ele me dava um bagulho para me desenhar. Ele me comprava algumas paradas, algumas revistinhas, alguns bagulhos então ele sempre tava ali instigando isso e cara, eu ia aprender isso, aí eu fiz com a minha sobrinha a mesma coisa quando ela desenhou a capa do meu primeiro álbum, eu fiz a mesma coisa eu vi que ela ia acabar desenhando as paradas ali, tava gostando falei pra ela, toa, faz um desenho aí pra mim, e tal aí ela fez e virou a capa do álbum então assim, eu fui incentivado desde criança, tá ligado? E nunca cortaram as minhas asas, sabe? Então isso me ajudou muito a poder seguir na música mesmo. Por mais que eu tenha sido o primeiro da geração fazendo música, ninguém brecou, tá ligado? Então isso me ajudou muito a fazer música mais tranquilamente. E aí também tem o lance, tipo assim, eu ouvi muito os artistas brasileiros. Houve um bagulho que inspira, o Emicida mesmo é um cara quando a gente descobriu ele falou: ‘porra, ai que foda, tem um cara que fala a linguagem da gente’, que consegue fazer algo mais palpável, igual a eles, sabe? Então, tipo, teve isso, Racionais, que é uma bíblia pra nós.
Antes da chegada do álbum, você ja produziu vários outros trabalhos, o que mudou do artista niLL do álbum “Negraxa”, seu primeiro álbum até “O Retorno do Maestro”?
Então o processo não mudou, eu faço em casa, produzo alguns esqueletos, gravo algumas coisas e quando eu tenho um corpo eu já levo para o estúdio para finalizar. O processo é sempre esse. Acho que a única diferença agora é que eu consegui ter a ajuda do Serginho, estando perto, fazendo a mix e construindo as músicas e construindo as tracklists. Ele tá do meu lado ajudando e passando as visões isso é uma coisa que mudou muito também eu sentei com os meninos do Deekapz por lá em casa a gente fez uma sessão, pegamos vários beats, fizemos algumas músicas ali eu não tinha feito isso ainda antes de chamar os produtores que eu gosto e sentar com eles e ficar assim o Amiri também a gente conseguiu gravar junto o Jota, o James, toda a galera que gravou eu consegui gravar junto com eles. Eu consegui dirigir eles, isso foi excepcional porque eu sou muito criterioso nessa parte. Então eu consegui estar ali com eles, então eu já falo, não, faz assim, vamos colocar isso, vamos colocar aquilo. Tá até meio chato, mas deu certo. E isso mudou muito, cara. Mas a parte do processo de criar mesmo assim, ainda continua o mesmo.


4-O robô ‘Maestro’ lembra muito um ‘Megazord’ da cultura Tokusatsu que é a união das maquinas das personagens enfrentar um adversário mais forte e maior. O “inimigo” que fez maestro foi a pandemia de covid-19?
Então mano, eu já tinha a ideia de fazer um robô antes da pandemia, né? E eu estava com um projeto, esse projeto tinha outro nome, inclusive. Eu estava com outras ideias e aí eu peguei e falei assim ”agora eu vou guardar isso e vou tentar executar outra coisa”. Mas aí no caminho, ele entrou pra cuidar da pandemia e tal, e aí eu falei, mano, eu quero saber, faz mais sentido usar o robô e tal, né? Depois foi passando o tempo, acabou a pandemia, entrou na quarentena, depois entrou na zona de perigo, saiu. Quando estava voltando, eu captei essa fita. E foi interessante porque eu falei assim, mano, eu acho que agora é o momento de tentar adicionar um personagem, dar vida para algum personagem. E tentar mostrar o máximo, ver o que as pessoas vão achar dele, como as pessoas vão se apegar a ele. Tentar trazer ele como um símbolo mesmo, que foi justamente esse lance de ter esses encontros com sentimentos de novo, encontros com as pessoas, encontros com situações, enfim. Aí eu pensei, agora é o momento de tentar isso de novo, porque assim, eu já tenho da chronologia, dentro da linha do tempo, já tem dois personagens, né? Que é o Niil Brinquedo e a Lilith, que é do Good Smell. Mas só que eles ainda não conseguiam trabalhar tanto, talvez não era o momento deles. A Lilith ainda quero fazer mais coisas com ela, porque ela vai crescer aos poucos.

O Maestro tem uma peculiaridade porque ele é uma máquina, é um robô, então ele pode ir trocando de peças, pode acontecer muita coisa, muita coisa que a gente está planejando também para ele, para acontecer. E além de tudo, esse papel do 3D com o mundo real, assim, colocar ele no mundo real, é uma parada que me pegava muito. Eu acho muito da hora e tem todo o sentido. O lance de você ter esse choque quando você vê a favela e o robô. Você tem esse choque e fala, caralho, mano, como isso é possível? Então, esse pingo aí na cabeça, acho que isso é legal. E, mano, um grande desafio é poder dar personalidade para ele e ele poder se desenvolver por si só. A gente ainda tem planos para esticar o material, para fazer mais coisas e tal, vai vir muito mais outros artigos, muito mais outras paradas dele. Mas o grande desafio é esse, tá ligado? Dar personalidade, deixar ele ter vida própria, ele interagir com as pessoas, as pessoas interagirem com ele. Um outro bagulho também que eu quero ver muito é os outros artistas desenhando ele, para a gente ter outras perspectivas também.
A partir disso vou continuar trabalhando mais animações. Agora tive a oportunidade de fazer, por exemplo, um mini animação. Um mini curta-metragem animado. E colocar trilha sonora também, que é o álbum. Eu tive a oportunidade de fazer as duas paradas. Eu e o Osmar, nós fizemos um estúdio de animação gigante, só nós dois. Então, tivemos essa oportunidade e foi muito legal a experiência, então eu quero continuar fazendo mais isso. Porque, cara, pra mim, eu vejo que não tem muita graça eu fazer um álbum e tirar uma foto minha num fundo verde, vermelho, com umas roupas meio cringe. Pra mim não vai muito sentido isso daí. Então, assim, brincar com a criatividade das pessoas é muito legal, mano. É muito divertido. Acho que isso daí não tem preço que pague também. E aí, cara, a gente vai testando, vai estudando também o mercado pra ver como funciona.

Até o lançamento do álbum você teve um intervalo de 2 anos, nesse período você lançou alguns singles e colaborou em alguns trabalhos com artistas nacionais e internacionais, como foram essas experiências e como isso te ajudou no processo de criação do ultimo lançamento.
Trabalhar com os artistas de fora, ainda mais os artistas do background também de fora, é uma coisa muito louco. É aí que você entende mais ou menos como é… você é visto pelo pessoal de outro país, sabe? Tipo, toda vez que eu fui fazer um treco com algum gringo, os cara olha e fala, mano, você é louco. O que vocês estão fazendo aí, mano? Vocês estão tirando água de pedra, cara. Eu falei com Lance Skiiiwalker, depois da pesquisada nele, mano, ele é da TDE, o Kendrick indicou ele, rapaz. Eu tava falando com ele esses dias. Uma amiga apresentou a gente, eu tava falando com ele esses dias. Aí ele falou, mano, manda seu som aí pra eu ver. Aí eu mandei algumas vezes, falou, mano, você mesmo que produziu, você mesmo que fez? Falei, é! Mano, vocês são foda. Pô, vocês estão aí fazendo ouro aí no Brasil e tal. Os caras têm muito respeito. Os caras, eles enxergam a gente muito mais do que o pessoal daqui. não sei o porquê disso, mas os caras não entendem o nosso bagulho igual os caras de lá. Eles já veem o bagulho e falam, seis é loko. Que nem a Didja mesmo, quando a gente fez o control. Esse beat eu nem ia usar mano, eu nem ia usar esse beat aí. Eu estava aí parado, aí eu mandei para ela, eu falei, vai que ela gosta. Mandei para ela, mano, ela já é tipo assim, e menos de dois dias, foi dois, três dias ela já mandou de volta a parte dela.

Então eu falei, caralho, olha só, e a gente fez um lance, e aí cara, depois desse som, o mais engraçado de tudo, depois desse som aí, ela começou a ficar muito mais conhecida. Ela falou, mano, você mudou a minha carreira, e eu aqui no Brasil. Olha como o nosso sistema é poderoso. Só falta a conexão, né mano? Aí a chave é o quê? Eu sempre falo isso daí mano, o verificado no Instagram serve para isso.
Fale sobre a faixa ”City Hunters”, como se deu a criação dessa musica?
Cara, essa daí, velho, ela é especial porque tipo, era uma faixa que estava faltando mesmo no disco, tá ligado? Porque eu virei para o Cezinho e falei, mano, eu preciso de mais um rap aqui, né? Preciso de um rap aqui. E tal. E aí eu fui um dia no show do James, do Jota. Então, tem uns shows deles lá na Galeria Olívia, lá no centro, de graça, que na rua eu peguei e colei, mano. Aí eu vi uns dois cantar e pá… E a gente sempre deu um rolezão, eu sempre gostei deles, né? Do James, do Jota, eu sempre gostei deles. E aí a gente, pô, mano, eu vi eles cantar, eu falei, mano, eu preciso fazer um bagulho com os dois, mano. Os dois é o que tá faltando ali, mano, aquele lance do rap mesmo forte, mesmo é, tem que ser eles. E aí eu liguei os caras e falei, demorou? demorou. Mano, já mandei o beat pra eles, fizemos uma sessão. E eu queria usar esse sample do Hunter. Porque esse beat é foda. Eu estava ouvindo o anime, eu vi a trilha e falei, nossa, eu quis usar isso daqui. E aí chegou na hora certa de usar com eles. Aí eu coloquei e eles falaram, mano, vê o que vocês acham.
Já não sou escrever, aí é louco essa dualidade, vocês veem os caras repão mesmo cantando em cima de um beat com sample de anime, e falam, caralho, isso daqui é muito louco, e mano, é assim que eu me sinto, que eu gostei muito de ouvir os dois, e eu queria ver esse mesmo, tá ligado? Essa aqui é a dualidade, os caras nem assistiam, acho que o Jota se pa conhece, mas os caras nunca devem ter assistido o bagulho assim, de ponta a ponta, você nem sabe de onde, muito bom e eu deixei livre também para eles né e foi até em tema tem que botar a mão tem uma livre é igual a aula de artes mano tem uma livre e acabou que vai falando a linguagem né os caras começam a falar em uma linguagem sem querer né cara é loucura isso daí loucura da hora que os dois tem uma ligação mano os dois tem uma ligação ele o Jota ele tem uma tatuagem do James assim da cara do James no braço, é da hora a ligação dos dois, eu acho legal. E cara, foi especial demais, tinha que ter, mano. Era o que faltava ali naquilo, velho.
O disco possui a faixa instrumental ”Zero Zero 7”, que é uma musica em ritmo house, como é sua relação com esse ritmo?
Cara, eu vou te falar um bagulho, o house vai ser a próxima tendência mundial. Eu já venho achando isso já há um tempo, eu posso estar enganado, mas eu vou bater nessa tecla. Porque mano, é o que me parece assim. Ainda mais depois que eu já estava fazendo isso daí, acho que o primeiro house que eu fiz foi em 2019, que eu testei assim, e deu certo. Mano, aí depois eu vi agora que a Beyoncé usou no álbum dela também. Aí eu tive mais certeza disso também, tá ligado? Mas nesse álbum aí eu coloquei um half só. Porque talvez ainda preciso fazer uma preparação. Pra fazer um bagulho mais focado nele e tal, né? Então vamos colocar aos poucos. Pra virar um bagulho meio que normal pras pessoas, sabe? Sabe o que é legal do house? Que ele tem uma ligação muito forte com boom bap. Porque tipo assim, mano, é 2 gênero. Eu vejo, eu enxergo muito isso assim. Como ouvinte, como produtor também. É 2 gênero que não tem como você imitar.
Como surgiu seu interesse pela cultura geek que hoje está muito presente no seu estilo e na sua musica?
Irmão vou te falar a primeira coisa só para eu não esquecer vou ligar esse link aqui eu vou fazer uma divulgação aqui só para eu não esquecer mano, agora no próximo mês, no dia 30 vai ter a perifacom, você está ligado a perifacom né?


Então, olha minha mãe, eu ia fazer esse convite. A Perifacon é o primeiro evento de nerd do ghetto. Entendeu? O primeiro, mano. Então, esse babu é muito foda, a gente tá conectado nessa parada. Quem não conhece é bom conhecer. E todo mundo tá convidado pra colar dia 30, provavelmente vai ser na Zona Grande de São Paulo, tira dentro. E aí, cara, vou falar um babu pra você. A hora que eu vi o evento desse eu fiquei maluco. Porque eu fiquei pensando na minha infância.
Tipo, como se desse eu fosse um molequinho, o pai, tem um evento de anime do lado de casa, dá pra entrar de graça. Sabe? Como assim, cara? Que bagulho louco! Porque eu mesmo que disse, a gente cresceu assistindo TV CRUJ, Cine Manchete, lá também manchete. E aí era só um episódiozinho por dia, né? Eu tava ali, um dia pra ali, depois só amanhã, amanhã à noite ainda, só amanhã à noite. Então era muito difícil, era muito complicado. A gente podia fazer isso. Por exemplo, a saga das 12 casas. Vai ter a primeira luta. No segundo episódio sua mãe encarnou de assistir a novela. Você não vai ver. Você só vai saber depois se o Seya matou ou não. Então era muito difícil.
Aí cara, eu tinha conexão com uns amigos na rua e tal. E aí acabamos chegando na Lan House. Aí na Lan House o bagulho deu uma andada. Porque eu comecei a ir muito lá, ir muito e muito. E eu comecei a trampar lá, arrumei um trampo lá. Como eu estava sempre antenado nos bagulhos, eu ficava lá instalando um jogo novo para a molecada. Aí, assim, trampando lá. E aí lá eu assistia anime, eu comecei a assistir Naruto. Mas só que qualquer fita. Aí já tinha aquele lançamento, eu tava começando a sair, aí era toda quinta-feira que saía. Toda quinta-feira, tipo… Lá no Japão que saía primeiro, e aí aqui liberava o quinta-feira. Aí quando era feriado lá no Japão, não tinha episódio aqui. E aí, mano, dali em diante veio vindo, velho. Pô, você falou do Inuyasha, o Inuyasha é um dos meus favoritos. Eu lembro uma vez que eu… Bem moleque também, tava na casa do amigo meu que tinha a NET, a NET TV a cabo. E aí, mano, a bagulho ficava passando o dia inteiro no Cartoon Network.

Mas eu tive esse aprecio de que comecei, Assitia a TV CRUJ, velho. Passava um desenho lá que era muito louco, era o do Super Pax. Mano, esse desenho era muito louco, muito louco. E aí, tipo assim, era isso, a gente não tinha acesso à sequência. Não tinha acesso à sequência e era esporádico, né? Mas o lance que mudou tudo mesmo, que virou a chave, foi na época da internet. E aí eu fiquei na LAN House, aí eu conhecia vários bagulhos, pô, jogava pra caralho também. E já ia também assistir nos animes. E nesse já vai sair bem entrando, né? Aí, pô, daí eu vi. Ah, existe um evento de anime, né? Tipo, ah, existe um evento de anime pra todo mundo.
Ouçam o disco ”O Retorno do Maestro ja disponível nas plataformas digitais.



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